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Vento forte obriga a adiar treinos livres da F1 de Motonáutica em Portimão, mas o “circo” está montado

«A segurança dos pilotos é a nossa prioridade», garante Nicolo di San Germano, o presidente da Fórmula1 em Motonáutica, cuja prova inaugural da época decorre este fim de semana em Portimão. Mas o forte vento que se faz sentir obrigou a cancelar os treinos livres, que deviam ter lugar esta tarde e amanhã de manhã.

A previsão meteorológica aponta para uma acalmia do vento a partir das 16h00 de amanhã, sábado, pelo que a organização da prova e o seu comissário, o português Luís Ribeiro, estão esperançados que os treinos livres e as qualificações possam ainda ter lugar este sábado.

Caso contrário, treinos, qualificações e provas terão de ser comprimidas no domingo, 23 de Abril, dia em que há mais possibilidades de se cumprir a previsão meteorológica da acalmia do vento. No ano passado, o mesmo aconteceu no GP de França, em que tudo teve de ser adiado para domingo, devido ao estado do tempo.

Esta será, de qualquer modo, uma jornada super intensa, a testar os nervos destes pilotos de treze nacionalidades e nove equipas, que segundo revelou o português Duarte Benavente (F1 Atlantic Team), o único piloto nacional neste circuito, chegam a atingir «200 a 220 quilómetros por hora» no estuário do Arade.

O norte-americano Shaun Torrente (Victory Team) disse esta manhã aos jornalistas portugueses que, «com estas condições, não teremos tempo para fazer ajustes e melhoramentos». O seu companheiro de equipa, Ahmed Al Hameli, dos Emiratos Árabes Unidos, frisou: «tudo isto acrescenta pressão tanto ao trabalho dos pilotos, como ao dos mecânicos».

O finlandês voador, Sami Selio (Mad Croc Baba Racing), que já é um veterano tanto no campeonato do mundo, como na prova de Portimão, que conhece desde que o circo da Fórmula1 Motonáutica começou a vir até ao Algarve, em 1999, foi perentório: «adoro esta pista, adoro esta prova, mas nunca vi condições de tempo como estas, nunca aconteceu antes».

Sami, que no ano passado, quando a prova regressou a Portimão, conseguiu a pole position e acabou a corrida em 2º lugar, devido a «problemas mecânicos», espera desta vez repetir a pole…e vencer. «Nunca ganhei uma corrida em Portugal», lamentou.

Philippe Chiappe, do CTCI F1 Shenzhen China Team, campeão do mundo em título, com o manager da equipa chinesa

O francês Phillipe Chiappe, da poderosa equipa chinesa CTCI F1 Shenzhen China Team, campeão mundial em 2016 e vencedor da corrida portimonense no ano passado, não tem problema em dizer: «a melhor corrida de todo o campeonato é a de Portimão».

Mas a verdade é que, desta vez, o vento é tão forte que as tendas das equipas têm de estar fechadas, «para que não voe tudo». Mesmo que quisessem, «nem seria possível colocar os barcos na água, com as gruas, porque iam balançar imenso no ar», como explicou um membro da equipa da organização.

Sempre bem humorado, Nicolo di San Germano pediu a Isilda Gomes, a presidente da Câmara de Portimão, que acompanhou o início da visita aos bastidores, que intercedesse «para acalmar o vento». «Talvez acendendo umas velinhas», brincou Francisco Neto, dono da Interpass, a empresa que patrocina a equipa do português Duarte Benavente e que foi, no ano passado, um dos principais obreiros do regresso da F1 H2O a Portimão.

É que o vento é de facto, um dos principais inimigos destes pilotos de barcos com formas aerodinâmicas, que mal tocam na água, parecendo voar baixinho. O vento, que encapelou a superfície das águas do estuário do Arade, pode causar acidentes, por isso há que esperar que as condições mudem.

Os barcos de F1 são catamarãs em fibra de carbono, com motores V6 fora de borda, com 2500 centímetros cúbicos, debitando uma potência de 430 a 440 cavalos. Os motores têm todos as mesmas características, embora a sua afinação mude. É essa uma das principais diferenças entre as equipas. Isso…e os pilotos, claro.

