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CCV Lagos interroga: “Porque Arde a Nossa Floresta?”

Ana Águas (Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa), Rui André (presidente da Câmara Municipal de Monchique) e Paulo Jorge Reis (vereador da Câmara Municipal de Lagos, comandante do Corpo de Bombeiros Voluntários de Lagos e membro da Associação de Municípios “Terras do Infante”) são os três convidados da palestra “Porque Arde a Nossa Floresta?”, que está marcada para esta sexta-feira, 24 de Novembro, às 20h30, no Centro Ciência Viva de Lagos.

O Centro de Lagos associa-se, desta forma, às instituições científicas no âmbito da Semana da Ciência e da Tecnologia, dinamizando um debate para difundir o conhecimento científico que pode contribuir para a prevenção dos fogos florestais, podendo garantir ao mesmo tempo o reequilíbrio da floresta e a sua sustentabilidade. A participação neste evento é gratuita.

O CCV Lagos convidou a investigadora Ana Águas, que proferirá a palestra “Por Que Arde a Nossa Floresta? O que acontece depois de um incêndio?” que servirá de base para a discussão pública desta problemática.

Contribuirão anda para a discussão desta temática, o presidente da Câmara de Monchique, Rui André, já que este Município revela uma “aposta estratégica na floresta, vista não só enquanto produção primária, mas também como suporte de um turismo de qualidade e ao longo de todo o ano”.

O vereador de Lagos Paulo Jorge Reis participará como autarca, comandante do Corpo de Bombeiros Voluntários de Lagos e representante da Associação de Municípios “Terras do Infante”. Esta associação “tem desenvolvido, desde a sua constituição, uma importante atividade no sector florestal, na vertente da proteção e prevenção de incêndios”, nomeadamente através da criação de um corpo de Sapadores Florestais para os concelhos de Aljezur, Lagos e Vila do Bispo.

Na sua palestra, a investigadora Ana Águas vai recordar que «o fogo é um fator que afeta o funcionamento dos ecossistemas. Nas regiões mediterrânicas, os Verões são quentes e secos e a vegetação é abundante. Estas condições tornam a presença do fogo naturalmente mais frequente nestas regiões do que noutras de clima mais frio e/ou chuvoso. O Homem utiliza o fogo para diversos fins e tem a capacidade de alterar o regime natural do fogo nos ecossistemas. Nas últimas décadas, Portugal é recorrentemente o país do sul da Europa com maior área total ardida por ano».

Além disso, dirá ainda a oradora, «os incêndios rurais são maioritariamente causados por negligência. Estes fogos não afetam de igual modo todos os tipos de vegetação. No entanto, implicam sempre alterações substanciais no funcionamento dos ecossistemas afetados e prejuízos para a economia do país. Os efeitos do fogo não são só perdas e danos imediatos e localizados. A médio e longo prazo, ocorrem outras transformações nas áreas ardidas e noutras em seu redor. Nesta fase, o Homem pode ter um papel importante para minimização de danos».

Ana Águas nasceu e cresceu em Monchique. As raízes familiares estão fortemente ligadas ao campo. O contacto próximo com o mundo rural, o gosto pela natureza e a curiosidade pelos seus mistérios levaram-na a ser bióloga.

É licenciada em Biologia e mestre em Ecologia, pela Universidade de Coimbra. É doutoranda em Engenharia Florestal e dos Recursos Naturais, no Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa. É também docente no Instituto Politécnico de Leiria. Tem desenvolvido investigação em ecologia florestal. Atualmente, estuda a regeneração natural de eucalipto a partir de sementes e a sua relação com o fogo.

A palestra e debate que se lhe seguirá integra-se ​na Semana da Ciência e da Tecnologia, durante a qual o Centro Ciência Viva de Lagos e a Rede Nacional de Centros Ciência Viva serão o ponto de encontro entre as instituições científicas, autarcas e os cidadãos para discutir os contributos da ciência e da tecnologia na valorização da floresta e prevenção dos incêndios florestais.

Também em São Brás de Alportel terá lugar amanhã um debate sobre a “A Guerra do Fogo: A Ciência ao Serviço da Floresta”, organizado pelo Centro Ciência Viva do Algarve (Faro) e pelo Centro Ciência Viva de Tavira.

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