Mãe Soberana tem «todas as caraterísticas» para ser Património Cultural e Imaterial da Humanidade

Quem já viveu a experiência de subir a íngreme ladeira do Santuário da Nossa Senhora da Piedade, na companhia dos valentes […]

Foto: Ana Madeira

Quem já viveu a experiência de subir a íngreme ladeira do Santuário da Nossa Senhora da Piedade, na companhia dos valentes homens do andor, sabe que aquela é uma Festa especial. É descrita como uma das maiores manifestações religiosas de Portugal e há mesmo quem acredite que a Mãe Soberana tem «todas as caraterísticas» para vir a ser Património Cultural e Imaterial da Humanidade da UNESCO.

Por agora, tudo isto é (ainda) um sonho, mas a verdade é que já há trabalho a ser feito com este objetivo. Dália Paulo, primeiro como diretora do Departamento de Desenvolvimento Humano e Coesão da Câmara de Loulé e agora como diretora municipal, tem acompanhado todo o processo.

A inscrição como Património Cultural e Imaterial da Humanidade da UNESCO, explicou ao Sul Informação, é mesmo «algo que pode ir para a frente e que nos foi sugerido, pela tutela, que nos disse que a manifestação religiosa tem todas as características» para tal.

Só que ainda antes desse desígnio, é preciso «dar o primeiro passo». E por primeiro passo leia-se, neste caso, a inscrição da Festa da Mãe Soberana no Inventário Nacional de Património Cultural Imaterial. A candidatura, feita em Agosto de 2015, continua, porém, sem ser validada.

Mas, como disse Dália Paulo ao nosso jornal, é tudo «uma questão de tempo». «Ainda hoje  [terça-feira] falei com a diretora-geral de Património Cultural que me disse que é uma questão de tempo. Falta validar o processo que até é tido como exemplar».

«O processo está muito bem construído. Tem muita informação, também gráfica, fotográfica e de vídeo e isso faz com que não consigam analisá-lo assim tão rapidamente», explicou.

Os homens do andor, com João Romero Chagas à direita

As perspetivas da diretora municipal são que nos «próximos tempos, três meses, talvez, no máximo» a candidatura seja validada e a Festa da Mãe Soberana passe a fazer parte do Inventário Nacional de Património Cultural Imaterial.

Depois de a emblemática festa louletana fazer parte deste inventário, o que é que haverá de novo? Será, acima de tudo, o «simbolismo» de a Mãe Soberana passar a constar deste lote porque, «em termos de novidades palpáveis não haverá nada de especial», adiantou, ao Sul Informação, João Chagas Aleixo, consultor científico da candidatura. E é, também, o primeiro passo para a candidatura à UNESCO…

«Algo que foi fundamental em todo o processo foi o facto de possibilitar o surgimento de vários financiamentos para fazer estudos e para publicar novas edições. Há um maior estímulo e uma maior abertura, por parte da Câmara Municipal de Loulé e da Paróquia, para investir no conhecimento científico do culto», explicou.

Prova disso é o facto de, por exemplo, ainda este ano ter sido editado um novo livro, da autoria de João Chagas Aleixo, sobre a manifestação religiosa, chamado “Mãe Soberana – a Força do Amor”, com fotografias de Vasco Célio, Luís da Cruz e Fernando Mendes.

Esta é, então, uma das mais valias que todo o processo já trouxe. «Uma das valências desta inscrição era fazer constantemente a salvaguarda e a divulgação da manifestação religiosa, algo que já estamos a fazer. Queremos continuar o trabalho de fazer com que a Mãe Soberana possa levar, todo o ano, pessoas a Loulé», adiantou Dália Paulo ao nosso jornal.

Foto: Pedro Lemos

«No fundo, queremos ter a Mãe Soberana como mais um ponto de atração do território e que, aquela festa que é a maior a Sul de Fátima, não se fique por 15 dias e tenha uma vivência todo o ano», explicou ainda.

Tudo isto é importante porque, como referiu a diretora municipal, uma futura candidatura a Património Cultural e Imaterial da Humanidade à UNESCO «não se faz do nada».

Outra das novidades, explicada por Dália Paulo ao Sul Informação, é a criação de um Centro Interpretativo dedicado a este culto e que será instalado no Convento de Santo António, perto do Santuário da Nossa Senhora da Piedade. «Estamos em fase de projeto. No último semestre deste ano esperamos poder lançar concursos. A ideia é explicar a Mãe Soberana, a festa, os homens do andor, no fundo tudo o que está à volta do culto».

Em paralelo, será instalado, no mesmo Convento, um Centro de Conservação e Restauro na área das esculturas e da pintura religiosa, dinamizado pela Diocese do Algarve.

Até lá, este domingo, 15 de Abril, volta a ser dia de Festa em Loulé. A Mãe Soberana voltará à sua Ermida, no alto da cidade, findas as duas semanas em que desceu para a Igreja de São Francisco.

Milhares vão gritar “Vivas” à padroeira, numa manifestação «única e em que a sociedade louletana é una, sem diferenças», como referiu Dália Paulo.

«Isto é um património pelo qual temos de lutar sobretudo no Algarve em que muitas vezes a identidade é questionada. São estas manifestações que nos potenciam até naquela questão de turismo todo o ano», concluiu ao nosso jornal.

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