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Livros esgotaram em menos de duas horas na antiga Livraria Simões [com vídeos e fotos]

A hora oficial da abertura estava marcada para as 10h00, mas muito tempo antes já a porta lateral da antiga Livraria Simões, em Faro, estava aberta, com uma fila de centenas e centenas de pessoas à espera, dando a volta ao quarteirão na Rua do Alportel, para ambos os lados.

E já nos dias anteriores a antiga loja alfarrabista tinha deixado entrar muita gente, pelo que, no sábado de manhã, poucos milhares de livros, muito escolhidos, esperavam o mar de gente que veio de todo o Algarve e até do Alentejo, para tentar encontrar algo de interesse para levar para casa, de graça.

Os primeiros a entrar ainda carregaram sacos, caixas e até malas de viagem cheias de livros. Mas, por volta das 11h00, quando o Sul Informação entrou dentro da antiga livraria, o cenário era de prateleiras e prateleiras vazias, gente apertada nos corredores estreitos a verificar se aquele último livro valia ou não a pena.

«Ó, que pena», exclamou a Joana, de 10 anos, que esperou «mais de 45 minutos na bicha», com o irmão e a mãe, para ver se encontrava «livros bons para ler». Quando a Joana entrou, estava tudo vazio. Mas a família percorreu, a passo de caracol, como dezenas e dezenas de outras pessoas, todos os estreitos corredores entre estantes, apenas para confirmar que os milhares de livros prometidos…já tinham sido levados por outros.

 

 

Numa prateleira situada a talvez um metro e 70 do solo, espreitava a ponta de um livro. E uma senhora idosa, de costas curvadas, já carregada com meia dúzia de publicações, pediu à repórter do Sul Informação se podia chegar «lá acima» e ver do que se tratava. Cumprida a missão, o livro era uma publicação, em inglês, sobre Braga e a cidade romana que a antecedeu, Bracara Augusta. A senhora, fez um sorriso, juntou o livro à pilha que guardava debaixo do braço e disse: «obrigada, já cá tenho mais um para ler».

A Joana e o seu namorado Luís vieram de Beja, com uma mala de viagem, daquelas de rodinhas, que esperavam encher de livros. «Diziam que havia aqui 600 mil livros e nós arriscámos. Saímos de Beja às 6h30 da manhã, para estar aqui cedo», disse a Joana ao nosso jornal. E conseguiram alguma coisa? «Meia dúzia de livros interessantes, uns de pedagogia já antigos, uns quantos policiais que descobri numa prateleira lá em cima», respondeu o Luís, abrindo a mala, quase vazia. Valeu a pena? «Sim, quanto mais não seja para ver toda esta gente aqui interessada em livros. Nunca tinha visto uma coisa destas!», garantiu a Joana.

Lá dentro, por entre corredores estreitos, muito calor, penumbra e estantes vazias, por vezes só se via o brilho rápido das lanternas de mão ou colocadas na cabeça, como se o espaço tivesse sido invadido de espeleólogos de livros.

Por volta das 11h30, quem saía de dentro do ventre escuro da antiga livraria, avisava as centenas e centenas de pessoas que ainda estavam cá fora, à espera de conseguir entrar: «já não vale a pena, não há livros, está tudo vazio». Mas nem a chuvinha miúda que entretanto começou a cair desmobilizou os mais interessados.

A oferta à população dos milhares de livros que ainda restavam na antiga Livraria Simões, fechada em 2015 devido às dificuldades financeiras do alfarrabista Carlos Simões, foi uma iniciativa do proprietário do espaço situado na Rua do Alportel, em Faro, e da associação cultural APOS.

 

 

Mas, tal como o Sul Informação revelou na semana passada, o espólio da antiga Livraria Simões já tinha reforçado as estantes de várias entidades públicas da região, entre as quais as bibliotecas municipais de Faro e Olhão e a da Universidade do Algarve. E, segundo disse ontem Vitor Matias, o responsável pela APOS, ao nosso jornal, «nestes últimos dias também abrimos as portas a muitas outras entidades, associações, bibliotecas escolares, entre outras».

O anúncio da oferta dos livros que ainda restavam na loja gerou uma onda de interesse e de comentários nas redes sociais, ao longo dos últimos dias. A maioria criticando a alegada falta de apoio dada por entidades oficiais ao alfarrabista Simões.

Mas quem estiver mesmo, mesmo interessado em livros e na sorte do Sr. Simões, pode ainda visitá-lo e comprar as muitas publicações que tem para venda na sua atual loja, situada agora na Rua Capitão José Vieira Branco, 7, 8000-239 Faro (telefone 289 826 618; simoes@livrariasimoes.com).

E até pode visitá-la virtualmente, para ver o muito que por lá ainda se encontra, tornando-se amigo da sua página de facebook.

Como diz a APOS na sua própria página de facebook, «atendendo a que todos estes livros são o resultado de anos e anos de trabalho do sr. Simões, pensamos que todos os que lá foram e todos os amantes do livro em geral, bem poderão um dia passar pela atual Livraria Simões e comprar um livro. É o mínimo que poderemos dar a quem nos deu estes livros!»

 

Fotos e vídeos: Elisabete Rodrigues|Sul Informação

 

 

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