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Diretora: Elisabete Rodrigues   •   24-04-2014   •   Semana 113

Destaques

Crónica à bruta

 

Deixem-me dizer-vos assim: eu acho que vocês estão todos parvos. A sério, acho mesmo.

Anda toda a gente muito ofendida com a Isabel Jonet, porque a presidente do Banco Alimentar (BA) foi à SIC Notícias dizer umas verdades sobre a forma como nos relacionamos com o consumo.

Basicamente, Jonet diz que andámos durante anos – nós, os portugueses – a viver acima das nossas possibilidades e que, agora, confrontados com a realidade, temos mais é que reduzir o consumo e adequar o nosso estilo de vida ao rendimento real. Nada mais verdadeiro.

A presidente do BA usa, a propósito, duas imagens perfeitas: o bife, que não se pode comer todos os dias; e o copo quando se escovava os dentes, substituído pela torneira aberta.

Os comentários de Jonet, que diz ainda que a pobreza em Portugal é conjuntural, estão a provocar uma onda de reações negativas e a mesma mulher que durante anos foi unanimemente reconhecida pelo seu trabalho solidário, é agora o mais recente ódio de estimação nacional. Ora, a dimensão do disparate torna clara uma coisa fundamental: ainda não percebemos.

Portugal tem dois ajustamentos em curso: o do Estado (e sobre todas as críticas são válidas) e o das pessoas.

Ainda não percebemos que Portugal é um país de parcos recursos, cheio de gente vaidosa, para quem a vida só o é se puder ser vista num televisor LED e fotografada por uma câmara de 12 megapixel.

Vamos lá ser claros: nem toda a gente pode ter casa própria, a maior parte de nós deveria passar a vida a andar de transportes públicos; uma ida ao restaurante é, sim, um luxo; e tomar o pequeno-almoço no café, só ao domingo.

Eu sei que muita gente já percebeu isto, sei também que há famílias para quem este padrão de vida é a realidade desde sempre, mas o português médio, aquele que acha que o aperto é passageiro, esse, ainda não cogitou que daqui por diante vai ser assim.

O desafio é reduzir o consumo (e sobre isso o meu amigo e investigador Nuno Cunha ainda vos há-de dar uma ensaboadela), regressar ao essencial e encontrar na vida prazeres que substituam a obsessão por gastar dinheiro – que nem sequer nos pertence, na maior parte dos casos.

Deveríamos fechar, pelo menos, metade dos centros comerciais, proibir o comércio de abrir aos domingos, construir parques e zonas verdes em todas as cidades, acabar com a televisão depois da meia-noite e desligar a Internet à mesma hora, metendo toda a gente na cama a ter orgasmos e a fazer filhos uns a seguir aos outros (filhos que podemos criar sem carrinhos de bebé de oitocentos euros e demais mariquices sem as quais, nós próprios, para grande espanto coletivo, sobrevivemos; e filhos que, quando a segurança social colapsar, o que pelos vistos está eminente, nos vão sustentar).

Isabel Jonet está certa. Em tudo. Trata-se de uma dolorosa verdade (e não se enganem: preferia que fosse diferente). O problema dela é o mesmo das colonoscopias: sabemos que precisamos de fazer uma, mas a ideia de um tubo a entrar-nos pela garagem arrepia-nos sempre que pensamos no assunto.

Autor: Nuno Andrade Ferreira (jornalista)

 

 

Discussão

23 Comentários em “Crónica à bruta”

  1. Concordo com tudo menos com a colonoscopia ser feita pela garganta!!

    Publicado por Carla | 2 de Dezembro de 2012, 20:03
  2. Acabei de receber isto, fica aqui para o caso de alguem estar interessado em ler, ja que, muito se fala do assunto.

