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FIMA 2018 terá grandes nomes internacionais, mas também música feita no Algarve

O Festival Internacional de Música do Algarve (FIMA) vai começar esta sexta-feira, dia 2 de Março, em Loulé, e levará a música erudita a nove concelhos do Algarve, nos próximos três meses. O evento, organizado pela Orquestra Clássica do Sul (OCS), contará com artistas nacionais e internacionais de renome e terá muito de algarvio, incluindo uma obra chamada «Suite Al-Gharb», inspirada na região.

O pontapé de saída para o festival é dado no Cine-Teatro Louletano, às 21h00 de sexta-feira, com o concerto “Sons do Destino”, no qual a soprano portuguesa Elisabete Matos se juntará à Orquestra Clássica do Sul. A partir daí e até ao dia 24 de Maio, a OCS vai andar à solta pela região, a espalhar música clássica.

«Vamos ter 15 concertos, em diversos concelhos da região. A principal ideia de ter um festival de música do Algarve é ter uma oferta cultural que se espalhe por toda a região. Ou seja, seria muito mais fácil concentrar tudo numa cidade, como Faro ou Loulé, mas o que se pretendeu foi criar uma série de concertos, com grande diversidade de artistas e orquestras, e levá-los a todo o Algarve, para haver aqui uma democratização do acesso à música erudita», explicou ao Sul Informação Rui Pinheiro, maestro titular da Orquestra Clássica do Sul e diretor artístico do FIMA.

A ideia «é ter aqui três meses de atividade muito intensa e de altíssimo nível artístico», com convidados nacionais e internacionais. «Será um período de enriquecimento e uma oportunidade de fazer aquilo que não podemos fazer na nossa programação regular, que é trazer nomes importantes e artistas emblemáticos. Acho que o público vai gostar bastante», disse o maestro.

A programação será diversificada e até dará azo a colaborações com outras expressões artísticas. «Vamos ter uma parceria com o teatro, neste caso com o ator Diogo Infante. Vamos fazer uma obra fantástica do Stravinsky, a História do Soldado». Haverá, igualmente, uma incursão no mundo da dança, neste caso, uma parceria com o Quarteto Chilingirian, de danças e músicas tradicionais da Arménia.

«Também teremos concertos muito especiais de uma vertente que queremos apoiar, que é a música portuguesa contemporânea – pessoas que estão a escrever para nós e que estão a escrever hoje.  Vamos apresentar uma obra muito interessante, que será baseada em perfumes. Terá vários andamentos, cada qual dedicado a um perfume específico, cuja fragância será espalhada pela sala. Haverá aqui um apelo aos sentidos», contou.

Esta última peça será escrita por Bruno Soeiro, compositor convidado pela OCS para criar algumas obras especificamente para a orquestra algarvia. «Além da dos perfumes, está a fazer a reorquestração de uma obra muito interessante de Eurico Tomás de Lima, um compositor português pouco conhecido, que se chama “Suite Al-Gharb”. São oito peças escritas no início do século XX e cada qual retrata uma zona da região: fala da Praia da Rocha, de Estoi… São, no fundo, pequenos postais da região que foram musicados, para piano. Esta versão para orquestra vai ser estreada no FIMA», anunciou Rui Pinheiro.

Este é, assim, um festival que tem muito de Algarve. «Acho que é isso que faz sentido. Podia ser um festival internacional em qualquer sítio. Mas, como estamos em Portugal, particularmente no Algarve, temos que aproveitar esta ligação», acredita o maestro titular da OCS.

Outro ponto alto do programa será «o concerto dedicado à música ibérica, até para fazer um contraponto entre o que se faz em Portugal e Espanha, com compositores como o Luís de Freitas Branco e o Joaquín Rodrigo. Teremos, igualmente, um concerto de guitarra com Gaëlle Solal, uma guitarrista absolutamente fantástica».

Os destaques da edição de 2018 do FIMA também vão para o Doppio Ensemble, um projeto de piano e violino de duas intérpretes portuguesas, e para a presença da Orquestra Filarmonia das Beiras, conduzida pelo Maestro Ernst Schelle e acompanhada a solo por Vladimir Tolpygo, no violino. Martin André e Peter Stark são outros dos maestros convidados, bem como os violinistas Francesca Dego e Pedro Meireles e o violoncelista Paulo Gaio Lima.

Esta será a 33ª edição do FIMA, mas apenas a segunda desde que o festival foi reeditado. «Houve um interregno no FIMA, que é um dos mais antigos festivais do país, e a Orquestra Clássica do Sul foi convidada para reeditar o evento, no ano passado. E como não se quis mudar de nome, para garantir a continuidade, no ano passado fizemos a 32ª e este ano vamos para a 33ª edição. Na prática, esta é a 2ª da nova era», enquadrou Rui Pinheiro.

O convite esteve intimamente ligado à criação do “365Algarve”, programa de animação cultural e turística que apoia financeiramente um conjunto de ofertas culturais em toda a região, na época baixa do turismo.

O diretor artístico do FIMA não esconde que o apoio do “365Algarve” assume um papel «fundamental» para a realização do evento e que «é a peça sem a qual o festival não se poderia fazer». É o dinheiro que chega deste programa que dá à OCS «margem para fazer algo especial», fora da programação regular da orquestra.

Este é, de resto, um evento passível de levar mais longe o nome da orquestra, e, por associação, da região. «Tendo esta possibilidade de trabalhar com maestros e solistas estrangeiros, isso permite colocar o nome da orquestra ainda mais no mapa. Não que não estivesse, antes disto, pois a OCS sempre teve um perfil internacional, mesmo ao nível dos músicos que a compõem e das pessoas que convidamos. Mas, o facto de ser um festival algo condensado e com um perfil artístico um pouco mais elevado penso que nos dá um destaque maior», acredita Rui Pinheiro.

Os concertos do FIMA – Festival Internacional de Música do Algarve têm lugar nos concelhos de Albufeira, Castro Marim, Faro, Lagoa, Lagos, Loulé, São Brás de Alportel, Silves e Tavira. O programa completo pode ser consultado aqui.

Os bilhetes podem ser adquiridos no site do FIMA.

 

Fotos: Fabiana Saboya|Sul Informação

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