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Coligação com CDS para as Autárquicas em Portimão abre cisões na Comissão Política do PSD

Quatro dos 16 membros da Comissão Política (CP) da Secção do PSD de Portimão exigem a demissão imediata do presidente deste órgão, por criticarem o processo que levou à coligação com o CDS para concorrer à Câmara Municipal desta cidade do Barlavento Algarvio.

Hernâni Correia (que já foi presidente da CP social-democrata), Mário Cintra, Paulo David e Rui Marques temem que a coligação, cujo cabeça de lista será o centrista José Pedro Caçorino, atual vereador da «Servir Portimão» e líder do CDS a nível regional, venha a revelar-se um «descalabro» nas Eleições Autárquicas de Outubro próximo.

Em declarações ao Sul Informação, estes quatro membros da Comissão Política social-democrata portimonense acusam Helder Renato Rodrigues, presidente da estrutura, de «traçar um caminho a solo, pondo de parte todas as decisões importantes, manipulando e sonegando informações que vieram dar ao previsível descalabro».

Por seu lado, respondendo às acusações, mas sem querer alongar-se muito, Helder Renato garantiu ao nosso jornal que, «se há presidente da Comissão Política que foi a todos os plenários informar sobre como é que estava a decorrer todo o processo das Autárquicas, fui eu».

«Houve três plenários, a 3 de Novembro, a 11 de Fevereiro e a 11 de Março. Da parte do PSD/Portimão, cumprimos tudo o que os Estatutos [do PSD] dizem para fazer, da parte da Distrital também», explicou ainda.

«Estas são questões internas que poderiam e deveriam ser esclarecidas e respondidas internamente. Há pessoas que não pensam muito para lá da árvore, não veem que há uma floresta muito maior. Posso garantir que estes quatro membros da Comissão Política estão a fazer uma leitura enviesada, a partir da forma como eles imaginam que o processo decorreu», acrescentou o líder dos social-democratas portimonenses, em declarações ao Sul Informação.

Os quatro elementos acusam o presidente do PSD/Portimão de, com a sua atuação no processo, ter afastado da corrida para serem candidatas social-democratas pessoas «com provas dadas e reconhecidas na cidade», referindo-se em concreto a Carlos Martins e José Dias, bem como de não querer incluir outros nomes, «na eventualidade da desistência desses dois [potenciais] candidatos», como veio a acontecer.

Fazendo referência à «sondagem» local que o PSD portimonense encomendou há largos meses para avaliar o grau de aceitação dos vários potenciais candidatos entre a população, os quatro contestatários acusam mesmo Helder Renato de «iniciar uma jornada a solo, quando incluiu José Pedro Caçorino na própria sondagem do PSD», um caminho em relação ao qual o presidente da Comissão Política Concelhia terá sido «avisado que poderia ser um perigo».

Hernâni Correia, Mário Cintra, Paulo David e Rui Marques consideram ainda ser «ridícula» a alegada tentativa de Helder Renato de «negociar com o CDS uma salvaguarda, que era a sigla PSD aparecer em primeiro lugar na denominação da coligação».

«O PSD sempre foi um partido que, até à data, conseguiu organizar-se internamente, com comissões políticas que valorizaram todos os seus elementos e que sempre trabalharam para conseguir esse objetivo, exceto no conturbado ano de 2013, em que o seu então presidente tentou o assassinato deste grande partido, em proveito próprio», acrescentam.

Aliás, os quatro elementos da Comissão Política que contestam o atual presidente comparam esta situação com a de 2013, quando o então líder da Concelhia Pedro Castelo Xavier negociou um acordo secreto com o PS, para passar a ter um lugar na vereação permanente, remunerado, viabilizando assim um novo executivo socialista, como veio a acontecer.

«É visível a existência de um projeto pensado, com clara incidência na continuação da ligação do poder local [do PS] ao PSD como muleta», acrescentam Hernâni Correia, Mário Cintra, Paulo David e Rui Marques.

Os quatro contestatários salvaguardam, porém, que, apesar de todo este processo, José Pedro Caçorino tem legitimidade para liderar a coligação, «desde que Helder Renato o incluiu e não foram criadas as condições necessárias para aparecer qualquer candidatura com capacidade de liderança por parte do PSD».

O grupo também não contesta a posição da Distrital do PSD neste processo. Hernâni Correia, que já foi membro da Distrital dos social-democratas, acredita que David Santos, líder do PSD/Algarve, «utilizou unicamente as ferramentas lógicas e possíveis ao seu dispor. Inicialmente eu pensava de maneira diferente, mas com o surgimento de outros elementos e depois de analisar toda esta geringonça causada pelo presidente desta concelhia, não duvido agora que o presidente, engenheiro David Santos, encontrou na coligação liderada pelo CDS a saída possível. Ninguém gosta de perder!».

Se Hernâni Correia, Mário Cintra, Paulo David e Rui Marques, que são apenas quatro dos dezasseis membros da Comissão Política de Secção, não concordam com as posições e o trabalho do presidente do órgão, porque não se demitem, vincando assim a sua oposição à estratégia seguida?

«Quem teve a culpa desta situação a que chegámos, com o PSD a ir a eleições a reboque do CDS, é que tem que assumi-la e demitir-se! Se nós nos demitirmos, até parece que os culpados somos nós», disse Paulo David ao Sul Informação.

Ao pedido de demissão, o presidente da Concelhia Helder Renato apenas tem uma resposta a dar: «segundo os Estatutos do partido, a Comissão Política tem um mandato a cumprir até ao mês de Novembro. Nessa altura, haverá eleições e logo se verá».

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