    CARTA ABERTA
    Uma canja para a Jonet

    Caríssima Isabel Jonet,

    gostaríamos de lhe dizer frontalmente, com o mínimo de mediações, que o nível das suas declarações é aviltante, sobretudo para aqueles com quem se diz preocupar e em nome dos quais desfruta o brunch da beneficência. Queremos dizer-lhe, antes de lhe devolver cada um dos insultos para citar nas vernissages, que o movimento que lhe escreve luta sobretudo para que ninguém se habitue ao empobrecimento. O nosso combate, todos os dias, é pelo pleno emprego e pela justa distribuição do trabalho, única via que identificamos para não ter que contar com o seu negócio a cada vez que falta capital ao mês. Fala-lhe um grupo de pessoas, jovens e menos jovens, desempregados, precários, sub-empregados, gente que se empenha quotidianamente para derrotar quem, como a senhora e a Merkel, insiste em mascarar de caridade o saque que estão a fazer às nossas vidas.

    Sabemos que preside à Federação Europeia dos Bancos Alimentares Contra a Fome, posição que ocupa desde Maio de 2012, e que a sua influência aumenta na proporção da miséria nos vai impondo. Sabemos que é rica e privilegiada e nunca falou da fome com a boca vazia. Sabemos que sabe que não falta miséria para alimentar de matéria-prima a sua fábrica. Sabemos que olha para os pobres com desdenho, nojo, pena. Sabemos que na hora de fazer a contabilidade aquilo que a move é a sua canja, o seu ceviche, não o caldo dos outros.

    Afirma que vamos ter que “reaprender a viver mais pobres”, quando a senhora só sabe o que é viver mais rica, que “vivíamos muito acima nas nossas possibilidades” quando é sua excelência que tem vivido às nossas custas, que “há necessidade permanente de consumo, de necessidade permanente de bens para a satisfação das pessoas” quando em nenhum momento da sua vida a falta de verba lhe deu tempo para ganhar água na boca. Atira-nos à cara, com a lata da Chanceler, que os seus filhos “lavam os dentes com a torneira a correr” e que se nós “não temos dinheiro para comer bifes todos os dias, não podemos comer bifes todos os dias”, quando cada vez mais o problema das pessoas é ter casa onde os filhos possam lavar os dentes e onde os bifes nunca ganharam a tradição dos que são fritos no conforto das Arcádias. Em tempos sombrios, poucos provaram o lombinho do seu talho predilecto, aquele que sempre visita com generosidade, antes dos fins-de-semana que costuma fazer com requinte, no crepúsculo alentejano.

    Deixe-nos explicar que enquanto pensava que à sua volta “estava tudo garantido, alguém havia de pagar”, éramos nós, os nossos pais e avós, que lhe aviavam a mesada. Perceba que a cada momento em que delira com a cegueira de que “cá em Portugal podemos estar mais pobres, mas não há miséria”, abastece-se à confiança do nosso fiado e das nossas dores de barriga. Entenda, que o tamanho dos seus disparates não abafa os murmúrios da pobreza e a miséria. Deixe-nos dizer que um milhão e meio de desempregados, com a fome e a subnutrição visível das urgências dos hospitais às cantinas das escolas públicas, a cólera já sobra às páginas dos jornais do dia. Deixe-nos dizer-lhe que o tempo não é de substituir o “Estado Social” pelo “Estado de Caridade”, mas de pelo menos ter tanto cuidado com os pobres como com aquilo que se diz.

    Pode caluniar os nossos pais, que nem o histerismo fútil com que os brinda não a torna capaz de encontrar exemplo de quem troque a bucha pela ida ao Super-Rock. Pode gritar, sem sequer dar ao luxo do fôlego, que eles “não souberam educar os filhos”, que a cada desabafo nos permite desvendar um pouco mais o véu das suas intenções, da origem do seu soldo.

    O seu mundo, caríssimo Jonet, é um decalque da propaganda do Governo, um corpo torpe atirado à máfia de capatazes e dos carcereiros, aqueles que lhes têm ajudado a arranjar mais e mais margem de lucro no plano financeiro da sua pérfida empresa.

