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Cátedra André Jordan coloca UAlg na vanguarda da investigação em turismo

Uma cátedra André Jordan vai ser criada na Universidade do Algarve para colocar esta academia na vanguarda da investigação sobre turismo em Portugal e a nível internacional.

O projeto da cátedra passa por fomentar a investigação aplicada no turismo e vai ser financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, bem como por empresas. Assim, contará com a parceria de uma rede de empresas ligadas ao setor, que está ainda a ser definida, revelou esta quinta-feira, em mais uma sessão do evento «Inovar Algarve», João Albino Silva, professor da Faculdade de Economia da Universidade do Algarve.

O objetivo, disse, é «ligar a teoria à prática, assumindo o carácter de empreendedor e de inovação no Turismo em Portugal e no Algarve que reconhecemos na figura de André Jordan», patrono da cátedra.

Para essa cátedra, que tem como consultor científico internacional o professor Jafar Jafari, serão atraídos «os melhores investigadores», de modo a «conferir-lhes a maior capilaridade com o setor privado e o tecido empresarial», acrescentou João Albino Silva, que esta quinta-feira fechou a sessão sobre «Turismo: Modalidades, Destinos, Produtos e Comportamentos», da iniciativa «Inovar Algarve» que está a decorrer desde dia 5 e termina hoje na Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, nas Gambelas (Faro).

Este professor disse ainda que se pretende «promover, através de uma cátedra académica, o Silicon Valley do turismo em Portugal»., bem como «aprofundar a relação entre os setores público e privado, na gestão do turismo (modelo de negócio, modelo de análise e informação de gestão), para torná-la mais sofisticada e competitiva.

A cátedra, anunciou João Albino Silva, terá uma duração de três a cinco anos e irá começar em 2013, contando com financiamento privado e público, através de empresas e da FCT. Contará com três a cinco investigadores ou bolseiros, que formarão uma equipa fixa de investigação aplicada no turismo.

Para operacionalizar a cátedra, será também criado um Conselho Consultivo, que envolverá outras universidades, muitas delas estrangeiras, bem como empresas, ligadas aos mais diversos setores, da hotelaria aos transportes, da animação à distribuição, entre outros.

Haverá uma grande aposta na difusão do conhecimento e da investigação produzida no âmbito dessa cátedra, até porque se trata de investigação aplicada, prevendo-se, nomeadamente, a organização de uma grande conferência internacional, entre muitos outros eventos e iniciativas.

«A cátedra é uma tentativa de integrar um conjunto de conhecimentos fundamentais para as empresas do turismo», acrescentou João Albino Silva em declarações ao Sul Informação, no fim da sessão.

Por seu lado, Ifigénio Rebelo, também professor na Faculdade de Economia e moderador da sessão paralela sobre Turismo, comentou: «somos líderes na investigação em turismo e a Cátedra André Jordan pretende exatamente reforçar essa liderança».

 

Empreendedores mostram como se pode inovar no Turismo

 

Mas não foi só da Cátedra André Jordan que se falou na sessão paralela sobre «Turismo: Modalidades, Destinos, Produtos e Comportamentos». Porque o ciclo «Inovar Algarve» pretende precisamente colocar face a face investigadores e empreendedores (e às vezes eles até se confundem, com investigadores a tornar-se empresários), para promover a troca de conhecimento, pela sessão passaram os responsáveis por alguns dos mais inovadores empreendimentos e investimentos em turismo e hotelaria no Algarve – Diogo Perry, do Faro Hostel «Casa d’Alagoa», Daniel Machado, da Ecoceanus, António Ferreira, da Aldeia da Pedralva, João Bago de Uva, da Herdade da Corte, Élio Vicente, do Zoomarine, Jorge Papa, do Morgado do Reguengo, Reinaldo Teixeira, da Garvetur, ou José Carlos Leandro, da Central de Compras Portugal Mais.

E neste rol pode até colocar-se Duarte Padinha, vice-presidente do Turismo do Algarve, que apresentou as inovações que esta entidade vai tornar públicas em breve, através de uma parceria com a ACRAL (Associação de Comércio e Serviços do Algarve) e que passam pela criação do Cartão SpeciAlgarve, um cartão do turista que permite acumular descontos, que se transformam em pontos para usar na aquisição de produtos tradicionais, ou ainda as Montras Interativas, que apresentarão toda a oferta turística e não só do Algarve, de uma forma acessível 24 horas por dia.

