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Semana do Brasil traz ao Algarve «maratona cultural» que começa em Sagres e acaba em Faro

Sagres foi o local onde «muitas coisas importantes começaram, inclusivamente os Descobrimentos», lembra Cláudio Guimarães dos Santos, vice-cônsul do Consulado Geral do Brasil em Faro. E esta é um ótima razão para que aqui tenha início a 2ª Semana do Brasil, uma «maratona cultural» que vai decorrer entre os dias 8 e 15 de Outubro,  nesta localidade do concelho de Vila do Bispo e em Faro.

O Consulado-Geral do Brasil no Algarve volta a apostar num evento cultural com um forte enfoque na literatura, mas onde também a música e o cinema têm lugar. O objetivo principal é divulgar a cultura brasileira, ao mesmo tempo que se criam pontes entre o Brasil e Portugal.

E é com um momento de partilha, que juntará poetas de três nacionalidades, que tudo começará. No dia 8 de Outubro, domingo, a Fortaleza de Sagres acolhe o recital poético-musical “Odisseias”, onde os poetas algarvios Fernando Cabrita e Luís Ene, o seu congénere francês radicado no Algarve François Luis-Blanc e o próprio Cláudio Guimarães dos Santos, também ele um autor publicado, abordarão alguns temas clássicos do cancioneiro brasileiro.

A garantir a componente musical da sessão, que se realiza no âmbito do programa DiVaM 2017 – Dinamização e Valorização dos Monumentos da Direção Regional de Cultura do Algarve, estará a Academia de Música de Lagos.

Cláudio Guimarães dos Santos salienta a «formação muito interessante» que vai atuar, composta por Vasco Ramalho (marimbas), de Daniela Pinheiro (oboé) e de Joana Godinho (canto).

«Vamos alternar a leitura de poemas com apresentação de números musicais, na sua maioria canções importantes do repertório da música popular brasileira», descreveu.

Este é o pontapé de saída para a Semana do Brasil, mas a inauguração oficial só acontecerá na terça-feira, dia 10 de Outubro, às 17h00. A Biblioteca Municipal Ramos Rosa, em Faro, irá acolher a abertura solene do evento, durante a qual será inaugurada a exposição «Quatro Leituras do Brasil: Machado de Assis, Vinicius de Moraes, Manuel Bandeira e Mário Quintana».

«No ano passado focámos a obra de três autores, este ano serão quatro. Escolhemos sempre expoentes da literatura brasileira, autores já falecidos. A ideia é estabelecer um diálogo com a cultura portuguesa», revelou Cláudio Guimarães dos Santos, numa entrevista ao Sul Informação e à Rádio Universitária do Algarve.

Esta cerimónia contará com apontamentos musicais, que serão garantidos por um duo de piano e por um grupo de trompete, ao abrigo de uma parceria «muito auspiciosa» entre o Conservatório Regional Maria Campina e o Consulado-Geral do Brasil em Faro.

«O foco desta Semana do Brasil, como já havia acontecido na primeira, é a literatura brasileira. Mas em 2017 há um incremento do programa musical. No ano passado já havíamos tido a excelente colaboração com o Coral Ossónoba e este ano encetámos uma parceria com o Conservatório Maria Campina», explicou o vice-cônsul.

Na quarta-feira, é revelada outra dimensão nova, introduzida nesta edição do evento: a ligação a Espanha. A Biblioteca Municipal de Faro volta a ser o palco escolhido, desta vez para a mesa-redonda «Poesia brasileira – um olhar estrangeiro».

Nesta sessão, Portugal estará representado pelos poetas Fernando Cabrita e Fernando Pessanha e por Maria Luísa Francisco, a Espanha pelos autores Carmen Vargas e Joaquín González e a França por François Luis-Blanc.

No mesmo dia e no mesmo local, mas às 17h45, decorre a iniciativa do Elos Clube de Faro “Quando a Poesia Acontece”, onde a obra de Vinicius de Moraes estará em destaque.

Também o documentário “Vinicius”, que pode ser visto a partir das 21h30 nas instalações do Instituto Português do Desporto e Juventude, em Faro, irá focar a vida e legado deste autor brasileiro.

Na quinta-feira, há nova mesa-redonda, desta feita sobre o tema «Machado e Eça: confluências e reflexos», uma sessão que contará com a presença de Abel Barros Baptista, da Universidade Nova de Lisboa, do antigo embaixador brasileiro Lauro Moreira, de Isabel Rocheta, da Universidade de Lisboa, e de Renata Malcher de Araújo, da Universidade do Algarve.

À noite, há novamente cinema no IPDJ, com a exibição do filme «O Primo Basílio», que dará o mote para o debate com o público que se seguirá.

Sexta-feira, dia 13 de Outubro, será um dia repleto de atividades, que logo às 11h00, no Campus das Gambelas da Universidade do Algarve. A sala de seminários da Reitoria vai acolher a conferência “O Romanceiro em Portugal e no Brasil», proferida pelo professor e investigador da UAlg Pedro Ferré.

A partir das 14h00, a Biblioteca de Faro acolhe nova mesa redonda, desta feita sobre “Mito, Psicologia e Literatura: cruzamentos”, com Adriana Nogueira (UAlg), José Joaquim Marques (UAlg) e Rui Monteiro.

Segue-se, às 18h30, novo recital poético-musical, a ter lugar no Grande Auditório do Campus de Gambelas da UAlg, que contará com atuações do In Tento Trio, «uma formação de jazz fusion, cujo pianista é Fernando Pessanha».

Na mesa, estarão oito poetas, de quatro nacionalidades: Carmen Vargas, Cláudio Guimarães dos Santos, Fernando Cabrita, François Luis-Blanc, Joaquín Gonzalez, José Sarria, Luís Ene e Maria Luísa Francisco.

No dia 14, um sábado, a tarde será dedicada às crianças, que são convidadas a participar na “Hora do Conto” que será promovida às 16h00, na Biblioteca António Ramos Rosa.

Os mais novos terão a oportunidade de ficar a conhecer a obra “Pé de Pilão”, um «conto poético de Mário Quintana», numa sessão que contará com a presença de Amanda Bittencourt, «que sorteará dois exemplares do seu mais recente livro entre os participantes».

No sábado à noite, o cinema volta ao IPDJ. Desta vez será exibido “Orfeu”, «a refilmagem de um clássico, um filme francês que ganhou a Palma de Ouro e um Óscar, a partir de uma obra de Vinicius de Moraes».

A Semana do Brasil encerra no domingo com o concerto “Canções de Cá e de Lá”, no Auditório Pedro Ruivo, protagonizado pela Orquestra do Conservatório Regional do Algarve, cujo programa contará com «obras de autores brasileiros e portugueses».

«Aqui, quisemos fazer um entrelaçamento de culturas, que seja apelativo tantos para os brasileiros que vivem na região, como para os portugueses», resmuiu Cláudio Guimarães dos Santos.

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