    O mundo de Jonet é o mundo da classe dominante, do privilégio, da riqueza, do poder desmesurado, dos estereótipos que ajudam a lavar o sangue que lhe escorre das unhas. No mundo de Jonet, as PPPs, os submarinos, a exploração, o assalto dos governantes, são propaganda subversiva ao serviço de gente acomodada, inútil, descartável. No mundo de Jonet “não existe miséria” como “em Portugal”, não é assim? Em suma, no mundo de Jonet não se vive o que é preciso para se ganhar um pingo de vergonha.

    Se estiver disponível, teríamos todo o gosto em entregar-lhe esta carta em mãos.

    Sem cordialidade mas com muito mais educação,

    Seus detractores,

    O Movimento Sem Emprego.

    Publicado por Nuno Flores | 9 de Novembro de 2012, 11:58
  3. Penso que é importante conhecermos alguns dados que fundamentam o discurso do repensamento do consumo, da luta contra a pobreza e da ideia que temos sobre desenvolvimento. Actualmente, no mundo, 50% dos trabalhadores ganham menos de 2 dólares por dia e não têm nenhum tipo de contrato nem protecção social, 1.100 milhões sobrevivem com carências alimentares e quase 2.000 milhões em situação de extrema pobreza. 80% da produção económica e consumo estão concentrados nos países industrializados que contêm apenas 20% da população mundial. A insustentabilidade ambiental causada pelo impacto da actividade humana mais que triplicou desde 1961. Estamos a viver como se tivéssemos mais de um planeta à nossa disposição e se não mudarmos de rumo até 2030 dois planetas não serão suficiente.São estes os dados de relatórios internacionais que nos obrigam a pensar nos padrões de consumo e que nos levam para muitas questões de ordem filosófica e ética: Existem limites para o desenvolvimento humano? Tem a Natureza recursos suficientes para oferecer a toda a Humanidade o padrão mínimo de qualidade de vida que achamos ter direito? Se tal não for possível, é justo que alguns (indivíduos, comunidades ou países) tenham um padrão de vida ambientalmente insustentável relegando obrigatoriamente outros para situações inevitáveis de pobreza extrema? Terão os beneficiados da desigualdade direito a comprometer a vida futura do planeta? O que é afinal o Bem-estar da Humanidade?! Os Direitos Humanos (“fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo” e “um ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações” ) são sustentáveis? Será possível, no combate à pobreza, garantir um nível de vida suficiente, num mínimo de bem-estar, que consiga garantir os direitos (de alimentação; vestuário; alojamento; saúde; assistência médica; educação; cultura; fruir das artes e da participação nos progressos científicos e dos benefícios que deste resultam) que a Declaração Universal dos Direitos Humanos proclama? Não se traduzirá esta abordagem também na promoção de um padrão de consumo ambientalmente insustentáveis? Os Direitos Humanos, proclamados em 1948, no auge do pensamento antropocêntrico, estão ultrapassados? Estas são, só, algumas questões de partida para a reflexão. Certamente uma reflexão dolorosa, mas são factos que não devemos ignorar sob pena de comprometermos a vida e a paz.

    Publicado por Nuno Cunha | 9 de Novembro de 2012, 0:33
    • Adorei e subscrevo este comentário! Enquanto não limitarmos o consumo daqueles que mais têm, podem e/ou querem gastar/esbanjar, o planeta em que vivemos(e a própria existência humana)não terá futuro!…Esta é a discussão fundamental que tem de ser feita!…

      Publicado por Porco Triunfante | 14 de Novembro de 2012, 12:59
  4. Nuno Andrade Ferreira (jornalista) é um vendido à comunicação social pago pra regugitar … ! Se enquanto jornalista relatasse a verdade dos factos e não andasse a escrever crónicas acerca dos bifes que os portugueses ingerem em forma de papas, arroz e massa sem acompanhamento, fazia melhor … Devias passar fome, para vermos se ainda tinhas essa opinião !

