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Câmaras do Algarve encomendam plano para se prepararem para as alterações climáticas

Ciclos de seca mais frequentes, menos água disponível, a subida do nível médio do mar e mais probabilidades de acontecerem fenómenos meteorológicos extremos, como cheias rápidas ou condições ideais para a ocorrência de fogos florestais.

Estes serão alguns dos problemas que se prevê que o Algarve terá de enfrentar, no futuro, e que deverão constar do diagnóstico que será feito no Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas, encomendado pela AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve, que será elaborado por Filipe Duarte Santos,  o principal especialista português na área das alterações climáticas.

Os primeiros passos para a elaboração deste plano, que deverá estar concluído em Outubro de 2018, já começaram a ser dados há semanas, mas foi hoje, dia 27 de Novembro, que foi dado o pontapé de saída oficial ao plano.

A AMAL acolheu uma sessão de esclarecimento, que reuniu «os principais interessados neste projeto, para discutirem as projeções climáticas para o território abrangido pelo plano e os impactos decorrentes dessas projeções para as diferentes vulnerabilidades», segundo a entidade que junta os 16 municípios do Algarve.

A sessão contou com a presença de Filipe Duarte Santos, coordenador do Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas, que será elaborado pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Universidade do Algarve e pela Action Modulers – Consulting Tecnology.

À margem da sessão, este especialista revelou quais os principais objetivos deste plano, que tem «um horizonte temporal até final deste século».

«O que podemos esperar dele é o conhecimento de como vai evoluir o clima no Algarve, quais vão ser os impactos desse clima futuro, especialmente em setores que são vulneráveis às alterações climáticas, como os recursos hídricos, a agricultura, as zonas costeiras e também, em certa medida, o turismo», segundo Filipe Duarte Santos.

Segundo o especialista que coordenará a elaboração do plano, «este é um instrumento que nos permitirá adaptar e minimizar os efeitos adversos das alterações climáticas, mas também aproveitar algumas oportunidades que elas trazem a esta região».

Já a AMAL, salientou que esta iniciativa «vai obrigar a um investimento superior a 470 mil euros e surge após a candidatura ao Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso dos Recursos (PO SEUR), num projeto que conta também com o apoio financeiro dos municípios algarvios».

Jorge Botelho, presidente desta entidade, explicou aos jornalistas que a decisão de elaborar este estudo foi tomada «há meses, ainda antes de se falar da seca extrema».

Tudo para que, em Outubro do próximo ano, a AMAL tenha «um diagnóstico da realidade atual e da projetada a vários anos, para que possamos, a partir de um documento científico, com diferentes cenários, fazer investimento e colocar ao Governo um conjunto de necessidades para que nos adaptemos».

«O documento final dar-nos-á um conjunto de pistas e de orientações para medidas concretas. Acredito que o relatório final aponte cenários de investimento para o que teremos de fazer para ter água, combater as alterações climáticas e contra a progressiva desertificação do território», acrescentou Jorge Botelho.

A sessão de hoje teve como objetivo dar conta dos objetivos dos planos aos técnicos de diferentes entidades, nomeadamente das Câmaras, mas também de outras entidades estatais, que se espera que possam ajudar os responsáveis pela elaboração do plano a fazer o diagnóstico da região.

Mais tarde, haverá sessões abertas à sociedade civil, com o mesmo objetivo.

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