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Monumentos do Algarve recostam-se no DiVaM de olhos postos no futuro

Música, dança, cinema, teatro e, até, ciência vão voltar a chegar aos monumentos algarvios, em mais um DiVaM – Dinamização e Valorização dos Monumentos. A edição de 2018 do programa de valorização do património edificado da Direção Regional (DR) de Cultura do Algarve foi lançado no sábado, nos Monumentos Megalíticos de Alcalar, em Portimão.

“Património, que futuro?” é o tema escolhido para este ano e que vai inspirar dezenas de iniciativas, que se espalharão por sete monumentos da região, seis dos quais tutelados pela DR de Cultura algarvia.

«Há várias novidades. Não gosto de destacar este ou aquele evento, pois todos os projetos têm muita qualidade. Tem sido cada vez mais difícil escolher, não só por questões orçamentais, mas também porque há limites do número de atividades que estes espaços podem receber. Estamos a falar de “salas” singulares, não são salas de espetáculo comuns. Têm muitas condicionantes», enquadrou Alexandra Gonçalves, em declarações ao Sul Informação e à Rádio Universitária do Algarve RUA FM, à margem do evento de apresentação do programa do DiVaM 2018.

A temática para a edição deste ano foi escolhida «porque estamos no Ano Europeu do Património Cultural e porque o tema tem tudo a ver com as questões que enfrentamos hoje. Por um lado, como preservar e salvaguardar o património histórico antigo e, por outro, como legá-lo às gerações vindouras».

«Ou seja, não se trata apenas de proteger a herança patrimonial da região, mas também «atrair os mais jovens para estas narrativas, que tantas vezes nada lhes dizem, porque não conhecem e não se identificam».

«Estes lugares e as suas memórias só podem ter futuro se as gerações vindouras souberem do que estamos a falar. Assim, o conhecimento, a divulgação e fruição são alicerces fundamentais para o futuro do património», reforçou Alexandra Gonçalves.

Assim, a Direção Regional de Cultura do Algarve procurou «construir uma programação que traga ousadia, mas que salvaguarde a memória do espaço que está a acontecer. Temos combinações, por exemplo com a música eletrónica, oficinas criativas, noites passadas em monumentos. Há uma grande diversidade. A área em que temos mais oferta e inovação é nas artes performativas», ilustrou.

Também ao nível da divulgação do evento há novidades. Em 2018, a DR de Cultura do Algarve achou que uma simples brochura «já não era suficiente, tendo em conta que se limitava a identificar o ciclo temático, o dia, a hora e o local».

«Com o suporte em formato de revista que criámos, também temos memórias descritivas dos espetáculos e é bilíngue, quando antes havia um panfleto em português e outro em inglês. Conseguimos compilar toda a informação para que quem nos visita possa ter a noção do que vai ver», disse Alexandra Gonçalves.

Este “guia” para aquilo que será o DiVaM 2018 poderá ser encontrado nos postos de informação turística e nos próprios monumentos.

Este ano, a apresentação do evento foi aliada com a apresentação ao público de um elemento patrimonial recentemente restaurado. «Juntámos a apresentação à circunstância de termos a obra de valorização do monumento 9 de Alcalar a terminar. Este será mais um atrativo a disponibilizar a quem vier aos Monumentos Megalíticos. Este foi um momento não tanto de animação cultural, mas de valorização patrimonial», enquadrou a diretora regional de cultura do Algarve.

Esta nova valência dos Monumentos Megalíticos de Alcalar já poderá ser explorada pelos que participarem na iniciativa “Um dia na pré-história”, no sábado, dia 21 de Abril, onde se irá recordar como viviam os “algarvios” que ocuparam este território há milhares de anos.

Aqui, também poderá ser provada a cerveja Alcalar, criada pelos mestres cervejeiros André Gonçalves e Ruben Silva a partir da investigação feita pela arqueóloga Elena Móran. E aqueles que estiveram no lançamento do DiVaM já tiveram a oportunidade de provar esta cerveja com uma receita pré-histórica.

Também no dia 21 de Abril, a Fortaleza de Sagres acolhe o espetáculo “Un Soir de Lima – Pessoa e a lembrança materna através da música”, em que Renato Aires declamará um poema de Fernando Pessoa, acompanhado ao piano por Marcelo Montes, uma peça idealizada e  dirigida por Tela Leão.

