44ª Volta ao Algarve terminou, mas já há quem queira ir à próxima edição

O casal Wright está à beira da estrada, no início da subida ao Alto da Malhão, com uma bandeira de […]

Carol e Denis Wright

O casal Wright está à beira da estrada, no início da subida ao Alto da Malhão, com uma bandeira de Portugal nos joelhos. Um pouco mais acima, Jeff Armstrong está sentado no chão com o seu telemóvel num tripé. Ainda mais perto da meta, João Bento, João Duarte e Rafael Rodrigues não dispensam o churrasco, o vinho e… um microfone. A Volta ao Algarve terminou ontem, 18 de Fevereiro, mas entre os aficionados já há quem pense em voltar. 

Ditou a organização que a última etapa da Algarvia, com partida em Faro, terminasse na mítica subida ao Alto da Malhão, em Loulé.

O dia esteve soalheiro, com pouco frio, e, por isso, não era de admirar o mar de gente que se via nos últimos quilómetros da etapa. Novos, velhos, uns a pé, outros de bicicleta, de várias nacionalidades e proveniências geográficas, todos estavam ali movidos pelo amor ao ciclismo.

Carol Wright e Denis Wright davam nas vistas. Sentados, cada um na sua cadeira, tinham uma bandeira de Portugal a tapar-lhes os joelhos… apesar de serem ingleses. E porquê? «Adoramos o país, as pessoas, a comida, o vinho, tudo», explicou Carol, ao Sul Informação. 

Residentes na Tôr, já acompanham a Volta ao Algarve «há muito tempo». «Costumávamos ir para o topo do Malhão, mas este ano ficámos um pouco mais em baixo. Também se vê bem», disse Carol Wright.

Desde as 10h00 que ali estavam para ver os ciclistas que apenas passaram a primeira vez no Malhão já perto das 16h00. «Aquilo de que gostamos no ciclismo é o espírito de equipa, a emoção. Somos grandes fãs da modalidade e já fomos a outras etapas este ano», explicou Denis.

Na lancheira, trouxeram vinho, café e comida. Quanto a amigos, não conseguiram convencê-los. «Preferem ver no sofá ou no bar», gracejou Denis Wright. Para o ano, garantiram, vão estar de volta às estradas algarvias para acompanhar a prova.

Jeff Armstrong

Mas não há só casais, ou grandes grupos de pessoas, a assistir às etapas ao vivo. Jeff Armstrong, que tem apelido de estrela do ciclismo, é exemplo disso. Sozinho, no início da subida, lá estava ele, sentado no chão, munido do seu telemóvel e de um tripé. «Vou gravar a passagem dos ciclistas», explicou ao nosso jornal.

A razão para estar ali não era, porém, só essa. Jeff é natural do País de Gales, tal como Geraint Thomas. O compatriota do ciclista da Sky já previa «festa logo à noite» se Thomas ganhasse a competição… mas foi o polaco Kwiatkowski quem venceu a Volta ao Algarve para tristeza de Jeff Armstrong.

Tal como Carol e Denis Wright, Jeff também mora no Algarve, mas em Alte. O «tempo muito bom» é uma das razões para se ter mudado para a região, o que lhe permite andar mais de bicicleta. Em 2019, disse, vai voltar a acompanhar a Algarvia.

Entre as muitas autocaravanas, os carros, mas também as bicicletas que compunham a beira da estrada na subida para o Alto da Malhão, havia um grupo de sete amigos, junto a uma carrinha, que se destacava. João Duarte estava de microfone de mão e ia cantarolando e cantando, com o som a ser projetado por uma coluna no tejadilho na carrinha.

«Nós vimos cá todos os anos. Este ano estava a ver que a GNR não nos deixava passar», contava João Duarte. Na mesa à sua frente, não faltava nada. Febras, chouriço, café e vinho saltavam à vista. «Nós somos aficionados do ciclismo e este convívio é muito importante», explicava, por sua vez, João Bento.

O grupo de amigos

Todos fazem parte de um grupo privado no Facebook, onde discutem e apostam quem serão os vencedores das principais provas do ciclismo à escala mundial. «Todos aqui percebemos muito disto», dizia João Bento. Mas a verdade é que foram surpreendidos com a vitória de Kwiatkowski na Volta, quando previam que fosse Geraint Thomas a triunfar…

A maior parte do grupo é composto por residentes no Algarve, mas também havia quem viesse de longe. Rafael Rodrigues, por exemplo, veio do Porto. «É a primeira vez que acompanho a Volta ao Algarve. Esta etapa é mítica e tive de vir», contou ao Sul Informação. 

Para o ano, o grupo estará de volta, mas antes até já traçam um objetivo. «Este ano vamos ao Tour» de França.

Se não conseguirem ir, têm sempre a Volta ao Algarve, prova que também junta os maiores nomes do ciclismo mundial. Seja na Fóia, no Malhão, em Sagres, Lagoa, Loulé ou Faro, ano após ano são milhares os que fazem a festa do ciclismo nas estradas algarvias.

Em 2019, haverá mais.

 

Fotos: Pedro Lemos | Sul Informação

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