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Moçoilas querem dar música às histórias de vida que recolhem na serra algarvia

Há histórias de vida das gentes da serra algarvia que não são contadas em nenhuma canção, nem em contos tradicionais, mas que são testemunhos do dia-a-dia muitas vezes duro dos “serranos”. As Moçoilas querem pegar nestes relatos de vida e experiências que se repetem em vários pontos do interior do Algarve, musicá-los e incluí-los no seu já vasto repertório, onde cabem as canções tradicionais da região, mas também lengalengas, trava-línguas e danças.

Margarida Guerreiro, Teresa da Silva e Inês Rosa, os três elementos das Moçoilas, têm andado na serra e não esconderam a vontade de transformar histórias da serra em canções, na conversa que mantiveram com o Sul Informação e com a Rádio Universitária do Algarve RUA FM (102.7 FM), como convidadas do programa Impressões.

O projeto Moçoilas nasceu há mais de 20 anos para preservar e divulgar uma herança cultural que corria perigo de extinção. Mas, no seu já longo percurso, as Moçoilas nunca tiveram receio de ir além das fronteiras da região e da música tradicional, tornando “suas” canções de outros artistas, nomeadamente «da Amélia Muge, do José Mário Branco, Sérgio Godinho, Zeca Afonso e Teresa Muge».

«Ouvíamos canções de outros artista e dizíamos: olha que gira! Que tal tornar isto Moçoila? Temos, de resto, um desafio destes nas mãos. Temos de tornar um fado “amoçailado” e ainda não sabemos como o vamos fazer (risos)», ilustrou Margarida Guerreiro. No fundo, trata-se de dar «um cunho serrano às canções que não são da serra».

Agora, querem dar um passo mais além, aproveitando as pérolas que trazem do interior do Algarve, nas suas muitas idas à serra.

«Aprendemos muitas coisas, mas essencialmente as histórias das pessoas. E há histórias incríveis, principalmente de mulheres que nunca saíram do mesmo lugar e nos vêm dizer: “olhem, nasci além, depois casei e fui para ali – no mesmo monte. Depois cuidei deste e daquele, os filhos chegaram e partiram, o marido também. E eu estou. Agora, o que mais quero na vida é morrer aqui”. Estas histórias doem muito, não sei explicar o que me provocam, mas provocam-me qualquer coisa de aperto», contou Margarida Guerreiro.

O trio musical algarvio está já «a trabalhar» para fazer de raiz uma música para juntar ao seu repertório. Uma experiência que não será totalmente nova para as Moçoilas, que ainda há bem pouco tempo aceitaram um desafio da ACTA- A Companhia de Teatro de Algarve de fazer música para uma peça.

«A nossa colaboração com a ACTA foi algo muito diferente daquilo que tínhamos feito até então. Porque uma coisa é cantar músicas que já existiam, outra é fazer de novo. Nós recebemos um convite para musicar três momentos de uma peça de teatro que eles iam fazer, cujo texto era do Jacinto Lucas Pires. O espetáculo era sobre a história da Catarina Eufémia», disse Inês Rosa.

«Nós nunca tínhamos feito isso, não tínhamos tido a experiência de criar de raiz as três. E demorou bastante tempo. Desde logo, porque não tínhamos noção do tempo que levava a compor e porque o fizemos em conjunto. Não foi alguém que agarrou e construiu. A primeira coisa que fizemos foi agarrar num gravador e cantar, cantar e cantar (risos)», acrescentou.

Desta primeira sessão, resultaram 40 minutos de sons, que foram depois lapidados. «O problema é que nós gostávamos de tudo…(risos)».

«Outro problema foi que nós, quando gravámos, não foi com o texto e precisávamos de o encaixar na música. E a métrica do texto não era propriamente muito fácil», continuam, com a boa disposição que lhes é caraterística.

No final, a ACTA ganhou músicas originais para a sua produção e as Moçoilas desenvolveram «um apetite» pelo processo criativo.

Para já, não há uma ideia de quando sairá cá para fora o próximo álbum das Moçoilas. O que é certo é que Inês Rosa, Teresa da Silva e Margarida Guerreiro vão continuar a juntar-se e a manter bem vivas as memórias e as tradições da serra algarvia.

Quem quiser ouvir as Moçoilas, poderá fazê-lo já na próxima sexta-feira, dia 13 de Julho, às 21h00, na Feira Popular de Loulé, que tem lugar no Largo do Tribunal, naquela cidade.

 

Oiça a entrevista das Moçoilas ao programa Impressões na íntegra:

 

 

 

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