    Publicado por Frances Enfui | 8 de Novembro de 2012, 23:29
  5. Nuno Andrade Ferreira (jornalista) é um vendido à comunicação social pago pra regugitar … ! Se enquanto jornalista relatasse a verdade dos factos e não andasse a escrever crónicas acerca dos bifes que os portugueses ingerem em forma de papas, arroz e massa sem acompanhamento, fazia melhor …

    Publicado por Matateu abre-o bem | 8 de Novembro de 2012, 23:27
  6. A proposito Sr. Nuno Ferrerira gostaria de saber qual a sua competência/educação ou irresponsabilidade,para já não dizer , falta de cultura e educação, para tecer o comentário que teceu …/ eu acho que vocês estão todos parvos. /… pensa estar a falar com algum familiar seu?????

    Publicado por Antonio Mendonca | 8 de Novembro de 2012, 22:54
  7. Continuando o meu comentário de há pouco, estão a esquecer-se é de uma coisa muito importante: – é que a cortar tanto na pele dos Portugueses, a fechar Escolas, Hospitais, Centros de Saúde a cortar nos ordenados e a subrir os impostos, os Portugueses vão começar a morrer pelas Ruas ou em suas casas porque não tem Hospitais ou os poucos que restem , são caros demais para as suas posses e ai o DES-GOVERNO vai ver que afinal poucos restam para cobrar o AR e a divida nunca será paga. Conclusão, só há uma solução: – A TÃO APREGOADA PERCA DE SOBERANIA QUE A MERKEL APREGOOU HÁ UNS TEMPOS Mas será que ainda ninguém viu que ela está a querer “DIPLOMATICAMENTE” fazer com o Euro, o que Hitler não consegiu com a Guerra ??? Não vêm que o sonho dela é ser a próxima dona da Europa ????Só gostava que o Sr. Nuno A. Ferreira acordasse para a realidade e fosse visitar o Lar de um idoso que recebe 200/300 euros de reforma e gasta a maior parte em medicamentos. Gasta ? Gastaria se não tivesse de optar pelos mesmos ou uma carcaça de Frango ou PEru. (Bife ? Qual bife. Isso é uma utopia -isso é só para gente rica como a Srª Junet ou possivelmente o Sr. N.A.F) Era bom que visse (eu não gosto de ver) um desses reformados a chorar de vergonha e com fome. Indignou-me ver certo dia nas noticias que o Banco A. C. Fome deixou estragar X de toneladas de Alimentos por falta de Coordenação. Não sei se no Reinado desta Srª ou de outra qualquer, mas o certo é que é vergonhoso. Agora vem ela dizer que no tempo dela lavava os dentes com um copo e os filhos lavam de torneira aberta. se tivesse bom senso diria que os ensinou a lavar de torneira fechada e com um copo como ela faz. Assim está a mostrar que ELA e a família é que estão a viver acima das suas possibilidades. Uma coisa é certa enquanto essa senhora estiver a frente dessa Instituição, de mim não levará mais nada (que me perdoem os mais necessitados) mas a entrevista que ela deu foi unica e simplesmente VERGONHOSA e ARROGANTE.Demita-se Dnª Isabel Junet. O Povo agradece para continuarem a alimentar o BACF. Obrigado.

