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Festival Terras sem Sombra arranca em Vila de Frades para edição cheia de novidades

Vila de Frades

O número de concertos aumenta, pela primeira vez, para dez, com a incorporação de novos concelhos, como Barrancos ou Elvas, ou o regresso a outros, como Mértola e Vidigueira. O país convidado é, este ano, a Hungria, enquanto o Festival sai, também pela primeira vez, do Baixo Alentejo.

Estas são, em resumo, as principais novidades da edição de 2018 do Festival Terras sem Sombra, que se prolonga de 17 de Fevereiro a 7 de Julho.

A par dos concertos, marcados para os sábados à noite, em igrejas das localidades escolhidas, o programa de cada fim de semana inclui sempre, na tarde de sábado, uma visita guiada ao património edificado dessas terras, muitas vezes património escondido do público em geral, e ainda uma ação pelo património natural e biodiversidade, na manhã de domingo.

A 14ª edição do Terras sem Sombra, que é também a primeira em que a organização é assumida apenas pela Pedra Angular-Associação dos Amigos do Património da Diocese de Beja, tem como tema «Aproximando o Distante: Tradição e Vanguarda na Música Europeia (Séculos XVI-XXI)».

Para concretizar esta aproximação, o Festival tem como país convidado a Hungria, uma das “pátrias da música”, e conta igualmente com importantes colaborações dos Estados Unidos da América e de Espanha, além de uma presença inédita da Polifunia da Córsega, “parente próximo” do Cante alentejano.

«Queremos tornar o Alentejo uma referência para os melómanos do mundo inteiro, associando cada vez mais à música de excelência os monumentos, a biodiversidade e os produtos da região – heranças excecionais, mas ainda pouco divulgadas a um nível global», salienta José António Falcão, diretor-geral do Festival.

«A cultura rima muito bem com o desenvolvimento; o Terras sem Sombra é uma alavanca para os territórios de baixa densidade, sobretudo pelos públicos que atrai e pela visibilidade que gera. Estamos a afirmar um Alentejo diferente, atual, inovador, mas autêntico e cheio de sedução», acrescenta.

E foi para afirmar esse Alentejo e começar a encurtar distâncias que, na semana passada o festival rumou a Budapeste, a capital da Hungria, onde também foi oficialmente apresentado. Levava na bagagem, além dos seus responsáveis, de autarcas e empresários alentejanos, seis rebentos de sobreiro para oferecer ao Jardim Botânico de Budapeste, bem como os 23 homens que constituem o grupo dos Cantadores do Desassossego e que ofereceram à capital húngara as suas canções alentejanas.

 

O Alentejo a Património na Embaixada de Portugal na Hungria. #Alentejo Visit Portugal

Publicado por Terras Sem Sombra em Quinta-feira, 25 de Janeiro de 2018

 

Na apresentação do Terras sem Sombra em terras portuguesas, que já tinha acontecido antes na Embaixada da Hungria em Lisboa, José António Falcão sublinhara «o passo de gigante» que representa a «participação da Academia de Liszt, de Budapeste, neste festival, que reputo como uma das mais importantes no mundo».

Quanto à viagem até terras magiares, José António Falcão viria a considerá-la «uma jornada muito bem sucedida e que marca um passo muito importante na internacionalização do Alentejo e do Festival Terras Sem Sombra».

«Mostra o enorme potencial do Alentejo e a grande possibilidade de um festival, como o Terras Sem Sombra, de atrair públicos diferentes e de apresentar uma programação artística muito qualificada, num território que é claramente um local de excelência do ponto de vista artístico e natural», salientou, no final da visita.

Mas o que será então, esta 14ª edição do Terras sem Sombra? O festival abre na Igreja Matriz de S. Cucufate, em Vila de Frades, no concelho da Vidigueira, a 17 de Fevereiro (21h30).

O concerto inaugural, de música sacra, é protagonizado pelo coro de câmara húngaro Vaszy Viktor, dirigido pelo maestro Sándor Gyüdi, que irá interpretar peças de compositores do século XIX ao atual, incluindo, entre outras, obras de compositores contemporâneos magiares como Péter Tóth, Máté Bela, e Péter Zombola.

Na tarde de sábado, 17, às 15h00, terá lugar a visita «Um panteão para D. Vasco da Gama: o Convento de Nossa Senhora das Relíquias».

No domingo, 18, às 10h00, e porque o produto-símbolo escolhido este ano pelo Terras sem Sombra é o vinho de talha de uvas de vinhas centenárias, produzido pela Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito, o tema da ação de biodiversidade será «Da Época Romana ao Século XXI: Tradições Vitivinícolas no Terroir Vidigueirense».

 

Serpa

Segue-se, a 3 de Março, no espaço da Musibéria, em Serpa, a estreia mundial das Canções Húngaras de Fernando Lopes-Graça, que é um dos pontos altos do festival. Os intérpretes serão a cantora lírica Cátia Moreso e os cantores magiares Hanga Kacksó e Áron Vára, acompanhados pelo pianista Nuno Vieira de Almeida, e por Béla Szerényi, em sanfona, flauta e “tárogató” (instrumento de sopro popular húngaro). Além das canções populares húngaras, harmonizadas por Fernando Lopes-Graça, em estreia absoluta, irão também interpretar canções populares de tradição magiar.

Na tarde desse sábado, a visita cultural tem como tema «Olhares sobre a Arte Manuelina do Alentejo: o Convento de Santo António». No domingo de manhã, os interessados rumam à Herdade da Zanga para conhecer «Oliveiras Multisseculares de Serpa».

