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Primeiro-ministro perguntou e Algarve escolheu melhor mobilidade como prioridade até 2030

A melhoria da mobilidade na região, associada a uma maior e mais eficaz intermodalidade, a valorização dos recursos endógenos e a construção de novas infraestruturas públicas, nomeadamente na área da saúde, são algumas das prioridades que o Algarve tem para a próxima década.

O primeiro-ministro António Costa esteve ontem em Faro, para desafiar as forças vivas do Algarve a apresentar propostas para a estratégia nacional a adotar entre 2020 e 2030 e ouviu muitas sugestões, mas também «inquietações».

O debate que se desenvolveu esta sexta-feira, durante a reunião do Conselho Regional do Algarve, foi apenas um primeiro momento de um processo que durará três meses, ao longo dos quais as entidades que compõem este órgão consultivo da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, que representam os vários setores da sociedade civil, são convidadas a apresentar propostas.

Ainda assim, segundo revelou ao Sul Informação Francisco Serra, presidente da CCDR do Algarve, já foi possível perceber quais são alguns dos eixos prioritários para o Algarve.

«Aquilo que eu consigo sintetizar do que se passou neste Conselho Regional é que as preocupações estão centradas na mobilidade, na integração dos diferentes modos de transporte e na construção ou modernização de algumas infraestruturas», disse Francisco Serra.

Entre as obras que as forças vivas do Algarve querem ver concluídas, estão «a eletrificação da ferrovia e o ramal ferroviário de acesso ao Aeroporto», mas também «infraestruturas na área da saúde, ecovias e reabilitação das cidades».

Outra questão que foi levantada foi a necessidade da qualificação da mão de obra, no Algarve, tendo em conta que esta «é uma região turística, que dá um grande contributo ao Produto Interno Bruto do país», sem esquecer outros setores económicos.

«Temos de formar mais pessoas para disponibilizar no mercado de trabalho, mas também precisamos de valorizar os produtos do mar, a agricultura, as produções endógenas, a cultura e o artesanato da região», considerou o presidente da CCDR do Algarve, nas suas declarações ao Sul Informação.

O trabalho que será feito nos próximos meses poderá mostrar-se fundamental para o futuro do Algarve, tendo em conta que o Governo quer «construir uma matriz do que pretendemos que seja a estratégia nacional para o pós-Portugal 2020», segundo revelou António Costa, que esteve em Faro acompanhado pelo ministro do Planeamento e Infraestruturas Pedro Marques e pelo secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão Nelson de Souza.

«Em Maio, a Comissão Europeia vai apresentar a sua primeira visão para aquilo que deverá ser o pós-2020. Se a queremos influenciar de alguma forma, devemos apresentar a nossa própria visão sobre o que desejamos para Portugal», ilustrou o primeiro-ministro.

O próximo Quadro Comunitário de Apoio, salientou António Costa, não deverá ser tão generoso para Portugal como os que o precederam. Desde logo porque o Reino Unido deixará de contribuir para o orçamento da União Europeia.

Por outro, porque Bruxelas «assumiu um conjunto de novas políticas que vão necessariamente consumir recursos, nas áreas da segurança e defesa, da política de migrações, da transição para a sociedade digital e da adaptação às alterações climáticas».

Assim, quanto mais cedo Portugal disser à Comissão Europeia aquilo que pretende, mais hipóteses tem de conseguir garantir os fundos que deseja.

E há trabalho de casa feito, tendo em conta que o Governo já se reuniu com as Universidades e com as grandes associações empresariais e industriais, antes de começar uma ronda pelos Conselhos Regionais das diferentes CCDR do país.

Segundo António Costa, a estratégia a montar assentará em três eixos principais: inovação e conhecimento, qualificação, formação e emprego, e sustentabilidade demográfica.

Por outro lado, estão já definidas as áreas de atuação prioritárias, a primeira das quais será a valorização dos recursos energéticos, tendo em vista a adaptação às alterações climáticas.

A economia do mar, a floresta e o desenvolvimento rural, a valorização das zonas de baixa densidade e uma aposta na inserção nas redes globais de comércio, «aproveitando o eixo atlântico e o espaço aéreo», são outras das linhas de ação apontadas pelo Governo.

Estas são, no fundo, as balizas do que deve ser o contributo do Algarve para a estratégia nacional. Até porque, tendo em conta que a região está há muito arredada do acesso aos fundos de coesão da União Europeia, todos os cêntimos que puderem chegar de Bruxelas são bem-vindos.

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