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A passo de caminhada também se pode desenvolver uma terra

São 10 mil euros diretamente injetados na economia local e mais de 2000 visitantes (com regressos), a contribuir para o «aumento da autoestima da comunidade para com o seu território». O impacto do Walking Festival, cuja quinta edição decorreu de 28 de Abril a 1 de Maio, no desenvolvimento do “seu” Ameixial, já é notório… «mas ainda não está tudo feito».

É que, além dos números positivos, também há resultados no terreno, como o facto de já existir, durante todo o ano, uma casa-abrigo que pode acolher caminhantes desejosos de conhecer aquele território do interior serrano concelho de Loulé.

E toda esta evolução (e impacto) no Ameixial se devem mesmo «ao Walking Festival», de acordo com João Ministro, que falou ao Sul Informação, à margem da conferência de abertura do evento, realizada na sexta-feira, 28 de Abril, em Loulé.

«As pessoas gostam do evento, das atividades, e acabam por conhecer um território novo, que é interessante», explicou. Dos participantes deste Walking Festival, alguns acabam mesmo por voltar fora dos dias do evento, o que comprova as repercussões no Ameixial.

«Os percursos também têm sido melhorados e isso é um dos resultados do festival», disse João Ministro. Ainda assim, apesar dos indicadores, continuam a existir lacunas.

«O alojamento existente é pouco. Gostávamos que existisse iniciativa privada e até já temos conhecimento de cidadãos estrangeiros que estão a recuperar uma casa numa aldeia próxima do Ameixial, para no próximo ano alugarem quartos durante o Festival», revelou ao Sul Informação.

«Temos quatro percursos sinalizados, mas queremos aumentar para mais dois. O património cultural também pode ser melhorado, nomeadamente algumas antas megalíticas que estão semiabandonadas», acrescentou.

Júlio Cardoso, do Festival de Caminhadas de Alcoutim, corroborou a ideia de João Ministro, confessando que, para aquele evento, a estratégia de promoção do território é «a mesma» deste Walking Festival.

Michael Stankey, da empresa britânica Ramblers Walking Holidays, também esteve presente na conferência de abertura do Walking Festival. Vindo diretamente de Inglaterra, onde caminhar é um verdadeiro desporto de multidões, Michael explicou ao nosso jornal que «está mais do que provado que estas iniciativas podem desenvolver os territórios».

Só que, para tal, precisam, no seu entender, «de algum investimento do governo e das entidades locais, num trabalho de equipa. Se estiverem dispostos a investir, os retornos virão».

Por agora, a Ramblers Walking Holidays já tem algumas propostas de caminhada para quem queira visitar o Algarve, desde percorrer a Via Algarviana, passear por Tavira, ou fazer uma autêntica “odisseia” pela região.

Apesar de isto, Michael Stankey nunca “andou pelo Algarve”, «falha» que garantiu ir corrigir nestes dias.

A sessão de abertura do Festival de Caminhadas também serviu para este evento e o Gran Canaria Walking Festival firmarem um acordo informal.

Nesta parceria, além da ida de membros da organização do festival português a Espanha para aquele festival, e a vinda, agora, do Gran Canaria ao Ameixial, está prevista a «partilha de algumas informações nas redes sociais», adiantou João Ministro ao nosso jornal.

Hugo Nunes, vice-presidente da Câmara de Loulé, diz que esta colaboração significa «um salto» para o Festival do Ameixial.

Já João Fernandes, vice-presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA), entidade apoiante da iniciativa, explicou que o WFA «está de acordo com as linhas de orientação da RTA», como «atenuar a sazonalidade e promover a coesão territorial».

Por seu lado Teresa Fernandes, responsável de marketing e comunicação da Águas do Algarve, considerou que a empresa está mesmo «na génese de poder manter todas as atividades» do Walking Festival, porque, sem água… «não existem».

E, para esta edição, até houve uma novidade: os participantes no evento beberam água de torneira em cantis, em vez das garrafinhas de plástico.

 

Fotos: Pedro Lemos | Sul Informação

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