Quarteto Chilingirian deu a sentir música arménia no Lethes. Em Maio há (muito) mais FIMA [com fotos]

Composições assentes em tradições musicais milenares da Arménia, mas também peças de Mozart e Beethoven, fizeram-se ouvir – e sentir […]

Composições assentes em tradições musicais milenares da Arménia, mas também peças de Mozart e Beethoven, fizeram-se ouvir – e sentir – no Teatro Lethes, em Faro, este sábado. O Quarteto Chilingirian mostrou porque é um dos mais conceituados da atualidade e, mais do que tocar, partilhou com o público um pouco da história da Arménia, de onde é original o seu criador.

O Sul Informação assistiu a este espetáculo do FIMA – Festival Internacional de Música do Algarve, onde o violinista arménio Levon Chilingirian foi o afável anfitrião e comentador. O músico deu a conhecer a história das peças a apresentar, um tesouro de valor incalculável para um povo que foi vítima de um genocídio. Durante e após a I Guerra Mundial, o então império Otomano, que pouco tempo depois havia de dar lugar à República da Turquia, perseguiu e chacinou o povo arménio, uma minoria no então reino.

O músico que dá nome ao quarteto explicou que antes deste genocídio acontecer, Komitas Vardapet, um compositor e etnólogo musical, viajou pela Arménia, fazendo uma recolha de danças e músicas tradicionais. Parte deste espólio, mais tarde adaptado para quarteto por Sergei Asmalazian, foi apresentado em Faro.

E se os temas são intemporais e universais – a chegada da Primavera ou o sofrimento de amor – o sentimento e as melodias espelham bem a cultura daquele país.

O público foi ainda “brindado” com as peças “Quarteto de Cordas nº 17 em Si bemol Maior, K. 458, A Caça”, de Mozart, e “Quarteto de Cordas nº 14 em Dó sustenido menor, Op. 131”, de Beethoven.

Fotos: Hugo Rodrigues|Sul Informação

 

Um soldado bem famoso e outros convidados especiais marcam último mês do FIMA

O FIMA – Festival Internacional de Música do Algarve continua em Maio, com seis concertos que se espalharão pela região. Diogo Infante, como protagonista do espetáculo “A História do Soldado”, mas também a Orquestra Filarmonia da Beiras, o maestro Peter Stark e solistas de renome vão ajudar a Orquestra Clássica do Sul a terminar da melhor forma a edição de 2018 do festival.

É com um convidado especial, o violoncelista Paulo Gaio Lima, que será lançada a programação do próximo mês. O solista portuense vai acompanhar a Orquestra Clássica do Sul (OCS), dirigida pelo maestro Rui Pinheiro, no concerto “Entre o Pop e o Erudito”, que acontecerá a 4 de Maio, no Centro Cultural de Lagos.

«Neste concerto encontramos simultaneamente sonoridades “clássicas” (que poderiam ter sido escritas por Mozart), justapostas a sonoridades características do rock e do jazz. Uma orquestra dividida em duas: uma clássica – com a elegância dos sopros e do violoncelo, outra um combo de jazz – com guitarra, baixo eléctrico e bateria», descreve a OCS, que organiza o festival.

Neste concerto, serão apresentadas as obras “Suite nº 2 para Orquestra de Cordas (pro Hermetto)”, de Carlos Garcia, “Le Boeuf sur le toit”, de Milhaud, e “Concerto para Violoncelo”, de F. Gulda, que foi, «por um lado, um dos mais respeitados pianistas clássicos, por outro, um extraordinário músico de jazz que fez parcerias com Chick Corea, Emerson, Lake & Palmer e que escreveu obras como as “Variações para Piano sobre um tema dos Doors”».

No dia 10 de Maio, os protagonistas voltam a ser músicos da OCS, que vão formar o agrupamento de música de câmara que atuará no espetáculo “Schubertíada”, que vai ter lugar no Auditório Municipal de Albufeira.

