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Desertificação de Alcoutim vai ser combatida com turismo (e não só) nos próximos quatro anos

Osvaldo Gonçalves foi reempossado como presidente da Câmara de Alcoutim na segunda-feira e promete fazer do combate à desertificação a sua principal bandeira. A criação de um parque de campismo e autocaravanismo na sede de concelho e de um loteamento a “piscar o olho” a jovens casais, em Martim Longo, são duas das medidas que o novo executivo municipal quer implantar nos próximos quatro anos.

A instalação e tomada de posse dos novos órgãos autárquicos de Alcoutim, eleitos nas Autárquicas 2017, decorreu no dia 16 de Outubro. Aqui, além de Osvaldo Gonçalves, tomaram posse os vereadores socialistas Paulo Paulino (Vice-presidente), José Galrito e Luís Conceição. Já Jorge Inácio, eleito pela coligação “Renovar Alcoutim” (PSD/CDS-PP/MPT/PPM), não compareceu à sessão.

Também empossados foram os quinze membros da Assembleia Municipal (10 do PS, cinco da coligação), que elegeram José Moreira como presidente da mesa.

O Sul Informação falou com Osvaldo Gonçalves, que apontou o combate à desertificação como o grande desígnio do seu executivo, num concelho onde o envelhecimento da população abre a porta «a que haja equipamentos e serviços a fechar, por não serem usados».

As escolas são um bom exemplo de equipamentos para os quais escasseiam “fregueses”. E, avisou o presidente da Câmara de Alcoutim, é «muito difícil reativá-los depois de fecharem».

Assim, a estratégia é evitar que isso aconteça. E isso passa «por dois ou três projetos estruturantes», em diferentes áreas, já em curso.

Uma das grandes apostas de Osvaldo Gonçalves no seu primeiro mandato foi criar condições para que o setor turístico tivesse um maior dinamismo, no concelho. O edil alcoutenejo vê no turismo «uma âncora» com que o concelho pode contar para gerar emprego e fixar população, pleo que continuará  a apostar nesta área.

«Temos um grande projeto de criação de um parque de campismo e caravanismo aqui em Alcoutim. Este processo já começou há dois ou três meses, apesar do sonho ser mais antigo. A primeira coisa que fizemos foi avançar com um Plano de Intervenção em Espaços Rurais para tentar ultrapassar o conjunto enormíssimo de constrangimentos de ordenamento do território que há no local previsto para o projeto», revelou o presidente da Câmara de Alcoutim.

O projeto será implantado na zona do Pego Fundo, junto à praia fluvial ali existente, e também contempla uma ampliação desta zona balnear.

O equipamento irá sempre para a frente, nem que a Câmara avance sozinha, mas a ideia é fazer uma parceria com o setor privado. «Poderá ser gerido por nós, mas o que queremos mesmo é concessioná-lo. Dessa forma atraímos investimento privado e o equipamento não fica dependente de nós», ilustrou.

Em Martim Longo, já se está quase a concluir um processo de um loteamento, onde serão disponibilizados 26 espaços para construção de moradias. «Posso dizer que, no dia em que aquilo abrir, tenho já oito ou dez casais jovens que estão interessados em construir ali casa», disse.

Esta não é uma operação de habitação a custos controlados, embora essa componente esteja presente no processo de alienação dos lotes. «Estamos já a preparar o regulamento, de forma a torná-lo atrativo para os casais jovens», revelou.

Também em Alcoutim haverá uma aposta na habitação, embora, neste caso, seja «destinada a arrendamento».

Também previstas estão «um conjunto de obras na área do abastecimento de água». Para isso, serão construídos «22 quilómetros de condutas», para levar este bem essencial a «uma série de montes» do concelho. «Foi isto que conseguimos encaixar no Plano Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos. Queríamos mais, mas o dinheiro não chega para tudo», disse.

Osvaldo Gonçalves deixou, ainda, um recado ao Governo, que gostaria de ver a investir mais nos concelhos do interior, instalando lá serviços do Estado que não precisem de estar nos grandes centros urbanos.

 

Fotos: António Eusébio e Câmara de Alcoutim

 

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