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Quem quer provar a «verdadeira batata-doce», vai a Aljezur

O Festival da Batata-Doce já é um evento gastronómico de referência e, por isso, as expetativas para o certame, que se realiza de 24 a 26 de Novembro, no Espaço Multiusos de Aljezur, são as melhores. A produção correu bem e a batata-doce, além de ser «a verdadeira», da variedade lyra, «está boa».

Manuel Marreiros, presidente da Associação de Produtores de Batata-Doce de Aljezur, estabelece uma meta: vender «25 toneladas» durante o certame. «A economia está melhor e o pessoal já recebeu os ordenados», brinca, em conversa com o Sul Informação. 

No certame, vão estar 18 produtores. Todos pertencem àquela associação, mas apenas dois é que têm a agricultura como atividade principal. «Todos os restantes têm outras ocupações. As produções são mais pequenas, mas isso até tem vantagens: a qualidade é melhor», diz.

António Inês, que tem uma produção de meio hectare perto do Rogil, é um deles. «Tenho 1500 quilos destinados para o Festival, mas, no total, apanhei cerca de 6, 7 toneladas de batata-doce lyra. E aqui não há nenhum tipo de químicos», garante, enquanto passeia pelo seu terreno. A apanha fez-se em Outubro e agora tudo o que resta, naquele meio hectare, é apenas algum refugo.

«Há mais de 30 anos» que António Inês produz batata-doce. «Já me dediquei só a isto, mas é complicado. Há muitos custos. Hoje é apenas um hóbi».

Manuel Marreiros

Ainda assim, o agricultor garante que, «neste momento, o consumo da batata-doce quintuplicou. É um produto muito conhecido e que dizem que faz bem à saúde. Na zona do Porto, ninguém conhecia a batata-doce e agora já consumem! Também os estrangeiros já estão a comer batata-doce».

A existência do Festival da Batata-Doce foi um dos fatores que ajudou à promoção deste produto, mas também há o reverso da medalha.

«Eu sempre disse que o Festival era bom para promover a batata. Só que, ao promover a nossa batata-doce, variedade lyra, estamos também a promover todas as outras variedades e há condutas fraudulentas. É frequente encontrar, nos Mercados, bancas a vender aquilo que dizem ser batata-doce de Aljezur, mas não é a verdadeira», diz Manuel Marreiros.

Tal não vai acontecer neste fim de semana de certame. Quem for à vila algarvia durante o Festival, tem a garantia de que vai comer a «verdadeira batata-doce» variedade lyra, como a apelida José Amarelinho, presidente da Câmara de Aljezur. E depois do festival, como é?

«Queremos que a batata-doce seja mais comercializada fora do festival», confessa Manuel Marreiros. Por isso, surgiu a nova iniciativa da associação, que começará depois do certame.

António Inês

«Vamos ter expositores, onde colocaremos batata embalada e certificada à venda, fazendo protocolos e acordos com comerciantes. Assim, vão nascer pontos oficiais de venda de batata-doce, no início apenas em Aljezur e Lagos».

Enquanto este novo projeto não arranca, certo é que Aljezur se vai encher de visitantes este fim de semana. José Amarelinho, presidente da Câmara, prevê que o número de pessoas a irem ao Festival seja entre «20 a 25 mil».

Uma das novidades que o certame vai apresentar este ano é o lançamento da primeira cerveja artesanal de batata-doce, produzida pela marca algarvia “Marafada” e pela “Alen’tejo”. «É uma grande mais valia. Vai ser importante ver como as pessoas vão reagir. Eu próprio estou muito curioso para provar a cerveja», disse José Amarelinho ao Sul Informação.

No fundo, o lançamento deste novo produto, feito daquele que é um dos ex-libris de Aljezur, vem confirmar a opinião de António Inês: «a batata-doce tem muito futuro».

No Festival deste fim de semana, a oferta gastronómica passará por quatro restaurantes, três tasquinhas, mas também por uma reforçada oferta de street food e uma zona de petiscos na tenda exterior que abordará a batata-doce de Aljezur de forma mais «descomprometida e leve», garante a Câmara Municipal.

A tentação do doce mantém uma presença forte. Por isso, haverá muita doçaria, tendo sempre a batata-doce de Aljezur como base: seja um chocolate, uma compota ou, ainda, uma aguardente, um gelado e um licor.

O Festival da Batata-Doce é inaugurado no dia 24 de Novembro, às 18h00, com a presença do algarvio Miguel Freitas, secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural.

Este certame pode ser visitado na sexta-feira e no sábado, das 12h00 às 24h00, e no domingo das 12h00 às 22h00. A entrada e o estacionamento são gratuitos. Para consultar o programa completo clique aqui.

Fotos: Pedro Lemos | Sul Informação

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