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FIMA dá a cheirar música na Igreja do Carmo de Tavira

Foto: Martyna Mazurek | Sul Informação

Esta sexta-feira, a música vai ter uma fragrância, em Tavira. A Orquestra Clássica do Sul (OCS), dirigida pelo maestro Rui Pinheiro, vai interpretar, em estreia mundial, a obra “Sillages”, composta por Bruno Gil Soeiro, durante o concerto “Os Sons e os Perfumes”, que vai ter lugar hoje, dia 20 de Abril, às 21h00, na Igreja do Carmo, naquela cidade.

Este é mais um concerto da edição de 2018 do FIMA – Festival Internacional de Música do Algarve e um espetáculo com um sabor (e odor) especial. É que esta obra foi composta para a OCS por Bruno Gil, compositor associado da orquestra algarvia em 2018, e vai ser apresentada pela primeira vez.

O espetáculo “Sillages” inspira-se nas diferentes famílias de fragrâncias, que, segundo explicou ao Sul Informação o compositor Bruno Gil, «se dividem em frescos, florais, amadeirados e orientais. Dentro dessas quatro categorias, pode haver inúmeras combinações, mas, normalmente, as fragrâncias são associadas a uma delas».

«A peça tem quatro andamentos, cada qual inspirado numa dessas categorias. As pessoas vão ter amostras de cada um dos perfumes e podem ir cheirando enquanto ouvem a música», revelou ao nosso jornal.

Uma proposta desta edição do FIMA que é, no mínimo, original e visa despertar os sentidos do público, proporcionando-lhe uma experiência inédita.

Bruno Gil Soeiro

«Quando comecei a trabalhar na peça, surgiu-me a ideia de explorar até que ponto outros sentidos, associados à música, podem alterar a perceção que uma pessoa tem dessa música. Isto torna-se em algo muito pessoal, pois cada um de nós se identificará com a peça de maneira diferente, cada qual terá a sua própria interpretação. Acho que isso pode ser muito interessante, pois deixa a peça em aberto e permite às pessoas tirar as suas próprias conclusões», acredita Bruno Gil.

Cada um dos andamentos de “Sillages” terá «um estilo diferente, um tipo de orquestração distinto e tentará criar imagens sonoras de cada uma das fragrâncias».

«O primeiro [fresco] é um andamento marítimo, que tenta recriar as ondas do mar e toda aquela brisa do oceano. Depois, no segundo andamento, dos florais, há pequenos apontamentos nos sopros, que procuram dar a ideia desse ambiente um pouco floral».

A seguir, contou, «focaremos os amadeirados. O título do 3º andamento é “Ramets“, o termo usado na biologia para fungos e plantas que se clonam. Começa de uma forma muito simples e depois vai-se “clonando” e transformando, à medida que avança», descreveu o compositor português ao Sul Informação.

A última parte «é um andamento oriental, que utiliza instrumentos de percussão do Japão e da China, o que dá logo uma cor especial».

Rui Pinheiro

Rui Pinheiro, diretor artístico do FIMA, disse, numa entrevista ao Sul Informação e à Rádio Universitária do Algarve RUA FM, enquanto convidado do programa radiofónico “Impressões”, que «as essências e fragrâncias vão ser ser espalhadas com spray na própria sala», naquilo que será uma experiência sensorial, um bocadinho a fugir do formato clássico e ortodoxo».

Isto não significa que o maestro titular da OCS, entidade que promove o FIMA, considere que o que é clássico e ortodoxo «seja mau». «Queremos oferecer coisas diferentes e acho que esta é a lógica que está por trás da programação deste festival», disse o maestro.

Além da obra “Sillages”, o concerto desta sexta-feira, na Igreja do Carmo de Tavira, também contará com a apresentação da “Sinfonia n.º 6, Pastoral”, de Beethoven, que terá sido interpretada publicamente pela primeira vez em 1808, em Viena.

Quem estiver esta noite na Igreja do Carmo de Tavira deverá levar «os sentidos bem apurados», aconselha Bruno Gil. «Será uma experiência nova e que eu acredito que será agradável», resumiu o compositor de “Sillages”.

Os bilhetes custam 10 euros e podem ser adquiridos no local do espetáculo, no dia do evento a partir das 20h, ou na bilheteira online.

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