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Traços contínuos na EN125 podem ser revistos «caso a caso»

Os traços contínuos criados pelas recentes obras na EN125, entre Vila do Bispo e Olhão, poderão ser revistos «caso a caso», garantiu, em declarações ao Sul Informação, Rui Sousa, administrador executivo da concessionária Rotas do Algarve Litoral (RAL), responsável pela intervenção.

Na sexta-feira passada, 14 de Julho, dia em que as obras na EN125 pararam de facto, para dar azo a uma pausa que se vai manter durante a época alta do turismo, até ao final de Agosto, o Sul Informação foi o único órgão de comunicação social que acompanhou toda a visita feita por responsáveis da empresa Infraestruturas de Portugal (IP) e da concessionária RAL ao troço que tinha estado a sofrer intervenções de fundo.

Rui Sousa revelou que «está a haver reuniões com as Câmaras Municipais, para tentar, caso a caso, reapreciar as situações» em que os traços contínuos – e outras situações – estão a gerar mais reclamações. «Tem de haver da nossa parte a preocupação de aferir, avaliar e, se for caso disso, corrigir as situações», disse.

O administrador das RAL admitiu, nas suas declarações ao nosso jornal, que «a construção de infraestruturas é um evento que mexe com vários interesses, sendo necessário tentar compatibilizá-los». No entanto, recordou, «a intervenção na EN125 foi estudada pelos técnicos e ouvindo várias autarquias».

Por seu lado, Rui Manteigas, diretor de concessões das Infraestuturas de Portugal (IP), fez questão de explicar que um dos principais objetivos das obras na EN125 é eliminar os chamados «pontos negros» onde se verificavam mais acidentes, muitos deles mortais. E isso passou, nomeadamente, por eliminar «as viragens à esquerda perigosas e os cruzamentos perigosos». Para isso, foram criadas rotundas (são cerca de três dezenas, de Olhão a Vila do Bispo).

«Até que ponto seriam muitas as rotundas? A verdade é que acaba por ser uma forma mais fácil de circular e que permite maior fluidez de tráfego e com segurança», acrescentou Rui Manteigas. Os objetivos da intervenção na EN125, reforçou, foram precisamente «compatibilizar circulação, fluidez e segurança». E isso, considerou, «já foi alcançado».

Rui Sousa e Rui Manteigas, junto à nova rotunda da FATACIL, em Lagoa

Quanto às atividades de comércio espalhadas ao longo da estrada, e que cresceram exponencialmente nos últimos dez a vinte anos, «existe sempre a possibilidade de ir à rotunda mais próxima para virar e aceder a essas empresas».

Rui Sousa, administrador da RAL, admitiu: «nalguns casos demora-se mais [para fazer as viragens], porque as rotundas estão mais espaçadas». Mas avisou: «não se pode retirar todos os traços contínuos, porque isso seria adulterar toda a intervenção».

Os casos mais mediáticos destes traços contínuos – às vezes duplos e reforçados com pinos metálicos – que invadiram a EN125, no troço concessionado às Rotas do Algarve Litoral, são os da Raposeira e da reta entre o cruzamento de Albufeira e o AlgarveShopping.

Na Raposeira, se quiserem cumprir as regras do Código de Estrada na EN125, os cortejos funerários saem da igreja, percorrem cerca de 2,5 quilómetros por estrada até Vila do Bispo para darem a volta e regressarem, fazendo mais 2,5 quilómetros, até ao cemitério da aldeia, que fica do outro lado da estrada…mas está separado por um traço contínuo.

Na reta entre o AlgarveShopping e o cruzamento de Albufeira, quem quiser virar para o Giga Garden, de um lado, ou para o Centro de Jardinagem da Quinta da Ataboeira, do outro, dependendo do sentido em que circula na EN125, tem de percorrer pelo menos 1,3 quilómetros até ao local onde poderá fazer inversão de marcha e voltar para trás.

 

Em email enviado para os órgãos de comunicação social, João Cabrita, gerente da empresa Alfa Garden Center Lda, proprietária da Quinta da Ataboeira, denunciou que o duplo traço contínuo pintado há pouco mais de uma semana no troço Albufeira/Guia da estrada não tomou «em consideração os impactes destas marcações, quer para os utentes da referida via, quer para os comerciantes a ela adjacente ou até aos cidadãos que habitam junto dela».

