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Cinema e cidadania voltam a unir Portugal e Espanha em mais uma mostra FRONTEiRAS

Abraham López

É uma mostra de cinema, com filmes de vários pontos do mundo, que nos confrontam com  diferentes realidades. Mas a Mostra Internacional de Cinema FRONTEiRAS, que decorre de 23 a 28 de Outubro em Vila Real de Santo António (VRSA) e Ayamonte é, acima de tudo, um apelo à cidadania através da sétima arte, um evento que ambiciona “inquietar” o público e deixá-lo a pensar.

«A nossa mostra é, essencialmente, um projeto de cidadania ativa. A nossa ideia é formar públicos e poder oferecer outros conteúdos que, normalmente, não nos chegam através das cadeias comerciais e da televisão. O próprio nome do evento, FRONTEiRAS, surge da necessidade de as esbater e de lutar por um mundo mais justo e humano. Daí que as temáticas dos nossos filmes sejam, principalmente, sociais e humanistas», disse ao Sul Informação Abraham López Feria, presidente da Associação Cultural Fronteiras,  entidade criada por algarvios e andaluzes que organiza a mostra.

Este sábado, a FRONTEiRAS será apresentada numa sessão que decorrerá no Ginásio Clube de Faro, na Baixa da capital algarvia, às 21h30. Quem passar na sede desta associação farense, poderá ver alguns dos filmes que serão exibidos a partir de segunda-feira, no âmbito da mostra, e ficar a conhecer melhor o espírito do evento.

No dia 13, a associação Fronteiras já tinha estado em Faro, para uma outra apresentação, dirigida ao público escolar. Até porque os jovens e as escolas são um dos elementos centrais do projeto.

Os mais novos têm lugar reservado nas sessões contínuas de cinema que vão acontecer de 24 a 28 de Outubro, «a  partir das 8h30 até noite dentro», no antigo Cine Mariani, em Monte Gordo.

«Durante a manhã, a programação é feita especialmente para o público escolar, do jardim-de-infância ao Secundário. Para nós é muito importante formar um público jovem, que seja crítico, consciente e tenha um olhar diferente sobre o mundo», revelou. Mas há também uma programação pensada para o público em geral.

«Temos obras de ficção e animação, curtas e longas, algumas delas mais experimentais, e muitos documentários de Portugal e Espanha. A nossa ideia é mostrar o que se está a fazer do outro lado. Nós, em Portugal e Espanha, consumimos muito o produto estrangeiro, mas não sabemos o que se está a fazer ali do outro lado da fronteira», ilustrou presidente da associação que organiza a mostra.

«O que nós pretendemos é divulgar conteúdos diferentes e de nacionalidades distintas. O nosso sonho é lutar por um mundo sem fronteiras», resumiu.

Mas nem só de cinema se fará esta mostra. Exposições ligadas à sétima arte, uma conferência, workshops e um concerto de Marinah (ex-Ojos de Brujo) e Chicuelo no Teatro Cardénio (Ayamonte), que encerrará o evento, são outras das propostas dos organizadores do evento.

A partir de segunda-feira e até sábado poder-se-á desfrutar da exposição do espólio de Evaristo Mariani, no cinema que geriu e a que deu nome, em Monte Gordo.

No mesmo dia, será lançada no Arquivo Histórico Municipal de VRSA a exposição “Vasco Granja e o Cinema de Animação”, que homenageia o homem que proporcionou o primeiro contacto com os filmes de animação a muitas gerações de portugueses.

As mostras “Filmando a Luz” , pela Algarve Film Comission (a partir de dia 23 na Sala das Tinajas, Casa Grande, Ayamonte) e “Perspectivas” (a partir de dia 24 na Biblioteca Municipal António Vicente Campinas, em VRSA) completam o programa de exposições.

No dia 26, será promovida a conferência “Como Agenciar um filme: o Modelo de Bresson”, de Miguel Dinis de Oliveira

No que toca a workshops, depois de ter promovido este tipo de ações junto das escolas de VRSA, ao longo de semana e meia, os organizadores do FRONTEiRAS promoverão uma oficina de trabalho de de Bullet Time nas ruas de Ayamonte, na manhã de 28 de Outubro.

O último dia da FRONTEiRAS será, de resto, passado em terras espanholas. Às 21h00 (hora espanhola) começa a gala final da mostra, no Teatro Cardénio de Ayamonte, onde o público poderá assistir a um concerto «espetacular» que junta Marinah, a ex-vocalista da conhecida banda catalã Ojos de Brujo, ao guitarrista de flamenco Chicuelo, «uma proposta musical muito forte, com uma mensagem de luz, esperança e mudança».

Nesta segunda edição, a organização optou por terminar o evento em Espanha, tendo em conta que no ano passado o grande final aconteceu em Portugal. «No ano passado tínhamos um programador de Portugal e o evento final foi cá. Este ano, o programador é espanhol, um artista sevilhano, e a ação está mais centrada em Ayamonte», explicou Abraham López.

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