Bolsas ajudam universitárias de São Brás de Alportel a estudar e a sonhar

As bolsas de estudo não ajudam apenas a suportar as despesas de um curso superior, também são uma forma de […]

As bolsas de estudo não ajudam apenas a suportar as despesas de um curso superior, também são uma forma de apoiar sonhos.

Esta foi a mensagem que quatro estudantes universitárias de São Brás de Alportel, apoiadas pela autarquia sambrasense, deixaram numa reunião que mantiveram com o presidente da Câmara e os seus vereadores, na semana passada.

O executivo camarário de São Brás de Alportel aproveitou as férias de Páscoa para conhecer melhor as quatro jovens sambrasenses que beneficiam da bolsa de estudo oferecida pela autarquia desde há dois anos. Quatro histórias bem diferentes, espalhadas pelo país, cujo denominador comum é o brio e a vontade de ter sucesso na vida.

Num pequeno almoço descontraído, que teve lugar na passada quinta-feira no gabinete do presidente da Câmara de São Brás António Eusébio, para o qual o Sul Informação também foi convidado, Marília Martins, Adriana Fernandes, Beatriz Viegas e Telma Clara deram-se a conhecer e também expressaram os seus objetivos para o futuro.

A boa disposição esteve sempre presente na reunião e a conversa acabou por ser informal. Num concelho com cerca de 10 mil habitantes, não é difícil encontrar pontos de referência, já que há sempre um parente, mais ou menos próximo, que aprofunda a familiaridade entre os presentes.

Uma forma de aliviar o ambiente e colocar mais à vontade as jovens, pouco habituadas a conviver de tão perto com o presidente da autarquia e os vereadores Vítor Guerreiro e Marlene Guerreiro. António Eusébio aproveitou ainda para dar alguns conselhos às jovens, baseado na sua experiência como professor da Universidade do Algarve.

A universidade algarvia acolhe uma das duas estudantes que beneficiam do apoio desde o ano letivo passado. Telma Clara está no segundo ano do curso de Design de Informação, mas tem vindo a descobrir uma nova vocação, que até pensa seguir, no futuro. «Como estou nos bombeiros, descobri um gosto pelo setor da saúde. Penso em tirar um curso de socorrista», disse.

A saúde é, de resto, a área de eleição da maioria das jovens presentes. Adriana Fernandes é estudante da audiologia na Escola Superior de Saúde do Porto e Marília Martins é estudante de medicina em Lisboa e são ambas alunas de primeiro ano.

No primeiro caso, a jovem sambrasense depressa se coloca à vontade. Há menos de um ano a viver no Porto, Adriana já mostra ter apanhado o sotaque nortenho e a desenvoltura associada aos habitantes do Norte, algo que não é de espantar, uma vez que é natural de Paredes de Coura e apenas se mudou para o Algarve com 11 anos.

«Sonho fazer voluntariado internacional durante pelo menos um ano, de preferência em África, quando acabar o curso», revelou a estudante de Audiologia.

Bem mais tímida, Marília Martins fala pouco. Quando desafiada a falar dos seus objetivos, diz querer «acabar o curso no tempo certo», para não sobrecarregar a família. «Quero ser uma médica competente, porque há muitas pessoas a exercer sem que o sejam», disse ainda, apesar de confessar que ainda não tem ideia da especialidade que irá seguir, até porque ainda está no primeiro ano de curso.

A outra aluna do segundo ano apoiada pela autarquia estuda na Universidade de Coimbra. Beatriz Viegas é estudante de Relações Internacionais e traça como objetivo futuro trabalhar no setor diplomático, «numa organização internacional».

Para já, não esconde o entusiasmo de estar inserida numa universidade conhecida pela sua tradição académica.

Estas são bolsas de mérito, às quais só podem concorrer alunos do secundário que residam há mais de três anos no concelho com média superior a 14 valores. Mas são igualmente apoios que têm em conta a dimensão social, já que as famílias destas jovens «não tem tantos recursos como seria necessário». O valor das bolsas tem em conta a situação do agregado familiar das jovens.

Sem este apoio, seria bem possível que parte ou mesmo todas as estudantes apoiadas tivessem de desistir do curso. Algo que, confessa Telma Fernandes, tem acontecido a outros universtários. «Muitos dos meus colegas de turma estão a desistir por não conseguir pagar as despesas», disse a estudante da Universidade do Algarve.

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