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AAUAlg teme que novas regras da praxe tornem mais difícil controlá-la

NC

Desfile do Caloiro 2015

O reitor da Universidade do Algarve impôs regras apertadas para a receção dos novos estudantes da Universidade do Algarve pelos seus congéneres que já estudam na instituição, mas o presidente da Associação Académica da Universidade do Algarve (AAUAlg) Rodrigo Teixeira teme que isso só venha «retirar transparência» ao processo, levando os alunos a realizar as praxes fora da universidade – e dos olhares da comunidade académica.

Apesar de admitir concordar com algumas das restrições impostas pela reitoria, Rodrigo Teixeira diz discordar com «a forma como tudo isto foi feito», já que, afirmou ao Sul Informação, «não é só por se proibir que as coisas mudam». E avisa que a medida irá «afastar os alunos dos campi», o que tornará mais difícil o enquadramento das atividades de praxes pela associação académica e  pelos alunos mais velhos.

Assim, os estudantes não vão “engolir” a decisão e prometem um protesto durante um dos eventos visados pelo despacho do reitor: o Desfile do Caloiro.

A reitoria proibiu que, neste evento tradicional da Receção do Caloiro, fossem «usadas substâncias que ofendam a higiene e a saúde, individual ou pública, nomeadamente que visem criar maus odores ou sujidade nos estudantes». Também não é permitido «distribuir ou fornecer, a qualquer título, bebidas alcoólicas a alunos que integrem o cortejo».

Os estudantes não ficaram felizes, até porque, diz Rodrigo Teixeira, foram apanhados desprevenidos com o teor do despacho, apesar de representantes seus terem estado reunidos com o reitor a 6 de Setembro, sem que lhes tivesse sido dito que estas medidas seriam tomadas. Por isso, já decidiram realizar um protesto durante o desfile de dia 27 de Setembro (terça-feira), cujos moldes «serão divulgados em breve».

«Nos últimos anos, tentámos regressar às origens do desfile, com um tema e em que as coisas funcionavam mais ou menos como um cortejo de Carnaval», explicou o presidente da AAUAlg. Algo que, agora, não será muito fácil de conseguir, o que justifica esta manifestação, acredita.

As novas regras para o desfile são apenas uma parte de um despacho relativo ao processo de praxes lançado pela reitoria da Universidade do Algarve no dia 8 de Setembro, pouco antes do começo das aulas e das inscrições de novos alunos.

Nele, também se proibia a realização de qualquer tipo de atividade de praxe na semana que passou, a das inscrições de novos alunos, e em determinados horários desta segunda-feira, para a qual estão agendadas apresentações das diferentes unidades orgânicas, dirigidas aos caloiros.

«A questão das praxes durante a semana de inscrições nem sequer se coloca, é uma daquelas medidas “para inglês ver”, já que nunca houve praxes nessa altura», assegurou Rodrigo Teixeira. Já as restrições às praxes durante o dia de hoje, segunda-feira, não são contestadas pela AAUAlg, apesar desta ter garantido de antemão que as diferentes Comissões de Praxe «fossem com os alunos do 1º ano a essas sessões».

 

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AAUAlg montou programa de «integração solidária» com instituições de Faro

Apesar de haver pontos de discórdia, como as novas regras para o desfile, há muitos com os quais a AAUAlg concorda e pelos quais está a batalhar, garantiu Rodrigo Teixeira. Um deles é a realização de atividades de receção aos novos alunos que saiam da matriz que habitualmente se associa às praxes, de jovens pintados e sujos, por vezes com cheiros a condizer, e alunos mais velhos a gritar ordens e a obrigá-los a fazer atividades, muitas vezes, pouco dignas (práticas que também são proibidas pelo despacho do reitor).

«Lançámos este ano um projeto de integração solidária, uma iniciativa da AAUAlg. No passado, já havia cursos a promover este tipo de ações, em que os caloiros são chamados a contribuir para causas solidárias. Este ano, nós integrámo-las todas, numa parceria com diversas instituições do concelho de Faro», revelou.

Estas atividades incluem aulas de surf na Praia de Faro, a pintura das paredes do quartel dos Bombeiros Voluntários de Faro e a recolha de alimentos para animais abandonados, entre muitas outras. «Amanhã também teremos uma tarde desportiva», anunciou Rodrigo Teixeira. Muitas destas atividades estarão enquadradas no programa da Semana de Receção ao Caloiro.

Por outro lado, como acontece desde há alguns anos, todos os estudantes que vão estar oficialmente responsáveis pela integração dos novos alunos, as chamadas Comissões de Praxe, tiveram de participar em sessões pedagógicas, onde se procurou transmitir o espírito que se pretende, com as praxes, e os limites destas atividades.

Esta iniciativa é levada a cabo pela AAUAlg, em parceira com o Conselho de Veteranos, «composto por 33 alunos com quatro ou mais matrículas», que são também responsáveis por “manter na linha” os seus colegas mais novos.

Esta tarefa, considerou Rodrigo Teixeira, será dificultada pelas restrições impostas pela reitoria. «Isto só vai afastar mais os estudantes da Universidade e levá-los a praxar noutros locais. Com isso perde-se a transparência que conseguimos, ao ter as praxes dentro dos campi», considerou.

O reitor, por seu lado, promete ter mão pesada em relação a eventuais prevaricações, avisando que «o incumprimento das regras será considerado uma infração disciplinar».

«Consequentemente, qualquer reclamação recebida (…) será seriamente averiguada e, em caso disso, dará lugar a processo disciplinar ou, em últimas consequências, à participação às autoridades judiciais», conclui o despacho reitoral.

Este despacho do reitor António Branco foi dado a conhecer ao mesmo tempo das conclusões de outro processo, o dos três alunos da UAlg envolvidos na praxe que, no ano passado, levou ao hospital uma aluna caloira.

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