    Publicado por Antonio Mendonca | 8 de Novembro de 2012, 22:45
  8. É certo que cometemos alguns (muitos erros) quem nunca errou que atire a primeira pedra, mas o pior gastador, foi/É o Estado. só OBSERVATORIOS tem 181. Observatórios para quê? Fundaçõs a torto e a direito . Para quê ? A unica que acho ter utilidade é a Champaliamud e a Gulbenkian (são as duas de utilidade Publica e pouco ou nada recebem do estado) As outras de uma maneira ou de outra são para esconder gastos e Fortunas. Ainda não percebi uma coisa. Pede-se dinheiro lá fora ao BCE, mas a Troika manda despedir pessoal, masnda aumentar impostos, manda (obriga com a austeridade) fechar fabricas. Os Patrões cada vez despedem mais empregados. As fabrics fogem de Portugal como o Diabo foge da cruz. O Alentejo ja não produz um grão de cereais….As fabricas do Norte fecharam todas ou bazaram para os Paises de Leste. Se não temosFabricas; Construção; Agricultura para gerar Economia/Riqueza, expliquem-me lá como querem pagar a divida????? Já sei, privatizando a TAP, a ANA, a CGD. depois acaba-se por vender o resto da EDP e da REN. Com jeito convence-se a Dnª Isabel dos Santos e o Sr. Americo Amorim a vender a Galp e pronto, ficamos com quê???? Ah já sei, vamos viver do AR, sim porque o mesmo por enquanto ainda não é taxado, mas virá um ILUMINADO (não muito longinquo) que se lembrará de fazer um imposto para o Ar que respiramos e eis que está o problema resolvido. Ora bem 10 milhões de Portugas a pagar X por Y de M3 dá…..ufa, podemos pagar a divida aos Boches e ainda dá para comprar um Jato para cada um dos deputados. E assim se vive acima das possibilidades.

    Publicado por Antonio Mendonca | 8 de Novembro de 2012, 22:24
  9. Acho uma excelente ideia! Para além de todas essas proibições, o governo português devia, como desígnio nacional, incentivar todos os desempregados a fazerem o serviço cívico de procriarem, a troco de custear (é claro, a um custo modesto) o crescimento e a educação dos filhos, preparando-os para um emprego que, com a graça de Deus, deverão então arranjar. Isto iria, no futuro, contribuir para a sustentabilidade da segurança social e da máquina fiscal, para além de ocupar os desempregados que não arranjam emprego, com a vantagem de esta última medida poder ser imediatamente aplicada. Até tenho uma excelente palavra para tal desígnio: refundação!

    Publicado por Jorge Cunha | 8 de Novembro de 2012, 20:31
  10. Está tudo desorientado.

    Durante anos lutou-se pelo bifinho pois não havia.

    Já há anos que se lutar por poupar água em nome do ambiente.
    Há muitos anos de luta e conquista de direito à habitação, à saúde e à educação.

    E a tudo isto fomos chamando democracia e direitos de cidadãos, sonhando com uma sociedade justa e menos desigual.

    Certamente que no meio disto se gastou. Numas coisas bem, noutras mal. Aconteceu em todo lado do mundo e com toda a gente.

    Será altura de se pensar em cortar em PPP`s, em gastos com políticos, em gastos com representantes do país que se “passeiam” pelo estrangeiro ou, simplesmente, no apoio público que permite à banca financiar-se no BCE a juros baixíssimos e que, actualmente, lhes dá a possibilidade de comprar títulos da nossa divida, cujo juros lhes permite amealhar chorudos dividendos. No entanto, dizem eles que “…o povo aguenta? Ai aguenta, aguenta…”

    Em 2008, logo após rebentar a crise a Europa, pedia-se que gastássemos para a combater, agora havemos de nos habituar a poupar porque fomos sempre muito gastadores e, inclusive, pobreza estrutural, aparentemente nada de grave, até já tínhamos!

    É um facto aceite e generalizado, segundo nos diz o Governo, não se poder cortar já com as gorduras, aquelas que são as reais gorduras, porque há contratos e compromissos que o Estado não pode incumprir.

    Quantos anos têm os contratos que o Estado assinou com os funcionários públicos?
    Mas esses podem-se cortar, não contam.

    Quantas reformas da justiça já se fizeram neste país?
    Só continuamos a ver bandidos que roubaram milhões de euros na rua ou, como alguns, a passear por Cabo Verde.

    Era urgente a reforma administrativa para melhor gerir o território?
    Juntam juntas de freguesia, por exemplo, mas nos jotinhas continuam assessores dos políticos e os futuros lugares que já estão prometidos la aparecem mais para a frente. Nesses ninguém toca porque constituem as famosas bases que põe la os senhores.

