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Algarve tem sido «maltratado» com a diminuição de verbas para o turismo

O Algarve «tem sido um pouco maltratado» com a diminuição de verbas destinadas ao turismo, nomeadamente para a promoção da região, acredita Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo Português (CTP).

As verbas «cada vez menores» destinadas à promoção turística do Algarve e de Portugal foram um dos muitos temas que estiveram em cima da mesa num encontro que a CTP manteve com entidades públicas e privadas ligadas ao turismo algarvio, esta quinta-feira, dia 30 de Março, em Faro.

«Alguns participantes na reunião queixaram-se que, entre os saldos de gerência e as cativações, a promoção tem vindo, realmente, a diminuir. Nós não nos cansamos de dizer: a promoção não é um custo, é um investimento e de retorno muito rápido. Tendo isso em conta, achamos que deve haver mais promoção turística», disse o presidente da CTP.

No caso do Algarve, a situação agrava-se pelo facto da região estar fora do Objetivo de Convergência da União Europeia (já não é considerado entre as regiões mais pobres), o que leva a que haja menos dinheiro de fundos comunitários.

«Esta é uma guerra antiga. O turismo, que é cada vez mais representativo, quer na região do Algarve, quer no país, também tem de ter algum retorno. Aquilo a que assistimos é que as verbas para a promoção, que deviam estar a crescer muito, têm vindo a diminuir. Isso não faz sentido», considerou Francisco Calheiros.

«O turismo tem sido o motor da economia, é ele que tem criado emprego líquido e que tem equilibrado a balança comercial. Eu acho que está na altura de se pagar um bocado ao turismo o contributo que dá», acrescentou o presidente da CTP.

Outra preocupação levantada pelas entidades algarvias presentes na reunião foi a dificuldade em arranjar recursos humanos, para a época alta que se aproxima. «Como disse um dos participantes, não há mão-de-obra e ponto. Nem qualificada, nem desqualificada», revelou.

Francisco Calheiros admite que as empresas ligadas ao turismo «têm aqui um problema», já que, «se queremos que o Algarve seja um destino turístico de qualidade, temos de ter mão-de-obra».

Um dos fatores que reconhece que podem estar na origem deste problema é a «atratividade da atividade», nomeadamente para os jovens, entre os quais «não vê uma apetência muito grande para ir para o turismo».

No caso específico do Algarve, a sazonalidade também contribui para a dificuldade em arranjar candidatos a trabalhar nesta área. «É evidente que, se não existisse este problema da sazonalidade, tudo seria mais fácil. Mas eu acho que o Algarve tem tido algum sucesso no combate a esta realidade», considerou, salientando «o crescimento enorme da região em Janeiro», na ordem dos 14%, em relação ao mesmo mês de 2016.

A CTP escolheu o Algarve para realizar o primeiro de uma série de encontros com as forças vivas das diferentes regiões turísticas de Portugal, para apresentar o estudo «Turismo em Movimento: um roteiro para a competitividade», que encomendou à empresa PWC.

Este documento, originalmente apresentado em Setembro de 2016, espelha a realidade nacional. Mas, como «as realidades nacionais são um soma de realidades locais/regionais», foi dado o passo seguinte, que teve ontem início em Faro, o de recolher contributos nas regiões turísticas.

«Tivemos hoje aqui uma grande troca de impressões, muito representativa, que eu acho que correu muito bem. Recolhemos contributos muito importantes para podermos atualizar o nosso estudo», resumiu Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo Português.

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