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CHUA e Universidade do Algarve ajudam médicos internos na difícil tarefa de trabalhar nas urgências

Vieram de vários pontos do país, em busca de uma formação avançada em urgência hospitalar dirigida a médicos internos. A Universidade do Algarve acolheu em Fevereiro um Curso de Urgência, para ensinar jovens médico a lidar com situações que ocorrem, com regularidade, naquele serviço.

Ao longo de três dias, 160 clínicos que estão a iniciar as suas carreiras nos hospitais do Algarve, mas também noutras unidades de saúde, do Alentejo e de Lisboa, participaram num curso intensivo, organizado pelo Núcleo de Formação e Investigação dos Médicos Internos do Centro Hospitalar Universitário do Algarve, em parceria com o Departamento de Ciências Biomédicas e Medicina da Universidade do Algarve.

Esta formação visou, acima de tudo, preparar os médicos internos para aquilo que podem ter de enfrentar, quando estão a trabalhar no serviço de urgência.

E, diz quem já teve de passar por esta fase de internato, um curso desta natureza pode ser muito útil. «Este curso tem um programa fundamental na organização da atividade assistencial, num serviço que é muito exigente e muito stressante», garantiu ao Sul Informação Helena Leitão, vogal do Conselho de Administração do CHUA.

«Também passei por esta situação. Eu ainda faço parte daquela geração de médicos que fez os seis anos de curso, dois de internato geral e os cinco de internato complementar. Mas não tive o privilégio de ter uma iniciativa como esta quando entrei na vida profissional, pela primeira vez. Nós tínhamos de ser mais autodidatas», disse a médica, que também é professora e investigadora da UAlg.

O tempo passou, mas as necessidades dos médicos em início de carreira mantiveram-se. E foi isso que levou um grupo de internos do CHUA a promover este curso.

«A Urgência é uma área muito difícil de trabalhar, por todas as limitações e particularidades que tem. Quer pela variedade de doentes, quer pela limitação de recursos. Infelizmente, o Serviço Nacional de Saúde é muito limitado e recursos económicos e humanos», sublinha Nuno Mourão Carvalho, interno do centro hospitalar algarvio e membro da comissão organizadora do curso.

«O CHUA tem vindo a reforçar-se de novos médicos. Contudo, esses jovens médicos sentem dificuldade no seu trabalho e em encarar situações clínicas altamente complexas», explicou.

A grande adesão a esta formação, principalmente à edição deste ano, parece ser a confirmação da pertinência do curso.

«Do ano passado para este, cresceu o número de candidatos, não só do CHUA, mas também de outras instituições, nomeadamente de Beja, de Évora, de Loures e do Garcia da Orta [Almada]. Temos aqui médicos especialistas e outros que só trabalham no Serviço de Urgência. Quiseram fazer este curso porque se constatou que a primeira edição teve bastante qualidade», ilustrou Nuno Mourão Carvalho.

A formação, além dos médicos que palestram, «é revista por clínicos especialistas e pelos diretores de serviço, pelo que passa por várias triagens». Para já, não confere nenhum grau académico, «mas é certificado pelo CHUA e está neste momento em processo de certificação pelo Conselho Científico do DCBM, para que, no próximo ano, possa dar créditos do Sistema Europeu de Transferência de Créditos (ECTS)».

«Esta é uma iniciativa de grande dimensão, passam por aqui mais de 40 formadores, responsáveis por outras tantas sessões, em seis blocos, três manhãs e três tardes, com avaliações escritas no final de cada um», enquadrou o jovem médico do CHUA.

Helena Leitão, que tem seguido de perto o trabalho de Nuno Mourão Carvalho e dos seus colegas, não tem dúvidas quanto à qualidade deste curso. «É extremamente completo, muito bem estruturado e vai permitir ajudar estes colegas que estão no início da sua vida profissional. É uma mais valia, é muito importante e há que parabenizar a comissão organizadora e todos os colegas que participam na formação».

Para todos os que estão envolvidos na organização deste curso, este é já um sinal daquilo que a criação de um Centro Hospitalar Universitário pode oferecer à saúde da região.

«Este evento teve uma evolução notória, em relação à primeira edição, e é o reflexo do que vai ser a colaboração do centro hospitalar com a universidade», acredita Helena Leitão. Ao mesmo tempo, «reflete aquele que é o projeto de visão e a estratégia do Centro Académico de Investigação e Formação Biomédica do Algarve, que nós carinhosamente apelidamos de ABC – Algarve Biomedical Center».

Isabel Palmeirim, diretora do Mestrado Integrado em Medicina da UAlg, concorda com esta visão. «A criação do CHUA foi importantíssima para que haja uma boa articulação entre ensino e assistência. Não faz sentido que o ensino, a assistência e a investigação estejam separadas», disse, em declarações ao nosso jornal.

Até porque, salientou Isabel Palmeirim, a componente de formação é fulcral para a melhoria do Serviço Nacional de Saúde, na região, tendo em conta que «uma das razões apontada pelos médicos para não vir para o Algarve é o facto de não conseguirem prosseguir a sua formação aqui, como fazem noutros locais».

«Os cursos que ocorreram no ano passado e que estão a decorrer este ano fazem parte de um conjunto de ações que estamos a pôr em marcha, para que haja uma formação de qualidade para os médicos, na região algarvia», assegurou Isabel Palmeirim.

A responsável máxima pelo curso de Medicina da Universidade do Algarve antecipa, mesmo, que a formação de médicos na região se prepara para «explodir». «Estou muito confiante que, em breve, haverá novidades», concluiu Isabel Palmeirim.

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