    Quantas reformas na educação?
    Continuam com os resultados que todos conhecemos. Descobriu-se recentemente que é mais barato um aluno de uma escola publica que o de uma privada.

    Citando o Zé Mário Branco:

    “…não te chega para o bife? Antes no talho do que na farmácia. Não te chega para o tribunal? Antes a multa do que a morte. Não te chega para o cangalheiro? Antes para a cova do que para não sei quem que há-de vir…”

    Esperemos que o tempo de crise que se vive não dê, novamente, espaço nem margem de manobra a “reações” que conhecemos outrora.

    Mesmo havendo que poupar, espero que possamos repensar e cimentar uma democracia mais plural e mais justa, onde comer, dormir ou trabalhar, seja possível a todos.

    Ainda que para isso, tenhamos que cortar poderes há muito instalados que, que o futuro não passe por retirar o pouco que têm quem, em situação normal, tem mais dificuldade em reagir.

    Caso contrário, é esperar que o povo acaba por falar.

    Publicado por Nuno Flores | 8 de Novembro de 2012, 18:19
  11. Se somos actualmente um pais de parcos recursos é porque os governos os venderam, e ao desbarato devo acrescentar.
    Mas mesmo assim estes politicos ainda têm que lhes passe a propaganda, seja na tv seja em crónicazinhas de meia tijela ditadas por gente que certamente nunca conheceu o esforço a que é submetida esta populaçãp para terem um nivel de vida que foi sempre abaixo do resto dos outros povos da maioria do mundo “livre”.
    A estas pessoas certamente irritava que esta gente( os pobres) pudesse disfrutar de certos luxos que para eles apenas deviam estar disponiveis para uma elite da qual fazem (faziam…)parte.
    E hoje rejubilam publicando estas infelicidades que tem como alvo os maus habitos desenvolvidos por aquela gente:o mau hábito de,ter carro, ter casa, ter bens, comer todos os dias etc…
    São tambem eles responsáveis,da forma que os apoioam, pela impunidades destes governantes que com ideias semelhantes fizeram do estado uma órgia de consumo,e a unica politica que tiveram foi a do auto-proveito que resulta na situação dramatica que o pais atravessa.
    Querem que haja pobres para eles se superiorizarem pela unica coisa que são capazes, estatuto, e para isso precisam de pobres escravos que de vez enquando atiram a esmola na forma da roupa velha dos sapatos que ninguem quer, do pacotinho de arroz que lhes dá para muito, porque que há-de esta gente ter dinheiro,bastava-lhe a caridade das Isabeis Jonetes para serem verdadeiramente felizes!
    Talvez tenha plagiado aqui um pouco o texto do prof.Lobo Antunes, mas o sr Nuno Andrade Ferreira,tambem plagiou a propaganda do governo e do FMI, e só o fiz porque você me fez lembrar as tias dele e como gostavam de ter os “pobrezinhos de estimação”.

    Publicado por Anonymous | 8 de Novembro de 2012, 16:11
  12. Nuno Ferreira, que pedrada no charco!
    Independentemente de concordar ou não com tudo o que escreve, parabéns por trazer uma perspectiva diferente para este debate.
    Provavelmente também já viu os Volvos e os BMW topo de gama a ir buscar sacos do BA à Igreja de São Jorge de Arroios, em Lisboa, ou soube que agregados com rendimentos de 4.000 € e mais também recebem “Estado Social”, porque não abdicam dos créditos que bancam os luxos.
    Então no País das vaidades e dos coitadinhos, vai colocar sal na ferida? Abriu, como os comentários demonstram, a Caixa de Pandora!
    Em Portugal, todos temos que ter um Ferrari à porta. Porquê? Porque temos direito! O que fizemos para conquistar esse direito? Ninguém sabe. Como vamos manter o Ferrari? Ninguém sonha. Mas alguém virá atrás para fechar a porta.
    Gosto do artigo recomendado por “C”. É giro. Só é pena esquecer que a banca sanguinária, e os sucessivos governos de corruptos e arrivistas que lá são descritos, sempre foram aclamados pelo povão, desde que o cartão mágico bancasse, de forma ilimitada, os LCD e os passeios à Dominicana.
    E se agora regressar um qualquer licenciado de Domingo, a prometer ordenados de 3.000€ para todos, a carneirada vota toda nele. Como pagamos é pequeno pormenor…
    Não me lembro de alguma vez ter havido greve nacional contra a corrupção, a incúria na gestão do erário público e a impunidade. E foi pena.
    Porque agora, ralhemos à vontade. Não há pão…
    Mas há algo que é constante: nós nunca, mas nunca, temos culpa de nada. São sempre eles.

