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Algarve teve mais incêndios em 2017, mas área ardida diminuiu (e muito)

Incêndio no Ludo foi o que consumiu mais hectares

Entre 1 de Janeiro e 31 Outubro, houve 365 incêndios no Algarve, mais do que no mesmo período do ano passado, mas a área ardida passou de 5801 hectares para 290. Estes números fazem da região aquela que teve menor área ardida no país e, para Vítor Vaz Pinto, comandante distrital de operações de socorro, estes são «resultados excelentes» tendo em conta um «ano atípico que obrigou a esforços suplementares».

O balanço do Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios Florestais (DECIF) de 2017 foi feito esta sexta-feira, na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), em Faro, numa cerimónia que contou com a presença de Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, e que reuniu também os comandantes das várias corporações de bombeiros do Algarve e os presidentes de Câmara da região.

Vítor Vaz Pinto

De acordo com os dados apresentados no encontro por Vítor Vaz Pinto, dos 365 incêndios, «apenas nove não foram dominados no ataque inicial, ou seja, nos primeiros 90 minutos do incêndio».

Já no que diz respeito à área ardida, 40,53 hectares resultaram do incêndio da Conceição/Tavira e o incêndio que deflagrou no Ludo, no concelho de Loulé, consumiu 100,14 hectares.

Loulé (93), Silves (82) e Faro (65) foram os municípios com mais ignições, enquanto Loulé, Tavira e Portimão foram os concelhos com maior área ardida de acordo com a Proteção Civil.

A diminuição da área ardida assume maior relevo num ano em que, «em termos de severidade meteorológica, no Algarve, os valores foram semelhantes aos registados em 2012», quando arderam mais de 25 mil hectares na região.

Eduardo Cabrita

Perante os bons resultados, o ministro Eduardo Cabrita disse aos jornalistas ter ficado «bastante agradado com a capacidade de coordenação e articulação de esforços entre estruturas regionais de Proteção Civil, corporações e autarcas» e considerou que o «Algarve é um exemplo na capacidade de articulação que queremos desenvolver no quadro nacional».

Ainda assim, para o ministro, «o Algarve não pode esquecer que é uma zona em que temos de apostar na prevenção até porque, desde 2012, nao há incêndios de grandes dimensões. Temos de apostar na prevenção e na melhor resposta à coordenação de meios».

E o governante garantiu que a região verá a prevenção reforçada com«um papel acrescido da GNR, uma intervenção em articulação com corpos de bombeiros e estabelecendo também uma aumentada dotação de meios aéreos. Uma resposta imediata, até aos 90 minutos, é decisiva. É essencial existir uma cultura regional. Não há incêndios do município A ou B. A resposta ao risco é da responsabilidade de toda a região».

Os municípios algarvios receberam do ministro outra boa notícia no que diz respeito à prevenção de incêndios. O Governo vai criar uma linha de financiamento de 50 milhões de euros para que as autarquias possam fazer limpeza de terrenos de privados, que não o façam por sua iniciativa.

Para Eduardo Cabrita esta é «a melhor forma de necessitarmos menos de combater incêndios no verão». Os municípios «podem avançar, se necessário, com trabalhos nas zonas de risco e depois serão ressarcidas pelos meios utilizados. Depois do que aconteceu este ano em Portugal, ninguém nos perdoará que não façamos tudo para que Portugal e o Algarve estejam limpos».

Jorge Botelho, presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), também reforçou a importância da prevenção até porque «com tão pouca área que ardeu, seguramente algo pode acontecer no futuro. O que não ardeu este ano, se não for cortado ou limpo, ficará para o ano que vem. Por isso, a nossa missão é trabalhar para que o que não ardeu este ano, não esteja lá para o ano, principalmente nas zonas de risco. Ninguém está à espera de que o Algarve seja limpo de uma ponta à outra, mas nas zonas de risco é nossa missão e obrigação trabalhar», garantiu o autarca.

O ano não foi dramático em termos de incêndios no Algarve, mas Jorge Botelho alertou o Governo que «ainda há muito por fazer. Não há uma casa para reconstruir, mas há uma casa para reorganizar».

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