Este será a primeira de diversas iniciativas que este monumento do concelho de Vila do Bispo vai acolher até final do ano. O Centro Ciência Viva de Lagos voltará a instalar nesta fortaleza a Nova Escola de Sagres, desta vez em dois momentos distintos. A primeira “leva” será nos dias 7 e 8 de Julho, a segunda no dia 10 de Outubro.

Por este monumento também vão passar o espetáculo “Folequestra”, que junta diversos acordeonistas algarvios premiados sob a batuta de Nelson Conceição (28 de Julho), o espetáculo de dança “Os Meus Monstros Marinhos”, por Ana Alberto e Thora Jorge (6 de Novembro), o concerto “Promontorium Sacrum”, um ensemble de canto vocal com a assinatura da Academia de Música de Lagos (13 de Novembro, e os “Concertos ao Entardecer” da Arquente (dias 27 de Maio e 10 e 17 de Junho).

Também em Vila do Bispo, fica a Ermida de Nossa Senhora da Guadalupe, que volta a ser palco de um conjunto alargado de iniciativas. A primeira, marcada para 5 de Maio, terá como tema “Fé e Memória”  e servirá para «pensar o património religioso do Algarve com os olhos do futuro».

Em Junho, a associação O Corvo e a Raposa leva “Dias das Virgens Negras” à ermida, uma iniciativa que junta três oficinas – desenho (dia 2), cânticos (dia 9) e movimento (dia 16) – e termina com o espetáculo “A virgem Negra de Monserrat”, «uma espécie de peregrinação interna no templo de Guadalupe».

O espetáculo de spoken word “Noites Fantásticas na Guadalupe”, promovido pela Vicentina, e o concerto de Granfonola Voadora e Napoleão Mira também podem desfrutados na Ermida de Guadalupe, nos dias 29 de Setembro e 3 de Novembro, respetivamente.

Outro local onde a programação do Divam estará presente em força são as ruínas romanas de Milreu, em Faro. Aqui, destaque para o projeto “Do criar ao saber”, que vai proporcionar «experiências tecnoromanas na Villa de Milreu”. Esta iniciativa terá um momento dirigido ao público escolar,a  19 de Outubro, e outro dirigido ao público em geral, a 20 de Outubro.

As oficinas “Milreu e as artes da cal”, marcadas para os dias 5 de Maio e 2 de Outubro, a peça “Regresso ao Branco” (29 de Setembro), o eventp “Memori – futur” (26 de Maio) e o ciclo de seis palestras “Amatores in situ“, da associação Civis (de 27 de Abril a 22 de Junho) são outras das atividades que estes monumentos vão receber.

Foto: Martyna Mazurek

No Castelo de Paderne, a poesia e a música unem-se na iniciativa “Património… Um pass(ad)o para o futuro”, que juntará os atores Ana Cristina Oliveira e António Gambóias ao acordeonista Gonçalo Pescada e ao percussionista Rui Afonso.

Em Loulé, no castelo desta cidade, também haverá uma fusão de artes, neste caso da dança acrobática e da música. O trompetista Hugo Alves providenciará a “banda sonora” para os acrobatas Filipe Santos e Bárbara Ramos, no espetáculo “Epic Notes”.

O Castelo de Aljezur vai acolher  a performance “Fio da Memória #1 – Percorrer”, promovida pela Tertúlia Associação Sócio-Cultural de Aljezur, no dia 9 de Junho, no âmbito do ciclo “Linhas Cruzadas”. A 22 de Setembro, este monumento aljezurense vai acolher o espetáculo “As desfiadoras”, promovido pela Teia d’ Impulsos. Esta iniciativa, inspirada na mitologia grega, também será apresentada na Ermida de Nossa Senhora da Guadalupe, no dia 13 de Outubro.

Será, igualmente, a Ermida da Guadalupe a acolher a segunda parte da performance  “Fio da Memória”, do ciclo “Linhas Cruzadas”. Outra iniciativa que acontece em diferentes monumentos é o ciclo “Um Mar de Filmes”, que levará o cinema à Fortaleza de Sagres, nos dias 1 e 15 de Setembro, aos Monumentos Megalíticos de Alcalar, nos dias 8 e 29 de Setembro, e à Guadalupe, a 22 de Setembro.

 

Veja as fotos da apresentação do DiVaM e do monumento Alcalar 9:

Hugo Rodrigues|Sul Informação

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