    Publicado por Gonçalo Gomes | 8 de Novembro de 2012, 15:51
  13. Deixem-se de falsos moralismos. O bife, comprado no supermercado ou num tasco qualquer está longe de ser dos produtos mais caros, a água a correr é uma questão básica de conduta cívica, os concertos de rock (ou peças de teatro, ou ou ou) alimentam uma indústria, criam milhares de postos de trabalho, alimentam a alma e dão sentido à existência humana. Desligar (proibir) a tv e a internet nem merece qualquer comentário sério…
    Se “nem toda a gente pode ter casa própria [e] a maior parte de nós deveria passar a vida a andar de transportes públicos”, gostava que o Sr. me dissesse quais são então as pessoas entre nós a quem deve ser atribuído esse privilégio e como conforto só para alguns lhe pode parecer uma coisa aceitável, natural, justa.

    E, acima de tudo, como não lhe parece estranho não ter percebido que o que está em discussão (até no contexto da intervenção da Sra. Jonet) é uma questão política que – deliberadamente – está a penalizar e empobrecer um país e levá-lo à ruína. Se prefere analisar as perversidades de um estilo de vida menos correcto para justificar o injustificável, a opção é sua. Mas é bom que tenha em mente que o que verdadeiramente está a dizer (e a Sra. Jonet também) é uma coisa bem diferente. Diz: Eu prefiro um país de caridade a um verdadeiro Estado Social. É a legitimação da via única, do discurso de solução única, tão bem propagado por este governo.

    Publicado por Sílvio Mendes | 8 de Novembro de 2012, 13:20
  14. Concordo 100% com o comentário acima do Paulo, do qual cito:

    “O problema é que nos estão a roubar. E quando há um ladrão que vai a nossa casa roubar-nos os alimentos, dizer que temos que comer menos não parece uma boa resposta ao problema.”

    Por muito que NOS custe, esta é a realidade. E o Governo/Troika/Investidores estão a comprar/roubar Portugal aos retalhos e em saldos.

    Publicado por Fernando Veloso | 8 de Novembro de 2012, 12:39
  15. Parabéns, caro jornalista….vê-se que um “aluno aplicado”.
    É a primeira vez que faço um comentário neste context, mas o seu ponto de vista é inaceitável.
    Porque não se candidata assessor do ministro das Finanças? São discursos como o seu que legitimam as políticas do governo.
    Pessoalmente, até concordo com certas “arrumações” que a Troika está a fazer no país e, no limite, até concordo com algum racionamento logístico…Contudo, é inaceitável que o jornalista (jovem, como parece ser), considere que este ataque à dignidade humana possa ser justificado por algum pecado original do nosso passado. Esquece-se que este corte não é justo e equitativo e que estamos, na verdade, a pagar a factura (a maior parte) da corrupção nas elites portuguesas…?! Porque é que, no entanto, são os cidadãos que têm, num acto de contrição, arrependerem-se do seu passado?!Porque não são os políticos e banqueiros corruptos julgados e porventura condenados?! Nem eu, nem a maioria das pessoas, se sente ou é responsável nem pelo burado do BPN nem pelos erros contratuais das PPP. Porque que razão temos de nos arrepender?

    Publicado por Rosa | 8 de Novembro de 2012, 12:32
  16. Gosto sempre quando me dizem como devo viver a minha vida.

