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Algarve está a preparar “receita” para ser «ícone» mundial no turismo culinário

O Algarve quer transformar-se num destino de excelência para programas de aprendizagem culinária e enológica. Para atingir esse fim, nos dias 15 e 16 de Maio, os mentores do projeto Algarve Cooking Vacations reuniram especialistas, empresários e entidades ligadas ao setor, em workshops na Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve, em Faro, e as conclusões foram boas: há potencial, há um mercado interessado e há vontade dos intervenientes.

João Amaro, da Tertúlia Algarvia, um dos promotores do Algarve Cooking Vacations, juntamente com a Associação  Turismo do Algarve e a Região de Turismo, explicou ao Sul Informação que estes encontros, ao longo de dois dias, foram «um momento de aprendizagem. Convidámos oradores internacionais e nacionais que fazem algumas coisas neste domínio, com a ideia de “beber” das suas experiências. Acabámos por concluir, através de quem está no mercado, que o produto é vendável».

Wojtek Osinski – Foto: Gonçalo Dourado|Sul Informação

Wojtek Osinski, em representação da World Food Travel Association, e Karolina Buczkowska Golabek, da Polish Association of Culinary Tourism, ambos polacos, foram os especialistas internacionais presentes.

Segundo João Amaro, «o que nos disseram é que há oportunidades, o mercado está a crescer e há um nicho por explorar».

Apesar de considerar que «nada está diferente do que estava, antes de termos feito os workshops», João Amaro acredita que «ficou a semente desta ideia que é ambiciosa e que passa por estruturar programas de turismo culinário para comercializar lá fora. Isso é diferente das experiências que podemos oferecer individualmente. Esse é um campeonato, mas organizar várias ofertas para criar programas mais alargados, com tudo articulado, em que nada falhe, é outra coisa».

O próximo passo do projeto é «dar continuidade ao desenvolvimento dos programas de 3, 5 e 7 dias, em parceria com agentes que estiverem aqui. Vamos visitá-los, avaliar o interesse e as condições para participar e formular oferta».

Apesar de, nesta altura, a Tertúlia Algarvia estar no papel de “pivot” do Algarve Cooking Vacations, o objetivo é «deixar o bichinho, para que os agentes se possam organizar sem estarem dependentes de nós. Queremos ser um catalizador da ideia, mas não sentimos responsabilidade especial de sermos construtores de muitos programas. Queremos construir programas e convidar outros atores para construírem os seus próprios programas», explica João Amaro.

Este responsável acredita que o Algarve «pode transformar-se num ícone» deste tipo de turismo. «Há cerca de dois anos que acompanho esta dinâmica, estudando os programas oferecidos nos agregadores deste tipo de experiências. Na maioria dos casos não vejo programas com um nível de qualidade que não possamos atingir. Temos recursos fantásticos na região. Temos mar, barrocal e serra. Temos muitos produtos, há uma qualidade crescente no vinho. Temos todas as condições para oferecermos, no mercado, programas tão bons como destinos turísticos concorrentes como a Espanha, Itália, França ou América do Sul. Temos todas as condições, falta só acreditar que é possível, e promover a oferta. A promoção é a peça chave», conclui João Amaro.

Projeto Faro Desvendado “guiou” experiência culinária. – Foto: Gonçalo Dourado|Sul Informação

João Fernandes, vice-presidente da Região de Turismo do Algarve e presidente eleito do organismo, que marcou presença na sessão de abertura, acredita que o turismo culinário promove «a diferenciação e valorização do destino. A gastronomia tornou-se uma importante componente da experiência turística. Cada vez mais viajantes experienciam novas culturas através da gastronomia e há cada vez mais pessoas interessadas em fazê-lo».

Segundo o responsável, «em 2012, fizeram-se 600 mil viagens com motivação assente na gastronomia e vinhos e, se considerarmos como motivação secundária, houve 20 milhões de viagens». Para aproveitar esta oportunidade, «em 2014, definimos que gastronomia e vinhos seria uma estratégia, numa perspetiva complementar, transversal a toda a oferta», acrescentou.

Nos dois dias de workshops, participaram representantes de 20 agentes da região que já oferecem experiências no setor do turismo culinário ou gastronómico, como a Comissão Vitivinícola do Algarve, o projeto Loulé Criativo, a Saboreal, a Quinta do Marco, a Eating Algarve Food Tours, a Odiana, Supper Chefs, Aromas de Odelouca, Quinta da Tôr, Barroca, azeites Monterosa, Portugal4U, Dias de Aromas, Quinta dos Vales, o projeto Creatour, Município de Tavira, Look-Al, Casa Modesta, In Loco e Companhia das Culturas, além, claro, da Tertúlia Algarvia, que demonstrou um pouco daquilo que se pode fazer nesta área, convidando os participantes, no segundo dia, a cozinhar o seu próprio almoço.

 

Fotos: Gonçalo Dourado|Sul Informação

 

 

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