FIMA «foi um sucesso» e quer voltar a trazer música clássica ao Algarve em 2019

A edição de 2018 do FIMA – Festival Internacional de Música do Algarve «foi um sucesso» e o desejo é […]

A edição de 2018 do FIMA – Festival Internacional de Música do Algarve «foi um sucesso» e o desejo é que continue a divulgar a música clássica no Algarve no ano que vem. Rui Pinheiro, diretor artístico do festival e maestro titular da Orquestra Clássica do Sul, fez um balanço «muito positivo» do evento e já está a pensar na próxima edição.

Entre Março e Maio, passaram pela região algarvia conceituados artistas, alguns vindos de além-fronteira, para protagonizar 15 concertos, que se espalharam por nove concelhos da região. Ao longo de quase três meses, o público algarvio e os que visitam a região tiveram a oportunidade de assistir a muitos espetáculoas, alguns deles propostas inéditas na região.

«É sempre muito bom ter a oportunidade de apresentar um programa diferente, que vá além do que é a nossa atividade regular. Contámos com alguns convidados, entre os quais artistas muito conceituados, portugueses e estrangeiros,o que nos permitiu apresentar programas aliciantes», disse Rui Pinheiro ao Sul Informação.

Foi com convidados internacionais, e logo em dose dupla, que terminou a edição de 2018 do FIMA. O maestro Peter Stark dirigiu uma Orquestra Clássica do Sul (OCS) alargada, num concerto que contou, igualmente, com a violinista Francesca Dego.

Peter Stark

O Sul Informação esteve neste espetáculo, que se realizou no Teatro das Figuras, em Faro, e aproveitou para falar com Peter Stark. Momentos antes de pegar na batuta, o maestro contou como foi dirigir, pela primeira vez, a Orquestra Clássica do Sul.

«Sempre que trabalhamos com uma formação nova, nunca sabemos bem com o que podemos contar. Eu conheço bem os portugueses, com quem lido na Orquestra de Jovens da União Europeia, por isso estava à espera de uma atitude amistosa e positiva, e foi o que encontrei. Ouviram, trabalharam no duro e foi um prazer. E o programa é fantástico. Só por isso, já vale a pena», revelou Peter Stark.

O programa do concerto de encerramento do FIMA juntou o “Concerto para Violino”, de Sibelius, «um dos marcos da obra concertante para violino» e a peça “Sheherazade”, de Rimsky-Korsakov, «uma das mais fantásticas obras do repertório orquestral», segundo salientou, antes do espetáculo, Rui Pinheiro.

Foi para orientar uma OCS com mais elementos do que é habitual que o maestro britânico esteve no Algarve. Ao longo de três dias, Peter Stark trabalhou com profissionais, mas também com estudantes, contratados para aproximar a formação musical do formato de uma orquestra sinfónica.

«Chamo a isso uma espécie de orquestra lado a lado, onde se juntam músicos profissionais e estudantes. E, pela minha experiência, este é sempre um formato de sucesso. Os estudantes aplicam-se muito, pois estão a tocar ao lado de profissionais, e estes também têm um brio redobrado, pois querem mostrar a razão de serem profissionais. Os membros da orquestra têm ajudado muito os alunos, pelo que o ambiente tem sido caloroso e positivo», disse Peter Stark, na entrevista exclusiva que deu ao Sul Informação.

O maestro britânico saiu do Algarve agradado pela experiência e, apesar de confessar não ter elementos para aferir a importância de um evento como o FIMA para a região, tem uma certeza.

«O que eu sei é que o mundo é um sitio com muitos problemas e aquilo que nos pode unir e gerar uma atitude positiva é ou o amor ou a arte, a cultura. Nesse ponto de vista, um festival como este dá um contributo importante para a evolução cultural da região. Trazer pessoas como a Francesca Dego, uma violinista maravilhosa, e outros músicos de fora é muito importante», considerou Starck.

Esta diversidade, tanto no que toca à proveniência dos artistas, como aos estilos musicais abordados, aos locais que acolheram os concertos e à dimensão da orquestra – houve espetáculos com pequenos agrupamentos e outros com a orquestra alargada – foram uma estratégia da organização.

Diogo Infante

A aposta passou, por exemplo, por criar pontes com outros estilos musicais, nomeadamente o pop e o jazz, mas também com outras expressões artísticas, nomeadamente o teatro, e até com a gastronomia.

Isto permitiu chegar a novos públicos. «Houve muitas pessoas que viram um concerto de música clássica pela primeira vez. Senti que, no geral, a recetividade, por parte do público, foi muito positiva», revelou Rui Pinheiro.

Mesmo assim, confessou ao Sul Informação o diretor artístico do FIMA, ainda há um caminho a percorrer, no que toca à atração de público. «Ainda há algumas barreiras, em relação à música clássica. Mas houve formatos que resultaram muito bem, como o concerto no Hotel Conrad, que uniu a música a uma prova de vinhos. Também a ligação à música pop e jazz pode ajudar a fazer cair algumas barreiras».

Rui Pinheiro espera poder continuar este trabalho em 2019. Para isso, a OCS já apresentou nova candidatura ao programa “365Algarve”, que, nos últimos dois anos, deu um contributo financeiro «determinante» para o regresso deste festival, que esteve anos sem se realizar.

«Poderá haver alguns ajustes, mas a aposta na diversidade, tanto em espaços, como em estilos musicais, é para manter», concluiu Rui Pinheiro.

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