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Nova ETAR da Companheira (sem mau cheiro) começa a funcionar a 7 de Março de 2018

A nova Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) da Companheira, em Portimão, vai começar a funcionar a 7 de Março de 2018, anunciou Joaquim Peres, presidente da empresa Águas do Algarve, responsável por este investimento de 11 milhões de euros.

«O Verão de 2018 em Portimão vai ser completamente diferente e será uma alegria para quem cá vier comer sardinhas, só com o cheiro das sardinhas», ironizou aquele responsável, durante uma visita às obras da nova ETAR, com a presença do secretário de Estado do Ambiente.

A brincar, Joaquim Peres tocava num dos pontos sensíveis da futura estrutura, a promessa de acabar com o mau cheiro que hoje é causado pela atual ETAR, afetando em especial a população da vizinha aldeia da Companheira, mas também quem passa na EN125, a cidade de Portimão e até quem vive ou tem negócios na outra margem do rio Arade, já no município de Lagoa.

A nova ETAR terá capacidade para tratar os esgotos de até 140 mil habitantes/equivalentes, nos concelhos de Portimão, Lagoa e Monchique, embora deixe de fora os efluentes produzidos pelas suiniculturas serranas, para os quais continua a não haver solução.

Números:
>>47 mil metros cúbicos de esgoto tratados por dia na nova ETAR
>>140 mil habitantes/equivalentes servidos pela nova ETAR
>>11 milhões de euros de investimento
>>150 mil metros cúbicos de escavação para a obra
>>9500 metros cúbicos de betão
>>1.600.000 quilos de aço
>>28 mil metros cúbicos de revestimentos interiores de órgãos

A estrutura está a ser implantada à beira do rio Arade, na zona junto à atual ETAR, que funciona sob o sistema de lagunagem, mas que será desativada por completo. A área da antiga ETAR será depois transformada, num projeto conjunto das Águas do Algarve e da Câmara de Portimão, num parque ambiental urbano, que ocupará seis hectares junto ao rio.

O terreno onde está a ser construída, desde Março do ano passado, a nova ETAR, é um maciço cársico, ou seja, de calcário poroso e cheio de cavidades. Algumas delas vieram a revelar-se importantes do ponto de vista arqueológico ou geológico, pelo que, dentro do perímetro da obra, foram mantidas duas grutas, com acessos possíveis para investigadores.

Mas esta característica do solo e os cuidados acrescidos a que obrigou criaram algumas dificuldades ao plano de trabalhos, que chegaram a ficar atrasados. «Estas cavidades cársicas obrigaram-nos a mais cuidados para preservar o que tinha valor arqueológico e foi necessário diminuir o ritmo de produção», causando «alguma derrapagem temporal», entretanto já recuperada, recordou o administrador Joaquim Peres. É que, «os empreiteiros fizeram um esforço acrescido para garantir a conclusão da obra dentro do prazo».

No entanto, se o local criou dificuldades, também criou oportunidades: «sendo um maciço calcário, muita da pedra retirada está a ser reaproveitada para a obra e para aterrar as lagoas».

E isso até levou a introduzir uma novidade no projeto: numa das antigas lagoas de tratamento de esgotos, que já está a ser drenada e seca, «vai ser construída uma estufa de secagem solar das lamas», que será dotada de um sistema de «desodorização química», de modo a evitar o mau cheiro. E assim, em vez de ter de levar para outro local as lamas resultantes do tratamento terciário que a nova ETAR vai ter, esse subproduto será tratado na Companheira.

Joaquim Peres, engenheiro de formação, descreveu com entusiasmo algumas das características da obra da nova ETAR, que tem particularidades interessantes. Por exemplo, o tanque de equalização, que recebe todo o efluente que entra, tem «características especiais». Este enorme tanque em betão está a ser construído na zona mais baixa dos terrenos da ETAR, onde, durante o início dos trabalhos, se formou uma piscina devido à localização dos níveis freáticos da água que circulava no maciço calcário (situação que até chegou a provocar problemas nos poços e furtos de rega da população vizinha, durante cerca de 15 dias, até que os técnicos conseguiram repor o nível freático subterrâneo).

 

O tanque de equalização em construção

Ora, nesse local, devido à presença constante da água, o tanque teria «tendência para flutuar». A solução poderia ter passado por «ancorar» o tanque, mas acabou por se optar por «usar pedra retirada aqui do local para a colocar em cima da laje, quando estiver pronta, e assim aumentar o peso», impedindo a estrutura de flutuar.

Da visita, acompanhada por Joaquim Castelão Rodrigues, vice-presidente da Câmara de Portimão, e Rui André, presidente da Câmara de Monchique (das três autarquias servidas pela futura ETAR, só Lagoa não se fez representar), surgiu ainda uma garantia: que os cerca de 27 mil litros de água tratada que resultarão todos os dias da operação da estação serão reutilizados, na rega de jardins e em outros fins.

«Trata-se do fecho lógico depois de um investimento desta natureza», salientou o secretário de Estado Carlos Martins. «Cumprindo os mais exigentes requisitos», a água que resultar da operação passará a ter «usos mais nobres», até para «potenciar a economia regional», disse o governante.

 

Fotos: Elisabete Rodrigues|Sul Informação

 

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