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Polis já pôs areia na Praia dos Cavacos, mas grosso da intervenção só continua após o Verão

Para já, foram colocados cerca de 2500 metros cúbicos (m3) de areia na Praia dos Cavacos, em Olhão. A partir de meados de Setembro serão postos os restantes 5 mil m3 de areia nesta zona balnear situada na Ria Formosa, do lado continental, consumando o nascimento de uma nova praia no Algarve.

A meio de Julho, as máquinas chegaram à Praia dos Cavacos, para dar início a uma intervenção que se prevê que demore dois meses a estar concluída. Mas as retroescavadoras da Polis Ria Formosa acabaram por só ficar cerca de uma semana, depois de espalharem areia no que até então era uma zona de sapal.

Saíram as máquinas, vieram os turistas, que têm aproveitado para usar a praia, que em 2015 já havia sido alvo de uma intervenção com a assinatura da Polis, focada no estacionamento e no acesso à zona balnear em si. Por estes dias, veem-se muitos banhistas a “assentar praça” nos Cavacos, atraídos pelo tapete de areia, mais convidativo que o sapal.

A opção de começar a obra de enchimento da praia quando já se tinha entrado no Verão e numa altura que, com ou sem areia, esta praia é utilizada por muitos, é justifica pelo presidente da Câmara de Olhão António Pina com o surgimento de «uma oportunidade». «Tiveram de ser feitas dragagens junto à Ilha da Armona, para desassorear o canal de modo a que o barco da carreira pudesse aceder à ponte em segurança, e aproveitámos para a colocar logo na Praia dos Cavacos», referiu edil.

O uso de areia proveniente da Ria Formosa é, de resto, contemplada neste projeto, que prevê a valorização hidrodinâmica da barra de Armona e a alimentação artificial da Praia dos Cavacos.

Apesar de a dona da obra ser a Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, a  autarquia olhanense também tem estado “em cima” desta intervenção, já que é uma das Câmaras que contribuiu para o capital social desta entidade.

«Não é nossa intenção andar a fazer dragagens junto à Armona no pico do Verão, nem a de estar a encher a praia de areia na época balnear», garantiu António Pina.

Mas, tendo em conta que era urgente fazer a dragagem na zona da barra e do ancoradouro daquela ilha-barreira, por questões de navegabilidade, optou-se por trazer a areia retirada para a Praia dos Cavacos.

«Esta primeira intervenção foi o início de uma melhoria, que também serve para que as pessoas percebam o potencial que aquele espaço tem. Só com este bocadinho, a melhoria é notória e vê-se lá muito mais gente. Isso prova que aquele local, com um bom areal, pode trazer muito ao concelho», considerou.

A obra é saudada por moradores locais, com os quais o Sul Informação falou, que se mostram felizes por ver a praia a ser requalificada. Mas também há quem não concorde com ela.

Carlos Fernandes, um dos proprietários da Casa Modesta, unidade hoteleira situada nas imediações da Praia dos Cavacos, defendeu, em declarações ao nosso jornal, que não vê «qualquer vantagem em mexer nesta praia», não só porque «há praias mais do que suficientes» nas ilhas-barreira, mas também pelo impacto ambiental da intervenção. Isto porque, durante a semana que a obra esteve em curso, «havia retroescavadoras em cima do sapal».

Vídeo captado por Carlos Fernandes:


«Os nossos clientes, por vezes, apanham um trilho que dá acesso à Praia dos Cavacos, embora seja essencialmente para ir lá passear e ver a Ria Formosa, não é para ir a banhos», contou. Ou seja, iam em busca da beleza natural do espaço, que Carlos Fernandes teme que se perca.

Nas redes sociais também surgiram críticas pelo facto da areia ter um tom acizentado, o que se deve ao facto de ter sido recentemente dragada. Esta é uma situação temporária, uma vez que, com o tempo (e a chuva) a areia acabará por ser “lavada” e aclarará.

Com defensores e detratores, certo é que a obra já começou e voltará ao terreno logo a seguir à época estival. Segundo António Pina, em meados de Setembro recomeçarão as dragagens na barra da Armona, com a areia retirada a ser canalizada para a Praia dos Cavacos, intervenção que deve «durar cerca de um mês».

O custo total da obra é de cerca de 150 mil euros, com financiamento comunitário através do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos, sendo a contrapartida nacional assegurada pelo capital social da Sociedade Polis Litoral Ria Formosa.

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