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Algarve aposta forte no próspero nicho do turismo culinário e enológico

Há mais de um milhão de pessoas em todo o mundo que viajam para outros países com o objetivo de aprender a cozinhar os seus pratos típicos e ter experiências culinárias e enológicas. Com o projeto Algarve Cooking Vacations, apresentado esta terça-feira, em Faro, a Região de Turismo, a Associação Turismo do Algarve e a Tertúlia Algarvia querem que alguns deles passem a vir, também, para terras algarvias.

O conceito já existe há muito, sendo este um produto turístico bem consolidado em países como a França e Itália: os turistas compram pacotes de viagem que assentam em experiências de aprendizagem culinária, provas de vinhos e contacto com os produtores, mas que «incluem tudo», desde alojamento e transfers, a atividades complementares, ligadas ao património, à cultura e ao lazer.

Por norma, estes pacotes, que variam entre os 3 a 15 dias, são vendidos a preços bem acima de umas férias “normais”. No caso do Algarve, a ideia é apostar «em programas com 3 a 5 dias de duração», embora não esteja posta de lado a possibilidade de oferecer produtos com uma duração mais longa.

Antes de tudo, é preciso «aprender a jogar este jogo», como ilustrou ao Sul Informação João Amaro, da Tertúlia Algarvia, espaço de restauração e divulgação gastronómica situado na Vila-Adentro de Faro. E é aqui que entra o Algarve Cooking Vacations, um projeto a dois anos cofinanciado pela União Europeia, ao abrigo do Programa Operacional CRESC Algarve 2020, que prevê a realização de um estudo sobre este nicho de mercado, a realização de workshops de capacitação com especialistas internacionais, a criação de programas/rotas, a publicação de um livro de receitas e a promoção interna e externa deste novo produto.

O primeiro passo, segundo João Amaro, será a elaboração de um estudo, em que se tentará perceber o que já existe na região e aquilo que ainda é preciso fazer, para que se consiga vender o Algarve como um destino de turismo culinário. Também numa fase inicial, serão promovidos dois workshops temáticos, um sobre turismo culinário e outro sobre turismo enológico, para os quais serão convidados especialistas nacionais e internacionais nestas atividades.

Os parceiros deste projeto contam ter os primeiros programas e rotas “na rua” «no Outono do ano que vem», segundo João Amaro. E, embora não haja, para já, uma ideia concreta de qual será o seu conteúdo e o seu preço, é seguro dizer que, em algum ponto da experiência, os turistas terão contacto com a típica cataplana.

Esta é, de resto, a reedição de uma parceria entre a Tertúlia Algarvia, a RTA e a ATA, que já se haviam unido para dinamizar o projeto Cataplana Algarvia, que, na visão do responsável pelo espaço de restauração farense, «teve resultados muito bons».

Até certo ponto, o Cooking Vacations pode ser visto como uma continuidade do Cataplana Algarvia, embora a premissa deste novo projeto seja muito mais ambiciosa. «A Cataplana Algarvia acabou por ser a inspiração. Essa experiência serviu para ganhar confiança para este novo projeto», ilustrou João Amaro.

A grande diferença é que, enquanto o projeto que se centrou na arte de cozinhar na cataplana (que se revelou muito mediático) e as ofertas criadas no seu seguimento se destinam «a turistas que já estão na região», no caso do Cooking Vacations trata-se de os fazer sair de casa propositadamente para vir ao Algarve passar férias a cozinhar.

Consegui-lo poderá não ser uma tarefa muito fácil, uma vez que há forte concorrência e países que já dão cartas nesta matéria, como a França e a Itália. Daí que este seja um projeto com um investimento considerável, de 500 mil euros, comparticipados a 60 por cento por fundos da União Europeia. «Como se vê, há aqui um forte esforço financeiro dos parceiros», salientou João Amaro.

«Esta parceria insere-se na nossa estratégia de promoção de região, principalmente na época baixa. É uma atividade que tem sucesso em vários países: as pessoas compram viagens para conhecer os produtos, as receitas e os vinhos de uma região. Ou seja, vão aos locais especificamente para experienciar o que aí se faz de bom», explicou o presidente da Região de Turismo do Algarve Desidério Silva.

No caso destes turistas, a motivação principal para sair de casa e viajar para outro país ou região é a culinária e a enologia. Isso não significa que os dias sejam dedicados, em exclusivo, a estas atividades. «As pessoas podem depois usufruir de outras ofertas, quer sejam ligadas ao património, à cultura, ao golfe ou outras atividades que queiram fazer. Mas o grande objetivo é ficar a conhecer os produtos, os saberes e provar os sabores», acrescentou Desidério Silva.

Apesar de não ser um nicho de turismo de massas, esta é vista como uma oportunidade para o Algarve captar novos turistas e fidelizá-los, ao mesmo tempo que se combate a sazonalidade. Segundo João Amaro, «estas são atividades que acontecerão, principalmente, no Outono e Primavera». Também há a expetativa de vender programas que decorram no Inverno, mas não muito alta.

Um universo de um milhão de turistas até pode parecer pouco, tendo em conta o número global de pessoas que viajam em lazer, mas onde o Algarve quer entrar. «É um nicho muito interessante. Temos aqui bem próximo mercados emissores que têm já uma forte aptência, como o francês, o holandês e o espanhol. E há também os Estados Unidos da América, o Canadá e o Brasil. A partir do momento em que possamos conseguir mil, dois mil ou três mil destes turistas, estamos a somar àquilo que a região já produz», ilustrou Desidério Silva.

Até porque quem viaja com esta motivação tem, por norma, «um elevado poder de compra».

O projeto Cooking Vacations terá uma forte componente de promoção e divulgação, em grande medida a cargo da RTA e da ATA, que vão mostrar este novo produto nas principais feiras de turismo nacionais e internacionais. A Tertúlia Algarvia terá um papel mais técnico, orientado numa primeira fase para o conhecimento e, mais tarde, para a criação dos programas e rotas, bem como de conteúdos.

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