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Meros na costa algarvia são «atração imediata» para o turismo subaquático

Foto: Ana Madeira

Foto: Ana Madeira

Estão no topo da cadeia alimentar marinha, mas o Homem tem-se encarregado de fazer do mero uma espécie em vias de extinção na costa algarvia. Agora, aos poucos, há a intenção de fazer com que este peixe, muito dócil, volte a habitar as águas do Algarve, não só com fins ecológicos, mas também turísticos, uma vez que este é um dos animais preferidos dos mergulhadores, que chegam a fazer centenas de quilómetros para ter a oportunidade de encontrá-los.

Para atingir este fim, o IPMA (Instituto Português do Mar e da Atmosfera) libertou, esta segunda-feira, ao largo de Quarteira, 100 meros, numa iniciativa acompanhada pelo Sul Informação. Os barcos de pesca, mais habituados a retirar peixe do oceano, fizeram exatamente o oposto e devolveram estes 100 animais, criados na Estação Piloto de Piscicultura de Olhão (EPPO), ao seu habitat natural.

 

Foto: Oleh Brevus.

Pedro Lino (esq.) coordenou a ação. Foto: Oleh Brevus

Os meros, que vivem em buracos nas rochas, foram libertados «em várias pedras locais: na Balancial de Fora, Balancial de Terra, Carocho, Joaquim Tomás, Pedra Nova e Loulé Velho», explicou ao nosso jornal Pedro Lino, investigador do IPMA, que coordenou a ação.

Se estes locais lhe parecem estranhos, pode dar uma vista de olhos ao mapa da toponímia dos mares do Algarve, para se localizar.

«O objetivo é fazer experiências de repovoamento com esta espécie muito importante para a cadeia alimentar, porque é um predador de topo, mas também porque está em vias de extinção, numa zona onde já foi muito importante», adiantou Pedro Lino.

 

Foto: Samuel Ramos.

Foto: Samuel Ramos

Além da perspetiva ecológica, «a atração imediata é no mergulho. Esta é uma espécie emblemática, que faz qualquer mergulhador, quando a encontra, sentir-se satisfeito. Depois há uma vantagem: o mero, quando adota um buraco numa rocha, passa a viver nesse sítio. Quando um mergulho é organizado para esse local, é garantido que o mergulhador vai sentir-se satisfeito».

Os meros são animais que não temem predadores e isso ajudou a que estejam, neste momento, em risco de desaparecer da costa algarvia. «A costa do Algarve é uma zona com pesca intensa e, depois, como é um predador de topo, existe em baixa densidade e não tem medo de outros predadores, nomeadamente de seres humanos. Quando um mergulhador ou um caçador submarino se aproxima, ele vai ter com eles, e é assim que é, muitas vezes, o seu fim», explica o investigador.

 

Foto: Diogo Gordinho Lima

Foto: Diogo Gordinho Lima

O facto de os pescadores e armadores, nomeadamente através da Armalgarve  – Associação de Armadores de Pesca de Polvo do Algarve, estarem envolvidos neste projeto, participando inclusive na escolha dos locais onde os meros foram libertados, é realçado por Pedro Lino: «as ameaças que levaram ao risco de extinção dos meros continuam ativas e é por isso que estamos a fazer isto em colaboração com as associações de pescadores e armadores e de mergulho, para apelar às pessoas que estão em contacto com este peixe, que lhe dêem uma oportunidade. Se o capturarem vivo, que o libertem e, se estiver morto, que nos reportem a informação».

A possibilidade de entrar em contacto com o IPMA, caso um pescador ou mergulhador encontrem um destes meros, é facilitada porque, cada um, «tem uma marca individual com um número. Sabemos onde os largámos e o objetivo é saber se eles ficam no local onde os libertámos ou se se deslocam para outros sítios. Essa marca tem o nosso número de telefone, para que, quem encontre um destes peixes, possa reportar o que viu».

 

Mergulhadores depositaram meros em pedras sugeridas pelos pescadores. Foto: Ruben Caeiro.

Mergulhadores depositaram meros em pedras sugeridas pelos pescadores. Foto: Ruben Caeiro

A divulgação dos locais onde foram libertados os meros é, para Pedro Lino, «uma faca de dois gumes. Se não divulgamos, não recebemos a informação de volta e acabamos sem feedback. Se divulgamos, corremos o risco de as pessoas irem lá pescar deliberadamente», até porque, no caso da caça submarina, «é um troféu, devido ao seu tamanho muito grande, mas não pela dificuldade de o capturar».

Comercialmente, o mero tem «muito valor», mas uma fraca rentabilidade, de acordo com o investigador do IPMA. «Na estação de aquacultura, conseguimos produzir estes peixes, mas não são rentáveis. Em quatro anos, ficam com 1,5 quilos, não têm um crescimento rápido. Mas, no futuro, não se sabe, à medida que o peixe selvagem vai diminuindo… Agora já se considera a hipótese de fazer sardinhas, o que aqui há uns anos era uma parvoíce…», conclui.

Para esta terça-feira, estava prevista a libertação de mais 50 meros, ao largo de Armação de Pêra, mas, devido ao Sueste, a ação foi adiada.

 

Veja as fotos da libertação dos meros, da autoria de alunos do curso de Fotografia Profissional da ETIC_Algarve:

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