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António Pina tem 1 milhão de euros para pôr jovens olhanenses na Barreta e no Levante

A Câmara de Olhão vai criar um fundo imobiliário de um milhão de euros para comprar casas nos bairros típicos do Levante e da Barreta, no centro histórico da cidade, recuperá-las e arrendá-las (ou vendê-las) a jovens casais olhanenses. A ideia é manter «a alma» destes bairros, cada vez mais procurados por investidores estrangeiros.

«O turismo tem coisas muito boas, gera emprego e até com melhores remunerações. Mas tem também o seu reverso. Desde logo na zona histórica, muito procurada por estrangeiros para compra e recuperação de casas. Eles são bem-vindos, mas temos de ter algum cuidado, a médio prazo, para que estas zonas não se descaracterizem do ponto de vista da população residente e autóctone», disse ao Sul Informação o presidente da Câmara de Olhão António Pina, à margem da sessão em que tomou posse para o seu segundo mandato enquanto edil olhanense.

Para evitar que a baixa da cidade deixe de ter olhanenses, a Câmara «vai usar esse milhão de euros para comprar algumas casas que ainda estão abandonadas, recuperá-las e, depois, alugá-las ou vendê-las a jovens casais de Olhão».

Poderão candidatar-se a viver nestas casas «jovens casais olhanenses, que residam no concelho há mais de dez anos».

Esta é apenas uma das medidas que António Pina e a sua equipa têm pensadas para o mandato que agora começou, na área da habitação. Os jovens olhanenses também poderão contar «com habitação a custos controlados», que lhes permita continuar a viver no concelho. Dos planos da autarquia, faz ainda parte a requalificação dos bairros de habitação social.

O fundo imobiliário que a Câmara pretende criar para manter a Barreta e o Levante olhanenses foi um dos temas abordados por António Pina no seu discurso, que encerrou a sessão solene de tomada de posse dos eleitos para órgãos autárquicos nas eleições de 1 de Outubro.

Desta vez, o autarca olhanense conta com uma confortável maioria, já que conseguiu cinco vereadores em sete. Além do presidente da Câmara, o PS conta com os vereadores Carlos Martins, Gracinda Rendeiro, António Camacho e Elsa Parreira.

A coligação PSD/CDS-PP/MPT/PPM apenas elegeu dois vereadores: Luciano Jesus, que se desvinculou do PS meses antes das eleições e encabeçou a lista daquela coligação à Câmara de Olhão, e Daniel Santana, até ontem presidente da Assembleia Municipal deste concelho.

Só por esta razão, era já certo que o presidente deste órgão iria mudar, mas o facto dos socialistas também terem conseguido uma clara vantagem nas urnas nas eleições para a Assembleia Municipal ditou que o novo presidente da mesa seja António Cabrita, independente que estava no topo da lista do PS.

A eleição, ao contrário do que aconteceu há quatro anos – o PS era o partido com mais elementos, mas não tinha a maioria e viu o PSD eleger o seu candidato a presidente da AM -, decorreu sem sobressaltos, com a lista apresentada pelos socialistas (única) a ser aprovada.

Instituídos os órgãos, começa um novo mandato, que, para António Pina, o obrigará a ser mais responsável. «Maioria absoluta significa para nós responsabilidade absoluta», assegurou.

Mas há também «uma maior facilidade em trabalhar, em termos políticos», o que leva a que o novo executivo tenha muitos planos, até porque «a Câmara está agora mais desafogada, financeiramente».

Uma das áreas em que haverá uma aposta será a do Saneamento Básico. «Estão já a concurso obras no valor de seis milhões de euros. Três milhões estão destinados à zona Nascente do concelho – Bias Norte, Bias Sul e Cavacos. Também iremos intervir na zona entre rotundas ao pé do McDonald’s. O outro concurso que já está lançado é para a tão esperada obra de saneamento da Ilha da Armona, onde existem 940 habitações», resumiu.

Neste campo, há outro problema que se arrasta há muito, o das descargas ilegais para a rede de águas pluviais, que terminam na Ria Formosa, «um desafio que temos de tentar solucionar até ao final deste mandato».

«Já reduzimos em cerca de 20 por cento as descargas ilegais para a rede de águas pluviais. Mas este é um trabalho minucioso e oneroso, pois estamos a falar de uma rede que foi feita ao longo dos anos. É uma rede antiga e unitária. Mas é um investimento que temos de fazer, pois a nossa frente ribeirinha, para mais com os investimentos que vão ser feitos, não se coaduna com as descargas ilegais», explicou.

Outra bandeira de António Pina para este mandato é a requalificação urbana, que passa pela «renovação do espaço público, com uma intervenção profunda nas bermas e passeios», mas também por obras de maior monta, como a requalificação da Avenida 5 de Outubro, junto aos Mercados Municipais, uma obra inserida no programa Polis, e a criação de um parque com praias urbanas, na zona poente da cidade.

«Esse é um projeto que está dependente da articulação com o Ministério do Ambiente, em relação à parte das praias em si e da intervenção na área de jurisdição do Parque Natural da Ria Formosa. E depende da concretização do modelo financeiro desta intervenção, que passa pela venda do lote onde hoje estão os Estaleiros Municipais, para construção de uma unidade hoteleira», disse.

Outra condição, que António Pina assume «já como concretizada», é a desativação da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) Poente de Olhão, que deixará de estar em funcionamento a partir do momento em que entrar ao serviço a nova ETAR Faro/Olhão, cuja construção «já vai a mais de meio».

«Depois, faremos uma intervenção de recuperação ambiental nas antigas lagoas de retenção e em toda aquela zona, para fruição pública e observação de aves», assegurou António Pina.

 

Fotos: Hugo Rodrigues|Sul Informação

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