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Cocaína no valor de 20 milhões de euros apreendida em veleiro proveniente das Caraíbas (com fotos)

Quatrocentos quilos de cocaína de «elevada pureza», no valor de 20 milhões de euros, foram apreendidos na madrugada de sábado, a bordo de um veleiro proveniente das Caraíbas. Os dois tripulantes, um italiano e um montenegrino, foram detidos na operação e o barco, bem como a carga, foram trazidos para o cais da marinha, no Porto de Portimão.

A operação, coordenada pela Polícia Judiciária, contou com a participação da Força Aérea e da Marinha Portuguesa, que enviou duas corvetas e o Destacamento de Operações Especiais dos Fuzileiros, para intercetar o veleiro, algures na Zona Económica Exclusiva portuguesa.

Rosa Mota, coordenadora de investigação da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE), responsável pela operação, adiantou aos jornalistas, que esta mega apreensão de cocaína resultou «de informação tratada no âmbito da cooperação internacional», tendo ainda envolvido «autoridades do Reino Unido e de Itália».

A droga tinha como destino «um porto na costa portuguesa» continental, que a Polícia Judiciária sabe qual é, mas não divulga para não comprometer a investigação ainda em curso. Daí seria distribuído pelo resto da Europa, «por via terrestre».

A embarcação, um discreto veleiro de dois mastros, está ligada a uma «rede europeia» de tráfico de droga, «com ligações à América Latina e provavelmente às Caraíbas» e com «elementos em Portugal», acrescentou aquela responsável da PJ.

A rede, pelo menos em Portugal, não era conhecida, mas «um dos detidos já tinha antecedentes por tráfico de estupefacientes».

O veleiro, que as autoridades a nível internacional sabiam ter saído das Caraíbas carregado de droga, acabou por ser localizado «600 milhas a Sul dos Açores». «Tínhamos indicações objetivas de que aquele veleiro transportava uma quantidade grande de cocaína, por isso tínhamos que o encontrar», acrescentou Rosa Mota.

E a deteção da embarcação acabou por ser feita pela Força Aérea, nesta operação conjunta. O tenente-coronel Bernardo da Costa, porta voz da Força Aérea, também presente na conferência de imprensa no ponto de apoio naval da Marinha, em Portimão, explicou que a FA tem «meios aéreos com capacidade de fazer o seguimento a grande altura e a grande distância», ou seja, «sem serem vistos, nem detetados».

O seguimento do veleiro foi feito «ao longo de uma semana», acabando por decidir-se a abordagem da embarcação quando esta já navegava na ZEE de Portugal, na noite de 29 para 30 de Setembro.

A Marinha, segundo revelou o seu porta voz, comandante Pedro Coelho Dias, participou nesta parte da operação com duas corvetas e o Destacamento de Operações Especiais dos Fuzileiros, que fizeram a abordagem do veleiro.

No seu interior, encontraram os dois tripulantes, que, segundo a inspetora Rosa Mota, «não estavam armados, nem ofereceram resistência».

A droga, acrescentou, «estava escondida dentro dos camarotes, por baixo das camas e dentro dos roupeiros».

Os quatrocentos quilos de cocaína apreendidos, naquela que é a maior apreensão do ano no seu género, estavam acondicionados em pacotes de cerca de um quilo, embrulhados em diversas camadas e tipos de plástico e identificados com logotipos dos produtores.

Trata-se, segundo Rosa Mota, de cocaína com «grau de pureza extremamente elevado». «Quando o estupefaciente vem diretamente dos países produtores, como é o caso, o grau de pureza é sempre extremamente elevado, superior a 90%, às vezes quase 100%».

A coordenadora de investigação da UNCTE acrescentou ainda que «este tipo de operações seria impossível de fazer sem a participação quer da Marinha, quer da Força Aérea. Eles são muito bons no que fazem».

Por seu lado, o tenente-coronel Bernardo da Costa sublinhou que «o Estado português tem meios, mas também pessoal treinado para operar estes meios», neste caso em missões não militares, mas igualmente de grande importância.

 

Fotos: Elisabete Rodrigues|Sul Informação

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