 

A norueguesa Marit Stromoy, a única mulher na F1 H2O

Numa prova dominada por homens, a norueguesa Marit Stromoy, a única mulher piloto na F1 H2O, acaba por ser sempre uma das atrações para o público. A norueguesa, que também é cantora de sucesso no seu país e já corre em motonáutica desde há 28 anos, ganhou a sua primeira corrida em 2015 e está esperançada para o campeonato deste ano.

«Este ano temos um bom motor. O nível entre os pilotos é muito aproximado, há poucos segundos a separar uns dos outros, por isso, com muito trabalho, podemos chegar ao topo», disse aos jornalistas.

Ou seja: mesmo que o dia de hoje tenha sido afetado pelo vento forte e que amanhã, na melhor das hipóteses, só a partir das 16h00 se preveja o início de treinos e qualificações, tudo indica que o domingo será o dia de todas as emoções.

Tendo em conta que assistir à prova é grátis, ao longo das margens do estuário do Arade, na zona ribeirinha de Portimão e no porto de pesca, em frente, a corrida deverá ser acompanhada ao vivo por milhares de pessoas. E amanhã de manhã, a partir das 11h00, haverá visitas ao paddock, destinadas ao público.

Mas a corrida de abertura do sempre espetacular Mundial de F1 H2O será também transmitida pela televisão para 70 países, dos quais mais de um terço em direto. Nicolo di San Germano brinca: «desde há três anos, tem sido uma equipa chinesa a ganhar o Campeonato e isso é uma sorte, porque temos milhões de chineses a ver-nos pela televisão».

Esta grande exposição mediática a nível mundial leva a Câmara, os empresários reunidos na Associação Turismo de Portimão e até o Turismo de Portugal a apostar neste Grande Prémio de Portimão como veículo de promoção da cidade, da região e do país a nível internacional.

 

O responsável técnico pelo Team Abu Dhabi

A autarca Isilda Gomes revelou que este ano trazer à cidade algarvia o circo da F1 H2O custa, na totalidade, 490 mil euros, dos quais 340 mil são assegurados pelo Turismo de Portugal e os restantes 150 mil pela Câmara, mediante um contrato-programa com a Associação Turismo de Portimão.

Mas «o retorno» para a economia do concelho e da região do Algarve, bem como em termos de imagem internacional, é «muito superior ao investimento», garantiu a presidente da Câmara.

«Os 150 mil euros que investimos são uma quantia plenamente justificável perante o impacto que a prova tem no município, no Algarve e no país», acrescentou.

Para mais porque, segundo frisou Nicolo di San Germano, a projeção das cidades que acolhem uma prova deste Mundial de F1 não se faz apenas aquando de cada corrida, mas ao longo de todo o ano, enquanto o campeonato percorre os quatro cantos do mundo.

Em 2018, disse Isilda Gomes, o Turismo de Portugal já disse que não apoiará a prova de Portimão com um montante tão elevado. Por isso, a autarca anunciou que «vamos terminar esta prova e começar logo a trabalhar na próxima», para «encontrar sponsorização para manter a corrida aqui, sendo certo que a Câmara não irá além dos 150 mil euros». Ou seja, os empresários, nomeadamente os da hotelaria e restauração que retiram dividendos da passagem do circo da F1 por Portimão, terão que assumir a sua quota parte no patrocínio.

Nicolo di San Germano

Presidente da F1 H20 recorda Nuno Mergulhão

Nicolo di San Germano recordou: «em 1984, no ano do primeiro circuito desta modalidade à volta do mundo, no Corte Ingles Grand Prix de Sevilha, um jovem português – éramos todos jovens, então – veio falar comigo e disse: “eu venho de Portimão, o meu nome é Nuno Mergulhão, e mais cedo ou mais tarde eu quero este evento na minha cidade”. Eu do Algarve já tinha ouvido falar, mas nem sabia onde ficava Portimão.Alguns anos mais tarde, na corrida em Budapeste, o mesmo Nuno Mergulhão foi falar comigo e disse-me: “sou presidente da Câmara de Portimão e tenho um projeto para a nossa cidade, cuja imagem queremos promover a nível internacional. Agora estamos prontos a receber a prova”.
E o primeiro Grande Prémio aqui em Portimão foi em 1999».

 

Fotos: Elisabete Rodrigues|Sul Informação

 

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