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Três empresas concorrem para fornecer câmara hiperbárica ao Hospital do Barlavento Algarvio

O concurso para a compra e instalação de uma câmara hiperbárica no Hospital do Barlavento Algarvio, em Portimão, teve três concorrentes e o vencedor deve ser anunciado ainda esta semana, revelou ao Sul Informação o responsável pela Musubmar, associação sem fins lucrativos cujo objetivo é desenvolver o turismo subaquático em Portugal.

Luís Sá Couto, mentor principal do parque subaquático «Ocean Revival», promovido pela Musubmar, adiantou que «lá para setembro» deverá já começar a funcionar esta câmara hiperbárica, cuja principal finalidade será permitir o tratamento de vítimas de acidentes descompressivos (mergulhadores), de intoxicações por monóxido de carbono ou de surdez súbita.

No caso da unidade a instalar em Portimão, que deverá custar cerca de meio milhão de euros, permitirá tratar em simultâneo dez doentes e será doada ao Hospital do Barlavento Algarvio ao abrigo do projeto «Ocean Revival».

O objetivo é que a câmara hiperbárica dê apoio, em primeiro lugar, a eventuais acidentes cujas vítimas sejam mergulhadores na costa algarvia, em especial os que visitarem os antigos navios da Marinha Portuguesa afundados ao largo de Alvor, no âmbito do projeto «Ocean Revival».

Além dos acidentes descompressivos, o equipamento permitirá ainda tratar outras patologias como a surdez súbita, lesões do pé diabético e outras feridas crónicas, ou queimaduras.

A futura câmara hiperbárica de Portimão será instalada no piso -1 do hospital e será operada por uma equipa rotativa, integrando um médico, um enfermeiro e um técnico. O equipamento ficará a funcionar na rede do Serviço Nacional de Saúde, sendo que os doentes referenciados pelo SNS não pagarão, enquanto os doentes privados pagarão a utilização da câmara, mediante uma tabela de preços a definir.

Até agora, sempre que há acidentes de descompressão com mergulhadores no Algarve, as vítimas têm que ser transportadas para o Hospital da Marinha, em Lisboa, onde funciona a unidade mais próxima. Ora isso, segundo o responsável pelo projeto «Ocean Revival», não garantia a segurança necessária para o desenvolvimento do parque subaquático criado ao largo de Alvor, que se pretenda que atraia todos os anos milhares de mergulhadores de toda a Europa.

«Para garantir a máxima segurança é imprescindível a aquisição, instalação e adaptação hospitalar de uma Câmara Hiperbárica», salienta o projeto «Ocean Revival» no seu site.

A câmara ficará, assim, «ao serviço dos mergulhadores, permitindo manter uma pressão controlada em eventuais situações de emergência», mas «ficará sobretudo ao serviço da comunidade local e do país, constituindo assim um importante investimento na saúde e assegurando, em suma, outras aplicações medicinais noutro género de terapias».

Em Portugal Continental, há um outro equipamento instalado, no âmbito do SNS, mas situa-se no Norte do país, no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos. Também as cidades do Funchal (Madeira) e da Horta (Açores) estão dotadas com câmaras hiperbáricas.

Amanhã, terça-feira, o secretário de Estado do Turismo estará na Praia da Rocha, na sede da empresa Subnauta, de Luís Sá Couto, para conhecer o projeto «Ocean Revival» e depois fazer um mergulho neste parque subaquático, que é apresentado como fundamental para desenvolver o turismo de mergulho no Algarve.

No dia 15 de junho, será afundado o terceiro antigo navio da Marinha Portuguesa, a fragata «Comandante Hermenegildo Capelo».

 

O que é uma câmara hiperbárica?

As câmaras hiperbáricas são, em essência, cilindros metálicos resistentes à pressão (estanques), dotados de vigias ou janelas.

As câmaras multipacientes, como a que será instalada no hospital de Portimão, permitem a entrada de 2 ou mais pessoas simultaneamente, permitindo a entrada de acompanhante (técnico, enfermeiro ou médico).

Para que os acompanhantes não sejam afetados pelo tratamento, esse tipo de câmara é pressurizado com ar comprimido, sendo o oxigénio fornecido para os pacientes através de máscaras ou capuzes específicos.

Durante a oxigenioterapia hiperbárica conduzida em câmaras multipacientes, um técnico de enfermagem especialmente treinado, enfermeiras hiperbaristas ou mesmo o médico hiperbarista (sendo assim chamados de “guias internos”), acompanham os pacientes no interior da câmara durante a sessão, assistindo-os diretamente na colocação das máscaras ou capuzes ou administrando medicamentos.

Estas câmaras tem a grande vantagem de permitir a entrada de macas e outros equipamentos úteis no tratamento de pacientes críticos.

As sessões costumam durar 120 minutos (2 horas). Câmaras multipacientes permitem a monitorização de sinais vitais de pacientes graves durante o tratamento.

 

 

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