Ponte pedonal vai ligar Alcoutim e San Lúcar durante o Festival do Contrabando

Atravessar o Rio Guadiana a pé, para ir de Alcoutim até San Lúcar, vai ser possível nos três dias de […]

Atravessar o Rio Guadiana a pé, para ir de Alcoutim até San Lúcar, vai ser possível nos três dias de Festival do Contrabando – Tráfico de Artes do Guadiana, evento cultural que decorrerá de 24 a 26 de Março neste concelho do Nordeste algarvio.

Uma ponte pedonal flutuante vai ser instalada pela Câmara alcouteneja, que organiza o evento, para permitir uma fácil e segura circulação entre as duas margens do rio e os dois países que este separa.

«Acabámos de garantir que poderemos instalar esta ponte, que será o ex-libris do festival e permitirá atravessar o rio até Espanha a pé seco. Estará montada durante os três dias de festival, ainda que condicionada a algumas exigências de segurança, com as quais concordamos e subscrevemos na íntegra», revelou ao Sul Informação o presidente da Câmara de Alcoutim Osvaldo Gonçalves.

Será acautelada a segurança das pessoas que atravessam a ponte, mas também a navegabilidade do Rio Guadiana, pelo que «a ponte estará aberta em alguns períodos, mas terá de fechar temporariamente noutros, para permitir a circulação».

Além das medidas de segurança que a própria estrutura a instalar integrará, também haverá uma forte presença da Autoridade Marítima portuguesa e da sua congénere espanhola, que enviarão meios para o local, de modo a regular a navegação e também fazer vigilância de segurança no rio.

Estas duas entidades tiveram um papel preponderante em todo o processo, já que só a sua autorização tornará possível que seja instalada a ponte. Desta forma, Alcoutim esteve em conversações com as entidades que têm jurisdição sobre o Guadiana, de Portugal e Espanha, tendo recebido luz verde para avançar com a sua ideia.

A instalação desta ponte foi a forma encontrada por Alcoutim para atrair ainda mais público, e de ambos os lados da fronteira, a este evento com o selo do programa 365 Algarve, que pretende revisitar e celebrar o passado deste concelho fronteiriço, onde o contrabando ocupou, a dada altura, um lugar de destaque. Apesar de ser uma atividade com um forte pendor comercial (e ilegal), o contrabandismo foi também promotor de trocas culturais entre Portugal e Espanha, vertente que será explorada neste festival, como o nome da iniciativa dá a entender.

Se o entusiasmo demonstrado pela vizinha San Lúcar do Guadiana, a localidade espanhola que existe do outro lado do Guadiana, frente a Alcoutim, servir de referência, o Festival do Contrabando poderá contar com muitos visitantes do país vizinho. San Lúcar vai aproveitar a instalação da ponte para se unir ao evento e «propor um programa complementar ao nosso».

«Há uma articulação efetiva e uma ativa participação de San Lúcar no festival. Nós concorremos ao 365 Algarve, que não contempla projetos transfronteiriços. Mas eles também conseguiram apoios de âmbito regional, do lado de Espanha, e vão avançar com programação própria, para esses dias», revelou Osvaldo Gonçalves.

Segundo o edil alcoutenejo, tem havido «uma colaboração intensiva» entre o concelho do Nordeste algarvio e o seu vizinho espanhol, que tem tido «um papel fundamental na organização do festival» e vai ajudar Alcoutim a divulgar o evento.

Quanto à programação do festival, ainda não foi divulgada, mas estará intimamente ligada à herança cultural alcouteneja. Segundo Osvaldo Gonçalves, não irão faltar «recriações históricas do período áureo do contrabandismo, garantidas por figurantes, onde não faltarão os contrabandistas, mas também a guarda fiscal».

Ou seja, quem se dirigir a Alcoutim no último fim-de-semana de Março vai “mergulhar” no rio da memória, mas com a possibilidade de manter os pés secos na travessia a pé do Rio Guadiana.

Para conseguir tudo isto, Alcoutim vai investir «cerca de 130 mil euros», verba que contempla tanto a programação do festival em si, como a instalação da ponte. «No âmbito da candidatura que fizemos ao 365 Algarve, teremos uma comparticipação da Região de Turismo de cerca de 87 mil euros», acrescentou Osvaldo Gonçalves.

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