Armadores e investigadores pedem período de defeso para pesca do polvo

Ao longo de dois anos e meio, as “Tertúlias do Polvo” reuniram pescadores, associações de armadores, instituições governamentais e investigadores. […]

Créditos: Depositphotos

Ao longo de dois anos e meio, as “Tertúlias do Polvo” reuniram pescadores, associações de armadores, instituições governamentais e investigadores. Uma das conclusões «mais consensuais» para a gestão desta pescaria foi a criação de um período de defesa para a captura do polvo no Algarve. Mas José Apolinário, secretário de Estado das Pescas, não vê «condições» para que tal seja implementado.

O Livro Verde sobre a Pesca de Polvo no Algarve, que reúne o conjunto de ideias e opiniões que foram discutidas nessas tertúlias, foi apresentado pelo Centro de Ciências do Mar (CCMar) da Universidade do Algarve (UAlg) no início do mês de Junho.

Mafalda Rangel, investigadora no CCMar, explicou ao Sul Informação que o objetivo das tertúlias «foi perceber como gerir a pescaria do polvo».

Mafalda Rangel – Foto: Pedro Lemos | Sul Informação

«Tirámos várias conclusões e tivemos uma série de opiniões, mas as mais consensuais foram a implementação de um período de defeso para o polvo, assim como todas as medidas que têm a ver com a ligação entre a comunidade científica e os pescadores», disse.

A questão do defeso salta à vista no rol dessas conclusões que, no fundo, querem atenuar a falta de stock de polvo. «Durante as tertúlias, foi feita uma proposta que tinha uma definição temporal, geográfica e era adaptativa. Ou seja: de tempo a tempo, tinha de se rever como estava o stock, para adaptar a época de defeso, que seria de 1 ou 2 meses, de acordo com o estado da pescaria», referiu.

Confrontado com esta questão, José Apolinário, secretário de Estado das Pescas, que marcou presença no lançamento do livro, considerou «não haver condições para um defeso subsidiado», até porque o polvo não é uma espécie considerada em risco biológico.

Em declarações ao Sul Informação, o governante propôs, ao invés, que «a pesca do polvo passe a parar ao fim de semana».

Foto: Pedro Lemos | Sul Informação

«Há um desafio aqui no Algarve que é não haver desembarques ao fim de semana. Também tem de haver um compromisso dos pescadores de polvo para garantir que o tamanho mínimo de captura, de 750 gramas, é cumprido, assim como reduzir o número de artes que estão no mar», defendeu José Apolinário.

Mafalda Rangel explicou, por sua vez, que, nas tertúlias, se falou da «possibilidade de aumentar o tamanho mínimo de captura, mas a comunidade não quer isso».

Quanto ao defeso, a investigadora reconheceu que teria de ser «voluntário», com os «pescadores a implementá-lo por considerem ser uma forma de gerir o recurso».

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