Este responsável acrescentou que se trata de «um troço de estrada com mais de dois quilómetros, onde não existe uma única zona de viragem. No nosso caso, os cliente que queiram aceder ao nosso espaço (vindos de Faro) terão de percorrer mais 3150 metros! Se vierem de Portimão e queiram retornar, percorrem 4300 metros para o poderem fazer!».

«Muitos dos nosso atuais e futuros clientes simplesmente deixarão de visitar o nosso espaço», lamentou o empresário.

Por outro lado, «os camiões articulados, através dos quais recebemos as nossas mercadorias, não conseguem neste momento aceder ao espaço, em virtude do ângulo de viragem dos ditos (normalmente são veículos articulados), sendo forçados a ultrapassar o “contínuo”, interrompendo o trânsito».

De facto, os camiões são obrigados a ultrapassar o traço contínuo sempre que querem entrar nas instalações da Quinta da Ataboeira (e em outras instalações semelhantes). Quanto ao trânsito interrompido, era uma situação que já acontecia antes do traço ser pintado, ou seja, não é nova.

No entanto, não é bem verdade que os automobilistas tenham de percorrer distâncias tão longas como as referidas pelo empresário. Ao que o Sul Informação aferiu no local, para poderem dar a volta, os automobilistas que circulam no sentido Portimão/Faro não têm que ir à rotunda mais próxima, que é a das Fontainhas (percorrendo os tais 4,3 quilómetros referidos), mas antes fazer 1,3 quilómetros até ao cruzamento desnivelado de Albufeira/Vale Paraíso.

Em sentido contrário, também não é necessário ir até à rotunda da Guia e perfazer 3150 metros para poder voltar para trás. Basta ir até ao cruzamento desnivelado do AlgarveShopping (1,3 quilómetros) e fazer a inversão de marcha.

Não deixa de ser uma distância considerável, mas que se percorre facilmente de carro. É preciso é que a sinalização vertical ajude os automobilistas e assinale de forma clara essas possibilidades de viragem nas placas que ainda falta colocar na estrada.

O nosso jornal apurou que, se a renegociação do contrato de concessão feita pelo anterior Governo em 2011 não tivesse abandonado a construção do novo acesso da A22 e EN125 a Albufeira (cujas obras lá estão, à beira da estrada, abandonadas), teria sido criada uma nova zona de viragem, mais próxima das empresas que agora se queixam.

 

Visita em mini autocarro às obras concluídas na EN125

E quem notar diferença de critérios ao longo da EN125, com traços contínuos na maior parte dos troços e depois manutenção de viragens à esquerda na zona de Lagoa, saiba que se trata de uma «situação provisória».

Rui Sousa revelou que «porque não está terminada a rotunda da Escola Internacional», devido aos atrasos provocados pelos trabalhos arqueológicos que foi preciso fazer, «não foi possível eliminar ainda essas perigosas viragens à esquerda», assinaladas, nas novas pinturas no pavimento, com traços descontínuos.

«Assim que houver essa rotunda, essas situações desaparecem», garantiu. O mesmo vai acontecer com os semáforos junto à Escola Internacional: «é uma situação provisória, que vai desaparecer de vez assim que a nova rotunda estiver a funcionar», concluiu aquele responsável.

Quando forem retomadas em Setembro, as obras que ainda falta fazer no troço Vila do Bispo/Olhão (nomeadamente as rotundas da Escola Internacional e de Pêra) terão de estar prontas, segundo o administrador das RAL, «até 31 de Outubro».

Os algarvios agradecem é que esses dois meses de obras sejam bem aproveitados e planeados, para que não aconteça o que agora se viveu no último mês, na EN125, quando os trabalhos, que antes avançavam a passo de caracol, explodiram em número de intervenções, homens e máquinas, criando um verdadeiro caos.

Aliás, provando este esforço de última hora – que, ainda assim, ultrapassou em 14 dias o prazo de 30 de Junho que tinha sido anunciado – na manhã de sexta-feira passada, e talvez porque se previa a visita dos responsáveis com os jornalistas, logo bem cedo ainda havia retoques finais a ser dados. Pelas 9h15, estavam a ser pintadas, de azul vivo, as guardas da nova passagem sobre a linha férrea da Maritenda. Às 11h11, quando o autocarro com os responsáveis das RAL e IP (e a jornalista do Sul Informação) por lá passou, já estava tudo pronto.

 

Fotos: Elisabete Rodrigues|Sul Informação

 

 

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