Ainda em Março, no dia 17, em Odemira, na igreja da Misericórdia, o Viena Piano Trio apresenta um recital composto por peças de Eurico Carrapatoso (“O Eterno Feminino em Peer Gynt”), bem como de Jenö Hubay (“Scènes de la Csárda, n.º 5”) e de Fryderyk Chopin (“Trio com Piano, opus 8”).

Antes do concerto, durante a tarde, terá lugar a visita ao património «Em sintonia com a Natureza: o moinho de vento dos Moinhos Juntos». No domingo, a natureza estará em foco na ação «Promontório sobre Falésias: a Bio-Geodiversidade do Cabo Sardão».

Em Abril, no dia 14, será Mértola a receber de novo o festival. O concerto, marcado para a Igreja Matriz de Nossa Senhora Entre as Vinhas, é interpretado por músicos e cantores húngaros e preenchido por um programa de compositores também desse país, do século XIX ao atual, alguns deles contemporâneos, como Jaromír Dadák.

No sábado à tarde, a anteceder a noite de música, os participantes na visita do património irão «Reescrever o passado: Novos Olhares sobre a História de Myrtilis». Na manhã de domingo, a ação pela biodiversidade irá fazer-se «Sob a égide de Diana: a Gestão Cinegética e a Salvaguarda da Biodiversidade».

No dia 28 de Abril, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, em Ferreira do Alentejo, a pianista norte-americana Pauline Yang interpreta um concerto intitulado “Roteiro de Sentimentos: Entre Bach e Bolcom”.

«No coração da planície: a Quinta de São Vicente» é o tema da visita patrimonial de sábado à tarde, enquanto na manhã de domingo todos andarão «em busca de uma planta que só existe no Baixo Alentejo: Linaria ricardoi».

 

As vozes corsas

A 5 de Maio, o festival sai da Hungria para rumar à Córsega, com o concerto «O Canto na Ilha da Liberdade», pelas Vozes Corsas-Barbara Furtuna, na igreja de Santa Maria, em Beja.

E porque se está em Beja, o tema da visita ao património, na tarde de sábado é: «Memórias de Mariana: Beja no tempo dos Alcoforados». No domingo, 6 de Maio, será a natureza a estar em foco, com a visita «Santuário na Planície: a barragem da Herdade dos Grous e a Observação de Aves Selvagens».

O segundo concerto do mês de Maio marca a estreia do Terras sem Sombra no Alto Alentejo, com a apresentação em Elvas. A Igreja de Nossa Senhora da Assunção irá receber, no dia 19, mais um concerto que, talvez pela proximidade com a raia e pelas relações estreitas que o festival mantém com Espanha, também se afasta da música magiar. O trio espanhol Clarines de Batalla interpretará um concerto denominado «Guerra e Paz: o Clarim na Música Barroca Europeia», apresentando peças coligidas na obra «Flores de Música» (1706).

«Cidadela inexpugnável: o Forte de Nossa Senhora da Graça» motiva a visita patrimonial antes do concerto, no sábado. «Através dos campos: Agricultura e Conservação no Concelho de Elvas» é o mote da ação pela biodiversidade de domingo, 20 de Maio.

No dia 2 de Junho, será a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Barrancos, a receber o programa «All’Ongarese: das Estepes Húngaras aos Salões Barrocos», pelo Ludovice Ensemble.

Para a visita ao património, no sábado à tarde, os interessados irão andar «entre Ardila e Múrtega: a Antiga Vila de Noudar». E serão «A Herdade da Coitadinha e o Parque Natural de Noudar» o local e motivo da ação de domingo de manhã.

 

Artur Pizarro

O Centro de Artes de Sines recebe o festival a 16 de Junho, para um concerto do pianista português Artur Pizarro, que vai interpretar obras de Bach, Schumann e do húngaro Ferenc Liszt. «Face ao Paraíso: uma Genealogia do Pianismo nos século XIX e XX» é o tema desta apresentação.

Chegando a Sines, o festival volta a reencontrar Vasco da Gama e por isso a visita cultural tem como tema «Na Rota do Gama: testemunhos do Almirante em Sines». No penúltimo domingo do festival, o passeio será pela «Biodiversidade na área de influência do Porto de Sines».

Por fim, o concerto de encerramento está este ano marcado para 30 de Junho, na Igreja de Santiago Maior, em Santiago do Cacém. Intitulado «Fragmentos Vitais: Kurtág e a sua circunstância», neste concerto, a soprano Andrea Brassós Jörös interpreta “Kafka Fragment”, de György Kurtág, bem como peças de Máté, Bartók, Eötuös, Fakete, e Csemiczky, acompanhada por Máté Soós, no violino, Péter Kiss, no piano, e Péter Szücks, no clarinete.

Mesmo a fechar o festival, a última visita ao património leva os participantes à Quinta de São João, em Santiago do Cacém. No domingo de manhã, os participantes rumam a «um montado plantado há 600 anos: o Sobreiral do Convento de Nossa Senhora do Loreto», perto daquela cidade do litoral alentejano.

Para fechar esta edição de 2018, a 7 de Julho (18h30), o Centro de Artes de Sines recebe a entrega do Prémio Internacional Terras sem Sombra, destinado a homenagear uma personalidade ou uma instituição que se tenha salientado, a nível global, nos três pilares do festival. Todos os anos o prémio é entregue a entidades nacionais e internacionais.

Todos os concertos decorrem no sábado à noite, às 21h30, com entrada livre, enquanto as visitas ao património edificado estão marcadas para as 15 horas desse mesmo dia. No domingo de manhã, com início às 10h00, decorrem as ações pela biodiversidade. Mais próximo da data de cada concerto serão divulgados mais pormenores, nomeadamente sobre os locais de encontro para essas ações paralelas aos concertos, bem como os respetivos guias.

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