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Pescadores do Burgau já têm novos armazéns para apoio à pesca artesanal

Burgau_novo armazem pescadores_01«Há muito tempo que estávamos à espera disto!», dizia, com um brilho nos olhos, Vidal Marreiros, 68 anos, pescador há 40, e antigo presidente da Assembleia Municipal de Vila do Bispo.

O velho pescador, que agora tem um camarada no seu barco, para o ajudar e aprender o ofício e a quem tenciona passar depois a embarcação, referia-se à inauguração do edifício dos armazéns de apoio à pesca artesanal do Burgau, no concelho de Vila do Bispo, que foram inaugurados esta sexta-feira.

O edifício situa-se de frente para a praia, a escassos metros do areal. «Antes, o que havia aqui era uns barracões, que até estragavam esta zona da praia. Agora, temos melhores condições, temos aqui um apoio, se chegarmos a uma hora mais tardia, podemos ter aqui uma arca para o peixe, gelo. Os pescadores já mereciam isto», acrescentou.

Da mesma opinião é o presidente da Câmara de Vila do Bispo, que considerou esta como «uma obra desejada há muitos anos, para acabar de uma vez por todas com os barracões». Adelino Soares acrescentou que a obra custou no total 230 mil euros, financiados através do programa Promar, dos quais 85 mil euros foram investimento assegurado pela Câmara.

Presente na cerimónia, José Apolinário, secretário de Estado das Pescas, acrescentou que esta «requalificação destinou-se a dar melhores condições aos pescadores que aqui ainda resistem, mas também a requalificar a frente de praia do Burgau».

 

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E o Burgau, que já teve «13 barcos de convés corrido e 40 botes de pesca», está hoje reduzido a cerca de uma vintena de pescadores. No novo armazém, com dez espaços, apenas nove estão já ocupados. Os quatro de baixo destinam-se às embarcações de pesca costeira, as pequenas traineiras da arte de cerco, com uma companha de meia dúzia de homens, no máximo, que pescam sardinha, carapau, cavala.

Os barcos estão em Lagos, no porto com melhores condições, «mas fazia-nos falta estes armazéns aqui, porque a gente vive no Burgau, e se, num dia de temporal, quiser remendar uma rede, tem aqui condições», como explicou Mário Anastácio, de 47 ano, pescador desde os 15.

Os seis armazéns do primeiro andar, destinam-se às embarcações de pesca local, muitas vezes ocupados por um único pescador, mais raramente por dois.

«O que nos fazia aqui mesmo falta agora era ter uma pessoa da Docapesca que passasse as guias para podermos transportar o peixe daqui para as lotas de Sagres ou de Lagos, por terra, sem medo de sermos apanhados porque não temos guia», aproveitava para reivindicar Vidal Marreiros.

Na curta cerimónia de inauguração, o secretário de Estado das Pescas aproveitou para falar aos pescadores sobre o dinheiro que está disponível para «projetos de pequena atividade económica» ligada ao mar, no âmbito dos DLBC: «pode ser para uma arca congeladora, uma máquina de gelo, uma carrinha para melhor vender o peixe ou para outras atividades, nomeadamente as ligadas ao turismo e aos desportos náuticos».

Para isso, no Barlavento algarvio, há «cerca de 3,5 milhões de euros e há técnicos que vos podem ajudar nos projetos e nas candidaturas», incitou José Apolinário. «O objetivo é alavancar projetos de proximidade, que ajudem a manter estas pequenas comunidades piscatórias, a dar-lhes dinamismo e até a criar algum emprego», explicou o governante.

 

Fotos: Elisabete Rodrigues|Sul Informação

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