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Moonspell trazem o terramoto de 1755 até Loulé num espetáculo «que mistura o metal e o teatro»

Os Moonspell vão apresentar o seu novo trabalho com um «concerto musical teatralizado», que recria o terramoto de 1755, no Cine-Teatro Louletano, esta quinta-feira, 7 de Dezembro, às 21h30.

«O regresso ao Algarve é um reencontro, uma promessa cumprida depois de um espetáculo cancelado, há anos, num concerto de Halloween. O disco é tocado na integra, complementado com o repertório da banda, numa homenagem aos fãs», revela Fernando Ribeiro ao MusicáliaSul Informação.

O espetáculo é uma mistura de «metal com teatro» e foi por isso que o grupo escolheu este tipo de salas para o apresentar pelo país.

Melodicamente, o novo disco não se afasta da musicalidade dos Moonspell, com riffs vibrantes, orquestrações épicas e vozes e letras que testemunham a agonia do dia do terramoto. A banda preocupou-se também em recriar a época, existindo uma fusão com elementos percussivos e melódicos que remete para os fins do século e para a atmosfera que se vivia na capital Portuguesa na altura.

O novo trabalho é cantado em português, num registo conceptual, totalmente inspirado no terramoto de 1 de Novembro de 1755, fruto do fascínio da banda pela cultura e história portuguesa.

«Trabalhar conceptualmente é bastante interessante e nada limitativo. Decidimos cristalizar algumas ideias que estavam soltas na nossa carreira: um disco em português e um disco temático quase como de fosse um documento histórico. O “1755” permitiu-nos, enquanto banda, dar esse passo», afirma Fernando Ribeiro.

O álbum segue uma dinâmica muito parecida com o que se terá passado a 1 de Novembro de 1755:
um turbilhão nos primeiros momentos, passando a alguma acalmia, seguida de uma certa esperança, e consternação.

Apesar de não ser habitual, o metal cantado em português não é uma novidade. Bizarra Locomotiva ou os “velhotes” V12 já o faziam e, para a banda, não fazia qualquer sentido cantar este álbum em inglês. «Estaríamos a desvirtuar a história. A escolha foi para sermos mais genuínos ao conceito», explica o artista.

Fernando Ribeiro defende que os músicos têm uma orientação mental que tem muito mais a ver com a inspiração e a emoção do que com a estratégia. «Não estamos em casa a fazer planos para fazermos tournée e a ver onde vamos ganhar dinheiro. Pode ser válido para outras profissões, ou alguns músicos mas, para os Moonspell, o que manda é o sentido artístico», realça.

Na pesquisa para o disco, a banda descobriu que não havia registos musicais do evento, reforçando a ideia que tinham em fazer este trabalho. «O ano de 1755 foi extremamente importante para aquilo em que Portugal se tornou, não só nessa altura, mas também hoje em dia. Descobrimos imenso sobre Lisboa, sobre Portugal, sobre a Europa», revela Fernando Ribeiro.

As ligações com o presente são inevitáveis, principalmente depois de os Moonspell terem lançado o vídeo do tema “Todos os Santos”. «Aconteceu tanta incúria em Portugal que nos fez perceber que, desde o século XVIII, houve muita coisa que mudou, mas houve outras que se mantiveram, como um certo otimismo português que leva a acreditar que vai ficar tudo bem quando, umas semanas depois, há outro fogo florestal que colhe mais umas vidas», destaca o cantor.

No estrangeiro, a resposta a “1755” tem sido surpreendente e a abertura dos amantes do metal leva-os «a ver o disco como uma experiência, havendo atualmente um movimento onde as bandas trazem consigo a sua língua materna, a sua cultura, levando quem as ouve para um universo distinto, mais nativo», revela Fernando Ribeiro.

A inclusão de traduções das letras permitem aos fãs ficarem conhecer a história e aquilo que foi o terramoto de 1755.

O impacto tem sido maior no Brasil, «que, finalmente, parece ter descoberto os Moonspell» e na América Latina, sendo que houve também uma boa resposta nos países europeus.

O concerto no Cine-Teatro Louletano tem a duração de 75 minutos e é o último do ano em Portugal, antes de os Moonspell levarem “1755” pelo Mundo.

 

“In Tremor Dei” tem como convidado Paulo Bragança, a voz que Fernando Ribeiro tinha na cabeça para o tema, que demonstra como se acreditava em Deus com medo e não com Fé, no séc. XVIII e «como foi para as pessoas aquele dia 1 Novembro, com desespero, vendo as igrejas que lhes caiam em cima e perguntando onde estaria Deus…»

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