Há falta de espaço nos cemitérios de Faro

Há falta de espaço nos dois cemitérios de Faro. «Chega a altura do enterramento e há dificuldade em arranjar uma […]

Há falta de espaço nos dois cemitérios de Faro. «Chega a altura do enterramento e há dificuldade em arranjar uma cova», diz Paulo Vieira, gerente da Agência Funerária Paulino. Também a Câmara de Faro «reconhece o problema» e garante que têm de ser «tomadas medidas urgentes». 

Na capital algarvia, há dois cemitérios: o da Boa Esperança, mais antigo, e o Cemitério Novo, inaugurado em 2005, na zona da Penha.

Quanto ao primeiro, está «a rebentar pelas costuras», admite, ao Sul Informação, fonte da Câmara de Faro. Restam cerca de «30, 40» gavetões, de um total de 180 inaugurados em 2016, porque, no chão, não há lugar para mais sepulturas, como o próprio repórter do Sul Informação pôde constatar no local.

«O espaço é pequeno e não se consegue expandir», explica a autarquia. De acordo com o agente funerário Paulo Vieira, naquele cemitério o tempo que está a ser dado para «a exumação é curto».

«Costuma ser cinco anos, só que a legislação permite, a partir dos três anos e um dia, fazer a exumação. É o que se está a fazer no Cemitério da Boa Esperança, mas esse período é curto para o corpo se decompor. Acontece os coveiros abrirem as covas e terem de voltar a tapar», explica o gerente da Funerária Paulino.

No Cemitério Novo…mais problemas. Além de os gavetões estarem lotados, não há sepulturas devido às caraterísticas do solo. Ao nosso jornal, Paulo Vieira explicou que «o terreno não serve para enterrar».

Por isso, o que há são apenas gavetões e, mesmo aí, «o sistema de indução da decomposição dos cadáveres não funciona por uma série de questões técnicas», explicou, ao Sul Informação, a mesma fonte da Câmara de Faro. Ou seja: «os cadáveres mumificam, em vez de se decomporem».

Para fazer face ao reconhecido problema, a autarquia farense garante que vai colocar a concurso a «execução de novos gavetões» no Cemitério Novo. Quando? «Estamos em fase de projeto», é a resposta da mesma fonte autárquica.

Só que os problemas deste cemitério não se esgotam aqui. Em 2011, a Câmara de Faro lançou o concurso para concessão do Crematório, algo que seria importante para solucionar o problema de falta de espaço.

A empresa Servilusa ganhou o concurso, mas, depois, entendeu que não havia condições para arrancar com a obra e teve de indemnizar a Câmara.

Passados cinco anos, em 2016, foi aberto novo concurso. «Entretanto, a mesma entidade que tinha ganho o primeiro concurso não ganhou o segundo e decidiu impugnar. O processo correu as instâncias legais e foi concluído há pouco tempo».

Por isso, garante a fonte da autarquia, «vamos abrir novo concurso», porque Faro «precisa de um crematório».

Certo é que, atualmente, já há funerais a terem de ser feitos no cemitério da Conceição, nos arredores da cidade. Também ouvida pelo Sul Informação, Paula Ganhão, gerente da Agência Funerária Lusitânia, de Faro, explica que «nem toda a gente está de acordo» com esta solução.

 

A responsável daquela funerária confirma a «muita falta de espaço» nos cemitérios de Faro e explica as condicionantes desta realidade. «Não podemos fazer, ou sequer agendar, os funerais com os familiares».

É que, apesar do espaço nos gavetões do Cemitério da Boa Esperança, nem todas as famílias aceitam esta opção, preferindo a sepultura.

E onde ficam os corpos quando tal acontece? «O Cemitério da Boa Esperança tem quatro frigoríficos. Nós levamos o corpo para lá e aguardamos a data para fazer o funeral», explicou.

Esta falta de espaço é tamanha que, na semana passada, o chefe dos cemitérios de Faro disse a Paula Ganhão que já havia «11 corpos à espera».

«Temos de tomar medidas rapidamente. A nossa obrigação é ter vagas disponíveis nos cemitérios, mas reconhecemos que há um problema», conclui a fonte da Câmara de Faro.

 

Fotos: Pedro Lemos | Sul Informação

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