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Algarve vence nas pistas asiáticas e vai à conquista das 24 Horas de Le Mans

O Algarve vai estar representado,  pela Algarve Pro Racing, na grelha de partida da mítica corrida das 24 Horas de Le Mans, em França, marcada para 17 de Junho. A equipa algarvia, que nasceu em 2010, levou o nome da região ao lugar mais alto do pódio das Asian Le Mans Series – o que lhe valeu a entrada na prova francesa – mas, em Portugal, poucos deram por isso.

Samantha Cox, que dirige a equipa juntamente com Stewart Cox, contou ao Sul Informação que «chegámos ao Algarve em 2010, para passar a reforma. O Stewart é ex-mecânico da Fórmula 1 e foi abordado por um senhor interessado em correr. Foi aí que decidimos criar a Algarve Pro Racing».

Samantha Cox

Depois de ter começado nas World Series by Renault, no Mégane Trophy Championship, onde participou durante dois anos, a equipa, sediada na Guia, concelho de Albufeira, progrediu para as Le Mans Series (Asian Le Mans Series e European Le Mans Series).

Depois de uma participação nas 24 Horas de Le Mans, no ano passado, por desistência de outra equipa, em 2017, com a vitória conquistada, em Janeiro, na Ásia, onde a Algarve Pro Racing fez primeiro e terceiro no campeonato, veio o convite direto para participar na histórica corrida francesa.

Mas nem tudo têm sido rosas neste percurso, segundo os fundadores da Algarve Pro Racing, especialmente devido à falta de apoio da região. «Escolhemos o nome Algarve porque pensámos que o Algarve se ia interessar pela equipa. Vivemos aqui, adoramos viver aqui e por isso lhe demos este nome. No entanto, não houve grande interesse», lamenta Samantha Cox.

Stewart Cox

A responsável acha que «as pessoas não sabem que existe esta equipa aqui no Algarve», algo que não acontece em Inglaterra: «no ano passado, tivemos a correr connosco o Chris Hoy [ex-ciclista olímpico], uma grande celebridade, e foi feito um programa de televisão, que foi transmitido na BBC. Por isso, há mais pessoas que conhecem a equipa em Inglaterra, do que aqui no Algarve ou em Portugal».

Por seu lado, Stewart Cox acrescenta que «se fizer um voo de longo curso na Emirates, é mostrado esse documentário chamado “Chris Hoy Road to Le Mans“, que foi transmitido em prime time e teve nove milhões de espetadores. Esse documentário é sobre ele, mas é também sobre a nossa equipa. Vê-se tudo: o nosso carro, a bandeira portuguesa no fim da corrida… As entidades do Turismo do Algarve gastam milhões em promoção e este filme, todo filmado no Algarve, foi visto por nove milhões de pessoas».

Por isso, o fundador da equipa acha que «tudo o que a Região de Turismo do Algarve tinha que fazer era pedir para imprimir uma fotografia do Algarve na carroçaria do carro», mas isso não aconteceu e Stewart Cox vê uma razão para esta falta de apoio: «não somos portugueses e as pessoas não nos vêem como equipa portuguesa».

Apesar de dizerem que não precisam de «reconhecimento», consideram ser «desapontante a falta de apoio da região» e, com a exceção de um restaurante que fornece refeições grátis, a Algarve Pro Racing não tem patrocinadores portugueses.

A oficina na Guia

«Se houvesse alguém que quisesse patrocinar, ficaríamos contentes. Ficaríamos contentes em promover um piloto português, com ajuda de empresas portuguesas, mas ninguém patrocina. Tentámos com produtores de vinho, mas também não se mostraram interessados», explica Samantha ao Sul Informação.

Stewart Cox vais mais longe: «dêem-nos dois milhões de euros e vencemos a corrida [24 Horas de Le Mans]. Isto é um negócio. Eu podia ter o Álvaro Parente, o Filipe Albuquerque e o Félix da Costa, se me derem o dinheiro para isso. É essa a questão. A Algarve Pro Racing paga os impostos em Portugal, emprega portugueses, é uma equipa portuguesa e queremos vencer, mas não temos o dinheiro e é isso que precisamos para ganhar corridas».

A falta de interesse português é mais incompreensível para Stewart Cox, porque «a Algarve Pro Racing foi patrocinada pela Nissan, numa decisão do Conselho de Administração no Japão».

A juntar à visibilidade que dão à marca “Algarve”, Stewart Cox acrescenta que «trazemos pessoas com dinheiro à região. Para conduzir estes carros, é preciso ser rico. Eles vêm, gastam dinheiro, ficam nos hotéis… trazemos, por estarmos baseados aqui, dinheiro para o Algarve».

Apesar de admitirem que, «se estivéssemos em Inglaterra, a vida seria mais fácil e gerir a equipa seria mais barato», Samantha e Stewart não pensam deixar a região, «porque gostamos de viver aqui».

O americano Matthew McMurry, o francês Andrea Pizzitola e o italiano Andrea Roda são os pilotos da Algarve Pro Racing, que vão disputar as European Le Mans Series. O campeonato começa no fim de semana de 14 e 15 de Abril, no circuito de Silverstone (Inglaterra), e termina em Outubro, no Autódromo Internacional do Algarve.

Já Mark Patterson e Vincent Capillaire vão juntar-se a Matt McMurry no alinhamento para a corrida das 24 Horas de Le Mans, uma vez que Roda e Pizzitola vão estar envolvidos nas provas da ELMS.

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