Marmelete, onde se ouve o lento escorrer da noite, entre teatro, copinhos de medronho e música

O que se ouve mais é o lento escorrer do líquido, a cair no cântaro. Como um fio de água […]

O que se ouve mais é o lento escorrer do líquido, a cair no cântaro. Como um fio de água contínuo, a servir de pano de fundo à voz das atrizes que vão contando as suas histórias, iluminadas por velas e candeeiros a petróleo. Só quando os acordeões começam a tocar se deixa de ouvir esse rumor.

Mas esta água é ardente, acabada de sair morna do alambique alimentado a lenha, e todos a hão-de provar: é a aguardente de medronho, o fio condutor do espetáculo «As noites das Facas Longas», que a partir desta noite se apresenta em Marmelete, na Serra de Monchique, em três destilarias da aldeia.

«Preparem-se para andar, muito, para trás e para a frente, para a frente e para trás. E preparem-se para mais qualquer coisa», tinha avisado Giacomo Scalisi, mentor de mais este espetáculo do “Lavrar o Mar”, integrado no “365Algarve”.

Ontem à noite, nas ruas de Marmelete, entre as 19h00 e as 23h00, soaram os passos dos três grupos de convidados para aquele que era o ensaio geral. Mas soaram também as vozes das atrizes Leonor Cabral, Conceição Gonçalves e Marta Gorgulho…e a música dos acordeões de Marcelo Rio, Virgílio e Nuno Salvado…bem como o arrastar de pés de quem muito bailou.

Em cada destilaria da aldeia – a das Marias, a da Quinta Velha e ainda a da Casa do Medronho – bebeu-se medronho, claro está, numas canequinhas de barro, cada grupo separado pela cor da caneca que lhe calhou. «Quem não gosta fica a gostar», comentou uma das senhoras do grupo, ao fim do segundo copinho de medronho.

Mas também se comeu – picos na banha de entrada, numa destilaria, milhos aferventados com feijão e carnes, com o bom sabor da hortelã, como prato principal, na destila seguinte, bolo de noz como sobremesa, na derradeira. Tudo empurrado, com gosto e repetidas vezes, por um copinho de medronho (havia igualmente água e comida vegetariana…).

Em cada uma destas paragens, embalados pelo som da aguardente acabada de destilar a escorrer do alambique para o cântaro – «aqui já é só da frouxa», explicou o dono de uma das destilas -, a atriz interpretava o texto de Afonso Cruz que lhe tinha calhado. A performance teatral era também pontuada, várias vezes, por copinhos de medronho, por vezes bebidos de um trago.

A noite estava fria, rondava os 7 graus, e o calor das destilarias, com o lume aceso por baixo dos alambiques de cobre, convidava a um pé de dança. E foi isso mesmo que aconteceu em cada uma das paragens…«É para desmoer o medronho, que ainda tenho que ir estrada abaixo até Portimão», dizia um dos convidados. Mas, na apoteose final no largo da aldeia, ainda houve quem enchesse a sua canequinha, com a abaladiça.

Se não comprou bilhete para os espetáculos «As noites das Facas Longas | Serra», que hoje começam em Marmelete e se prolongam até domingo, dia 25 de Março, sempre começando às 19h00, saiba que só um milagre lhe garantirá lugar. Os bilhetes estão esgotados.

Por isso, se quer ver os próximos espetáculos do projeto «Lavrar o Mar», que são «Mar Adentro», em Aljezur (29 de Março a 1 de abril) e Monchique (5 a 8 de Abril), ou «Bestias», em Odeceixe (24 a 29 de Abril), apresse-se a comprar bilhete. Pode fazê-lo aqui.

 

Fotos: Elisabete Rodrigues | Sul Informação

 

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