Daniel Machado, que consubstancia a transferência de conhecimento da Universidade do Algarve para o mundo empresarial, já que foi estudante e investigador na área da Biologia Marinha e depois criou a Ecoceanus, na área da animação turística, falou do projeto «We Like Sharks».

Trata-se de um projeto que é 100% inovador em Portugal continental e mesmo a nível mundial, já que liga animação turística – criar um produto que passe por levar os turistas para o mar algarvio para conhecerem os tubarões que existem na nossa costa, através do mergulho e observação de tubarões – com ciência e investigação.

Até agora, o projeto «We Like Sharks», que é financiado pela fundação internacional Save Our Seas, tem promovido mergulhos experimentais e saídas para o mar, marcação de tubarões, educação e sensibilização, com visitas a escolas que começaram em setembro.

«Trata-se de um produto pensado, estruturado de raiz, com pessoal qualificado nas várias áreas», acrescentou Daniel Machado.

«Estaremos a pôr os turistas na água em Maio do próximo ano», anunciou ainda o responsável pela Ecoceanus.

Por seu lado, Diogo Perry, um dos co-criadores do primeiro hostel em Faro, a Casa d’Alagoa, explicou que este investimento surgiu por terem identificado «um nicho de mercado no turismo jovem». «No Algarve, existe falta de oferta para este tipo de viajantes. Em Lagos há, mas em Faro não havia e é aqui que está o aeroporto low cost, é Faro que faz a ligação a Lisboa ou a Sevilha».

Diogo Perry explicou que o turista que procura um hostel «está muito menos tempo num só local» e «anda à procura de experiências genuínas, fora do que é procurado pelo turista normal».

O empresário salientou que «a Universidade pode trazer-nos algumas oportunidades, nomeadamente investigando a identificação dos perfis e tendências deste tipo de turistas».

A este propósito, Adão Flores, professor da Faculdade de Economia e investigador na área do turismo, haveria de comentar depois o boom dos hostels que tem estado a dar-se no Algarve (há três em Lagos, dois em Portimão, um em Aljezur e outro em Faro), salientando o grau de inovação neste tipo de investimento.

António Ferreira, da Aldeia da Pedralva (Vila do Bispo), salientou que este seu produto (ecoturismo de aldeia) é, em si, inovador, já que «foge ao padrão, com todos os riscos que estão associados a essa inovação». O empresário salientou que «a inovação já em si própria é um caminho de solidão, de quem optou por fazer algo de diferente e que por isso enfrenta mais riscos».

Um risco que, sublinhou, se torna ainda maior quando «este tipo de investimento em algo que não é o standard não é acompanhado com uma inovação mais generalizada do território» do Algarve.

António Ferreira defendeu também que «a inovação no Algarve tem de ser percebida e liderada». «É preciso inovação até ao nível da imagem. Sobre o Algarve, a imagem da gruta está gasta!», frisou este empresário que já foi publicitário numa das maiores agências de publicidade portuguesas.

João Bago d’Uva, que tem estado ligado ao turismo rural, nomeadamente, nos tempos mais recentes, à Herdade da Corte, em Santa Catarina da Fonte do Bispo (Tavira), preferiu trabalhar do portal de turismo responsável que está a criar na internet. Trata-se do projeto experienceyou,ne, um portal que há de permitir definir «programas de viagem que transmitam experiências únicas para os viajantes».

Um dos enfoques deste portal será no «voluntourism» ou turismo solidário, que permitirá «juntar tudo o que é habitual, com uma componente de entrega pessoal a um projeto social ou ambiental na comunidade que é destino da viagem».

Élio Vicente, outro biólogo marinho que se reconverteu para o mundo dos negócios, responsável pelo Zoomarine, na Guia (Albufeira), falou sobre toda a inovação que foi a criação deste Parque Oceanográfico de Entretenimento Educativo, mas salientou que, ao longo dos anos, foi sempre sendo incorporada mais e mais inovação.

Exemplo bem conhecido disso é o Porto d’Abrigo, o espaço de reabilitação para animais marinhos, que foi o primeiro a ser criado em Portugal e que tão bom trabalho, até ao nível da investigação, tem feito.

De futuro, graças a uma candidatura ao QREN, serão investidos três milhões de euros em áreas inovadoras, nomeadamente «novas ofertas pedagógicas» e no «reforço do e-commerce».

 

Fotos: CRIA/Eurídice Cristo

 

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