Há uma plataforma na internet que leva o Património Imaterial do Algarve para o mundo

Dona Lília, Dona Rosa Maria e Dona Arminda subiram ao palco e apresentaram as suas lengalengas, adivinhas, ditados populares e […]

Dona Lília, Dona Rosa Maria e Dona Arminda subiram ao palco e apresentaram as suas lengalengas, adivinhas, ditados populares e até anedotas, algumas delas um pouco «picantes», como as senhoras faziam sempre de explicar. «Não levem a mal, porque há anedotas que parecem uma coisa e são outra. Nós no fim explicamos tudo…», insistia a D. Lília Amador.

Este foi um dos momentos do lançamento da nova plataforma digital “Algarve Imaterial”, apresentada ao público na passada sexta-feira, no Museu do Trajo de São Brás de Alportel, e promovida pelo grupo de trabalho sobre Património Cultural Imaterial da Rede de Museus do Algarve.

Mas a apresentação da plataforma, que reúne as manifestações de património cultural imaterial (PCI) do Algarve, bem como toda a informação inerente a esse património, além da explicação sobre o que ela é, quem a produziu e que conteúdos envolve, teve ainda outros momentos ligados, precisamente a esse património.

Começou com música, com o jovem acordeonista David Mendonça, «um filho da casa», como o apresentou Emanuel Sancho, diretor do Museu do Trajo, e com o flautista Paul Carter, um sambrasense de adoção.

Houve ainda uma mostra de artesanato e ofícios tradicionais, com a empreita de palma, a cestaria em esparto, as bonecas de trapos, o mel, entre outros. E depois da apresentação das três senhoras, sobre o património oral, seguiu-se uma degustação, onde o destaque foi para a panela de fumegantes e saborosas papas, feitas pela D. Rosa Maria. E havia ainda muitas outras iguarias e doces tradicionais para degustar.

Mas o que é então a plataforma digital “Algarve Imaterial”? Trata-se de um instrumento idealizado pelo grupo de trabalho sobre Património Cultural Imaterial da Rede de Museus do Algarve, criado em 2010, e tem como objetivo valorizar e divulgar as manifestações do património cultural imaterial da região.

O site que foi apresentado na sexta-feira já inclui muitas das manifestações do PCI algarvio, com a sua referenciação, até geográfica, por concelho, já que fazer o mapeamento é um dos seus objetivos. Inclui ainda alguns trabalhos de campo feitos por técnicos de Museus algarvios, bem como links para artigos que a comunicação social tem dedicado às manifestações do Património Cultural Imaterial algarvio.

A plataforma, como explicou Helga Serôdio, do Museu de Loulé, que, com Veralisa Brandão, do Museu de Olhão, coordena o grupo, «ainda é um trabalho em processo». «No limite, será um trabalho que nunca estará concluído, porque vamos estar sempre a acrescentar mais e mais informação. E vai faltar sempre algo para completar a página», frisou.

«Esta plataforma resulta de um trabalho de dois anos deste grupo da Rede de Museus do Algarve. É uma página criada no meio de muita discussão. Mas, a partir de agora, é uma ferramenta muito útil para quem quiser investigar o Património Imaterial do Algarve», acrescentou Veralisa Brandão.

Veralisa Brandão e Helga Serôdio

O site é, assim, muito útil por exemplo para professores que queiram trabalhar estes temas com os seus alunos, para quem gosta de conhecer melhor a sua terra, para investigadores ou…para jornalistas.

E, por essa razão, a diretora do Sul Informação, a jornalista Elisabete Rodrigues, foi uma das oradoras convidadas para a sessão, tendo sublinhado a «importância que os órgãos de comunicação social, regionais ou nacionais, devem dar a estas questões do Património Cultural Imaterial» e a forma como a nova plataforma poderá «ajudar o trabalho dos jornalistas».

Para Elisabete Rodrigues, estes temas são «especialmente importantes para os jornais regionais, porque têm a ver com as nossas raízes». O Sul Informação, acrescentou, costuma publicar frequentes conteúdos dentro desta temática, à qual o jornal «presta muita atenção». Para ilustrar isso, Elisabete Rodrigues apresentou à plateia a reportagem em vídeo, publicada em Janeiro passado, sobre as Charolas da aldeia de Bordeira, em Faro.

Por seu lado, Alexandra Gonçalves, diretora regional de Cultura do Algarve, outra das oradoras convidadas, sublinhou a «qualidade estética e de conteúdos» da plataforma.

«Há aqui património do Algarve a precisar de salvaguarda urgente», como o último abegão, a trabalhar no concelho de Albufeira, mas «há também património que não está em vias de desaparecer, embora precise igualmente de ser reconhecido, salvaguardado e estudado», salientou.

«Esta plataforma não quer substituir o Inventário Nacional do PCI», mas «dar a conhecer o trabalho que está a ser feito cá e promover o reconhecimento junto da comunidade», acrescentou a responsável pela Direção Regional de Cultura, entidade que também é parceira deste projeto «Algarve Imaterial».

«Agora, isto deixou de ser apenas do grupo de trabalho da Rede de Museus do Algarve, passou hoje a estar na dimensão global», o que «cria uma responsabilidade maior». Mas também abre a plataforma «a outros, a todos quantos podem e queiram dar o seu contributo», concluiu Alexandra Gonçalves.

O grupo de trabalho, constituído por técnicos dos museus da região, tem vindo a desenvolver, ao longo dos últimos anos, de forma colaborativa e com o envolvimento das comunidades, um trabalho persistente de troca de experiências e metodologias de trabalho, no sentido de salvaguardar estas manifestações.

A criação de uma plataforma que reunisse todas as manifestações de património imaterial do Algarve, bem como toda a informação inerente a esse património, fazia parte do programa de coordenação para o biénio 2016/17.

Surge assim esta página, que pretende «dar a conhecer um conjunto de saberes e práticas que constituem um fator essencial para a preservação e salvaguarda da identidade e memória coletiva do Algarve».

O grupo de trabalho para criação da plataforma “Algarve Imaterial” foi liderado pelos Museus de Loulé e de Olhão. Estão ainda representados na plataforma os municípios de Alcoutim, Albufeira, Faro, Portimão, S. Brás de Alportel, Tavira e Vila Real de Santo António.

«Os museus surgem neste contexto como agentes culturais privilegiados para o seu estudo. Vocacionadas para a salvaguarda do Património Cultural Imaterial, divulgação e até perpetuação, estas instituições tendem cada vez mais a assumir a responsabilidade social de dar prioridade ao contacto direto e observação das comunidades e grupos sociais que confinam os seus territórios de atuação, bem como acompanhar as suas transformações», refere-se na plataforma.

 

Oiça e veja aqui as lengalengas, adivinhas e ditados:

 

 

 

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