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TASA vai formar (e empregar) «Artesãos do Século XXI» e está a aceitar candidaturas

Formar novos artesãos em ofícios que estão em vias de extinção, neste caso, entrelaçados, ao mesmo tempo que cria postos de trabalhos para dois dos que vierem a frequentar o curso, é o grande objetivo da ação de formação “Artesãos do Século XXI”, do projeto TASA – Técnicas Ancestrais, Soluções Atuais, para o qual estão abertas inscrições desde hoje, dia 15 de Dezembro.

Esta é a grande novidade para 2018 deste projeto que visa preservar as artes tradicionais do Algarve e criar condições para que os artesãos tirem mais proveitos da sua atividade.

Com esta ação de formação, que começará a 8 de Fevereiro e terminará no dia 31 de Maio de 2018, o TASA dá «um passo totalmente novo», já que, posteriormente, pretende contratar dois dos formandos para trabalhar no projeto em full time, revelou ao Sul Informação João Ministro, responsável máximo pela Proactive Tur, empresa que, atualmente, é a entidade gestora do TASA.

Segundo João Ministro, o ensino e a transmissão de conhecimentos é «a grande causa» da ProActive Tur, nos dias que correm. Daí que a gestora do projeto tenha decidido avançar para esta formação, mesmo sem qualquer financiamento público, juntando-se a outros parceiros privados, nomeadamente o Hotel Anantara, que acarinhou a ideia desde o início.

«O Anantara vai financiar um dos aprendizes, com a contrapartida de que este fará protótipos para eles», explicou João Ministro. Entretanto, estão na calha acordos com outros financiadores.

Já a contratação de dois aprendizes para trabalhar a tempo inteiro no projeto TASA deve-se à grande procura que têm artes como a empreita de palma, o vime e a cana, entre outras, à qual não tem sido possível responder.

«Queremos ter capacidade de resposta e a possibilidade de inovar mais. Os artesãos com quem trabalhamos atualmente são impecáveis, mas também têm algumas limitações. Por exemplo, na época do Verão é difícil encontrar alguém disponível, pois estão a circular por feiras. E há outros que, além de serem artesãos, são agricultores, apicultores, têm de cuidar do cônjuge e só conseguem dedicar uma ou duas horas por semana», ilustrou João Ministro.

«Ainda há cerca de duas semanas tivemos uma encomenda de 40 candeeiros em cana, para um hotel, e tivemos de recusar, por incapacidade de dar resposta. Não há um mês que passe em que não tenhamos de recusar pedidos e isso está muito relacionado com a área dos entrelaçados», contou.

Razões suficientes para que a ProActive Tur assuma «um risco», apesar de João Ministro salientar que há coisa que não deveriam ser da competência de privados. «Fazer com que este património não desapareça é uma missão que não deveria ser deixada a uma empresa. Mas nós sentimos que, se não fizermos nada, muitas das artes com que trabalhamos vão desaparecer», considerou.

Uma das causas para a falta de financiamento público, nomeadamente vindo da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, no seio da qual o TASA nasceu, prende-se com a falta de linhas de apoio europeu nesta área, em específico, mas também com o número reduzido de aprendizes que é possível aceitar, tendo em conta os poucos mestres que ainda existem.

«O problema é que nos vários Programas Operacionais, e mesmo no âmbito do IEFP, não há nada direcionado para estas questões do artesanato. Isto não significa que não possa vir a existir. É difícil enquadrá-lo», segundo Catarina Cruz, vice-presidente da CCDR do Algarve, entidade que lançou e financiou o projeto ao longo de muitos anos e gere os Fundos da União Europeia destinados ao Algarve.

Esta capacidade de mobilização de recursos privados demonstrada pelo TASA, tendo em conta estas limitações, é, de resto, um motivo «de orgulho» para a representante da CCDR.

«Eu acho que é este percurso que os projetos financiados devem ter. É com muita pena verifico que muitos projetos que recebem Fundos da União Europeia, a partir do momento que os deixam de receber, acabam. E o TASA é dos raros exemplos em contrário», disse.

Certo é que o curso “Artesãos do Século XXI” vai mesmo avançar. Segundo a ProActive Tur, esta ação «condensa num programa intensivo as técnicas base para desenvolver competências na área da cestaria (cana), empalhamento de cadeiras e entrelaçados de palma (empreita, “malha” e palhinha)».

«Os aprendizes terão um ciclo inicial de formação nas várias técnicas, e, posteriormente, deverão escolher uma de duas especializações», acrescentou a empresa. Informações detalhadas sobre o programa do curso e os procedimentos necessários para a inscrição podem ser encontrados no site do TASA.

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