Reitor começa a visitar empresas algarvias no 2º trimestre, um cluster de cada vez

O reitor da Universidade do Algarve vai fazer-se à estrada para visitar empresas dos mais variados setores de atividade já […]

O reitor da Universidade do Algarve vai fazer-se à estrada para visitar empresas dos mais variados setores de atividade já a partir do 2º trimestre de 2018. Paulo Águas esteve esta sexta-feira no NERA – Associação Empresarial da Região do Algarve, em Loulé, para um encontro com empresários e associações que os representam, onde anunciou que vai dedicar temporadas a cada um dos principais clusters da região, durante as quais não só visitará as empresas, como as convidará a ir à universidade.

«Em princípio, dedicaremos um trimestre a cada cluster. Temos identificados diversos setores, nomeadamente o Mar, o Turismo, a Saúde, o Agroalimentar, as Tecnologias de Informação e Comunicação, entre outros», revelou ao Sul Informação Paulo Águas, à margem daquele que foi o seu primeiro ato oficial fora das portas da Universidade do Algarve, desde que tomou posse como reitor, em Dezembro.

«Num primeiro momento, nós vamos reunir internamente todo o trabalho que tiver sido feito em conjunto com o cluster que estiver em foco. De seguida, visitaremos algumas empresas do setor, como envolvimento das associações empresariais. Por fim, vamos convidar as empresas e empresários a vir à universidade, para um Open Day, onde será possível haver uma interação mais próxima com os investigadores», revelou.

Os visitantes também ficarão a conhecer os laboratórios  da UAlg e dos diferentes centros de investigação, «que poderão ser úteis para prestações de serviços e para o desenvolvimento de projetos com o setor empresarial».

A apresentação do modelo daquilo a que a reitoria chamou “Roteiro UAlg 4.0” foi, de resto, uma das razões pela qual Paulo Águas se encontrou com os empresários. Na sessão de ontem, o reitor da UAlg aproveitou, ainda, para dar a conhecer, de forma resumida, o que é a universidade e o trabalho de ligação com as empresas que já realiza, nomeadamente através do CRIA – Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia da UAlg, mas também através dos seus centros de investigação.

Os representantes de algumas das principais empresas e grupos económicos do Algarve também ficaram a saber que a Universidade do Algarve tem já várias patentes registadas e algumas em fase de o ser, algo que, acredita o reitor da instituição, pode vir a ser uma mais valia para o tecido empresarial algarvio.

Estas patentes, bem como o muito conhecimento produzido na UAlg, ocuparão um papel central no “Roteiro UAlg 4.0». «Temos já três licenciamentos concluídos e estão outros três em curso. Vamos apresentar aos clusters o que já temos patenteado, no sentido de podermos identificar alguns empresários que estejam disponíveis e interessados em pegar naquela ideia e avançar para a fase de comercialização», explicou Paulo Águas.

Na sessão de ontem, o reitor recolheu muitos inputs do setor empresarial. O NERA, que organizou a sessão, convidou empresários de vários setores a usar da palavra e a transmitir a sua visão do que deve ser a ligação da UAlg com as empresas.

E se alguns se mostraram «surpreendidos por ver o vasto leque de competências que a UAlg tem», como foi o caso de Luís Correia da Silva, antigo secretário de Estado do Turismo e atual administrador do grupo Dom Pedro Golfe, outros mostraram conhecer bem a universidade e já colaboram com ela há muito.

Horácio Ferreira, da CACIAL, cooperativa do setor dos citrinos, Reinaldo Teixeira, da Garvetur, que representou o setor imobiliário, Isaurindo Chorondo, industrial do setor da Alfarroba, e Cláudio Correia, fundador da Algardata, foram apenas alguns dos empresários que testemunharam a forte ligação que já têm com a UAlg, seja ao nível de projetos conjuntos, seja como fornecedora de mão-de-obra especializada.

Ainda assim, foram muitas as questões levantadas, a maioria das quais ligadas à dificuldade em arranjar mão-de-obra qualificada, não só no que toca à formação superior, mas, essencialmente, intermédia e especializada. Os empresários também lançaram diversos desafios, entre os quais o aprofundamento do estudo estatístico do desempenho económico da região, a aposta em linhas de investigação específicas e, até, a criação de novos centros de investigação.

«Hoje levo daqui que nós só temos uma alternativa: trabalhar em conjunto», considerou Paulo Águas.

No que toca à mão-de-obra, um problema levantado pelos setores ligados ao turismo, mas também pela agro-indústria e pelo representante das empresas de Tecnologia de Informação e Comunicação, o reitor frisou que «a UAlg, mesmo que o crescimento económico se mantenha por muitos anos, não terá capacidade para aumentar o seu número de diplomados. Isso tem a ver com questões demográficas e com o número de alunos que recebemos».

Isto não significa que a instituição não possa dar uma ajuda. «Levamos daqui a preocupação de tentar oferecer formações mais curtas, para responder às necessidades das empresas», disse o reitor da UAlg.

No final, Vítor Neto, presidente do NERA, considerou que «foi muito importante» Paulo Águas ter escolhido uma sessão com empresas como o seu primeiro ato oficial fora de portas. «Não é uma surpresa, é simplesmente a confirmação de uma relação que se tem vindo a definir nos últimos tempos. O facto de ser presidente do Conselho Geral da Universidade permitiu-me ter um conhecimento mais profundo da instituição, que nós muitas vezes desconhecemos», disse ao Sul Informação.

Vítor Neto tem vindo a tentar, por seu lado, «dar à UAlg um conhecimento maior do que é o tecido empresarial da região, como hoje teve aqui». «A UAlg é um vetor estratégico da nossa região. Pelo seu carácter independente e  cariz universal, pode dar um contributo para a criação de uma estratégia para o Algarve», que o presidente do NERA considera não existir.

No fundo, a universidade pode ser «um catalisador» e um elemento agregador do Algarve. Um caminho que, como frisou o presidente da Câmara de Loulé Vítor Aleixo, começou a ser trilhado pelo ex-reitor António Branco, com as visitas que fez aos 16 concelhos da região, com as quais «deu um sinal às autarquias para uma maior ligação entre ambas as partes, que foi entendido».

Paulo Águas tentará, agora, fazer o mesmo com o tecido empresarial da região.

 

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