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Algarve «precisa de trabalhar sistemas locais de inovação»

O Algarve «precisa de trabalhar sistemas locais de inovação», associados a territórios e a produtos. Ou seja: plataformas de entendimento entre instituições, organizações e empresas que definam «o caminho que se tem de fazer».

A opinião é do algarvio Miguel Freitas, secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, que marcou presença na sessão de abertura da conferência “Inova Algarve 2020”, que decorre, até esta sexta-feira, 16 de Março, no NERA – Associação Empresarial da Região do Algarve, em Loulé.

E o que são estes sistemas locais de inovação? No fundo, plataformas que agreguem instituições, como a Universidade do Algarve, mas também organizações (o NERA pode ser um exemplo) e empresas.

Juntos definem uma «visão partilhada» para, a partir daí, «criar sistemas de inovação tecnológica e de inovação do produto», explicou.

Segundo Miguel Freitas, o Governo está a «incentivar a criação de Centros de Competência e de Grupos Operacionais, que são duas figuras para criar essas plataformas».

Jorge Botelho, presidente da AMAL, Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo, Vítor Neto, presidente do NERA, Miguel Freitas, secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, e Vítor Aleixo, presidente da Câmara de Loulé

A nível nacional já existem «mais de uma dezena» destes Centros de Competência e «75 Grupos Operacionais aprovados», mas nenhum no Algarve. «É preciso que haja estímulo, capacidade de agregação», considerou Miguel Freitas.

Na opinião do governante, o trabalho do NERA, da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve e da Universidade do Algarve, no âmbito deste projeto “Inova Algarve”, é «uma boa base» pois é algo «consistente».

Em declarações ao Sul Informação, Miguel Freitas defendeu que, no Algarve, se devia trabalhar duas questões: a Dieta Mediterrânica e a luta contra a desertificação.

Na primeira, temos «paisagens alimentares com elevado valor económico, que importa restabelecer e recuperar. Acabámos por ter degradação desses sistemas, nomeadamente do pomar tradicional de sequeiro. Há alguma recuperação, mas temos de fazer isso numa perspetiva de ordenamento do território».

«Não podemos julgar que as atividades económicas não têm um impacto concreto no território. As atividades tem de perceber que, para dar contributo num todo, tem de contar com o presente e o futuro», acrescentou.

Já na segunda área, a questão da luta contra a desertificação, o Algarve também a pode trabalhar, até porque afeta «grande parte da região», criando, por exemplo, essas sinergias entre empresas, instituições e organizações, em zonas como o Nordeste algarvio, desenvolvendo produtos endógenos.

Vítor Neto e Francisco Serra, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve

Discutir estas questões da inovação é a base desta conferência, que, para o efeito, junta uma grande panóplia de governantes, autarcas e empresários. Paulo Águas, reitor da UAlg, foi convidado de um dos painéis, onde deu uma visão diferente do que é a inovação no Algarve.

Segundo um relatório nacional da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, de 2012 a 2014, apresentado pelo reitor, é no Algarve que os empresários notam mais obstáculos à inovação.

Na opinião de Paulo Águas, há dois caminhos para resolver este atraso que o Algarve parece ter nestas questões: criar uma cultura de inovação e qualificar os recursos humanos. E aqui as universidades «têm um papel fundamental».

No mesmo painel, Francisco Serra, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, apresentou dados também não muito animadores.

O tecido empresarial da região está dependente de um pequeno número de setores, com o turismo à cabeça. Já a tendência, na região, é para as empresas no Algarve inovarem… mas sozinhas.

Tudo isto faz com que Vítor Neto, presidente do NERA, considere que há um «desequilíbrio estrutural» na economia da região.

De acordo com Miguel Freitas, o Algarve até tem um «grande mercado de consumo», mas existe «pouca permeabilidade» entre produção e consumo. «Estamos a viver uma altura favorável no turismo, mas não sabemos se dura para sempre. Temos de ter sistemas resilientes, capazes de fazer crescer todos os outros», concluiu.

 

Fotos: Pedro Lemos | Sul Informação

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