O nome do concerto remete para a designação que era dada «os saraus musicais vienenses onde Schubert reunia os seus amigos e dava a conhecer as suas mais recentes obras. Este concerto pretende ser uma revisitação de um destes encontros, preenchido exclusivamente por uma das suas obras-primas camerísticas – o Octeto em Fá maior», segundo a orquestra.

Orquestra Clássica do Sul – Foto: Martyna Mazurek | Sul Informação

No dia a seguir, 11 de Maio, a Orquestra Filarmonia das Beiras, dirigida pelo maestro Ernst Schelle e acompanhada a solo pelo
violinista Vladimir Tolpygo, vai protagonizar o espetáculo “Mendelssohn!”, no Cine-Teatro Louletano.

O «brilhante e virtuosístico» “Concerto para Violino e Orquestra em Mi menor, Op. 64”, bem como as «duas obras-primas sobejamente conhecidas, que foram inspiradas pela viagem de Mendelssohn à Escócia» “Abertura de “A Gruta de Fingal” (As Hébridas), Op. 26” e “Sinfonia nº 3 em Lá menor, Op. 5 – Escocesa” são as peças a apresentar.

A 12 de Maio, o hotel Conrad Algarve, na Quinta do Lago, acolhe o espetáculo “Underground Wine Melodies”, no qual a Orquestra Clássica do Sul, dirigida pelo maestro José Eduardo Gomes, vai «harmonizar a música clássica com vinhos premium, no inusitado palco da garagem do hotel».

Um dos pontos altos do programa do FIMA 2018 acontece a 18 de Maio, no Grande Auditório do Campus de Gambelas da Universidade do Algarve, em Faro. O ator Diogo Infante foi convidado para ser o narrador do espetáculo “A História do Soldado”, de Stravinsky/Ramuz, acompanhado por um agrupamento de música de Câmara da OCS, dirigido pelo maestro Rui Pinheiro.

«“A História do Soldado” ocupa um lugar de destaque na produção de Stravinsky e na história da música do século XX. Para narrador e ensemble, esta obra acusa a influência de outros géneros (como o Tango e o Rag-time) na música erudita e, constitui uma das mais bem conseguidas interações entre diferentes formas de expressão artística – teatro e música», enquadra a orquestra.

A 19 de Maio,  volta a música de câmara, com um sexteto de cordas da OCS a interpretar o concerto “Recordações de Viagens”, no Teatro Mascarenhas Gregório, em Silves. O programa da noite conta com as peças “Cenas da Montanha”, de Vianna da Motta, “Noite nas estradas de Madrid”, de Bocherinhi, e “Souvenir de Florence”, de Tchaikovsy.

Peter Stark

A edição de 2018 do Festival Internacional de Música do Algarve termina a 24 de Maio com o concerto “As Mil e uma Noites”, no Teatro das Figuras, em Faro, que será protagonizado pela Orquestra Clássica do Sul, dirigida pelo maestro Peter Stark e acompanhada pela solista italiana Francesca Dego, ao violino.

Um concerto em que as sonoridades “orientais” vão estar em destaque. A emblemática peça “Sheherazade”, de Rimsky-Korsakov, baseada no livro “As Mil e uma Noites”, conta, em formato sonoro, a história clássica da rainha que salvou a sua própria vida graças às histórias com que foi entretendo o seu marido, o Sultão Schariar, que jurara matar todas as suas noivas na noite de núpcias.

Antes, o público terá a oportunidade de ouvir um concerto para violino de Sibelius, interpretado por  Francesca Dego, «uma das mais proeminentes jovens violinistas» da atualidade, «que se tem apresentado com grandes orquestras mundiais e que assinou, recentemente, um contrato com a reputada editora Deutsche Gramophon». A dirigir a OCS estará Peter Stark, «um dos mais conceituados professores de Direcção de Orquestra (do Royal College of Music de Londres) e um dos organizadores da Orquestra de Jovens da União Europeia».

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