    Publicado por JCM | 8 de Novembro de 2012, 12:21
  17. Concordo inteiramente com o artigo do jornalista Nuno A. Ferreira e consequentemente com a análise da Isabel Jonet. É um assunto que está na ordem do dia, e que vem a calhar…O Estado tem e vai ser obrigado agastar menos e as famílias também terão que fazer esse esforço, porque muito simplesmente…não há dinheiro…O Estado português grosso modo recebe de receita 70 mil milhões de euros e “gasta” 78 mil milhões…é fácil chegar à conclusão do porquê de termos uma divida pública na ordem dos 120% do PIB…e nós portugueses…também temos que nos habituar a viver com aquilo que (realmente)ganhamos….não há volta a dar, e claro que ninguém gosta, pois todos sentimos isso, mas a questão é que não podemos ter nem desejar aquilo que não podemos pagar!

    Publicado por Miguel Gonçalves | 8 de Novembro de 2012, 11:54
    • Todos os comentadores a favor das Politicas do Estado e da Sr. Jonet (incluindo o Sr. Jornalista)e este Sr. Miguel Gonçalves, ou são filhos dos Politicos ou dos seus Boys. Então quer dizer, o Estado compra carros alta gama e nos temos de pagar. Porque? Porque temos e pronto.O Estado faz negociatas com as PPP e nos temos de pagar. Porque? Porque temos e pronto.O Estado privatiza PBN e BPP e nos temos de pagar. Porque? Porque temos e pronto.Contratam-se licenciados saidinhos da Universidade (sem qualquer experiência) com pouco mais de 20 anos e a ganhar 3500 euros/mês e nos temos de pagar. Porque? Porque temos e pronto.Privatiza-se tudo o que é rentável para o País e é neste momento (ainda o pilar da pouca sustentabilidade)e nos temos de pagar. Porque? Porque temos e pronto.A Troika o BCE o FMI dizem, temos de cortar as unhas aos Portuga até deitar sangue e o Gasparzinho diz paga Portuga Todos os comentadores a favor das Politicas do Estado e da Sr. Jonet (incluindo o Sr. Jornalista) ou são filhos dos Politicos ou dos seus Boys. Então quer dizer, o Estado compra carros alta gama e nos temos de pagar. Porque? Porque temos e pronto.O Estado faz negociatas com as PPP e nos temos de pagar. Porque? Porque temos e pronto.O Estado privatiza PBN e BPP e nos temos de pagar. Porque? Porque temos e pronto.Contratam-se licenciados saidinhos da Universidade (sem qualquer experiência) com pouco mais de 20 anos e a ganhar 3500 euros/mês e nos temos de pagar. Porque? Porque temos e pronto.Privatiza-se tudo o que é rentável para o País e é neste momento (ainda o pilar da pouca sustentabilidade)e nos temos de pagar. Porque? Porque temos e pronto.E os Srs, FALSOS MORALISTAS ainda vêm dizer que eles têm razão? Andamos a viver acima das nossas possibilidades? Quem é que enviava cartas a oferecer credito as pessoas como quem oferece rebuçados em dia de Boda? Quem é que dava cartões de credito a torto e a direito? quem é que incentivava a compra de casa (diziam que era preferivel estar a pagar uma coisa que ficava para os filhos) do que andar uma vida inteira a encher a Pança a um Senhorio. Poderia estar aqui uma noite inteira a inumerar situações que nos levaram a esta situação.

      Publicado por Antonio Mendonca | 8 de Novembro de 2012, 22:07
  18. São algumas verdades indiscutíveis os factos. A forma como se argumenta e analisa os factos é que é profundamente infeliz. A adequação do estilo de vida à disponibilidade de rendimento ninguém tem dúvidas.
    Agora ninguém deve ser privado de poder comer bife todos os dias. Não é suposto o dinheiro que se gastaria num concerto de rock servir para pagar uma radiografia por causa de uma queda numa aula de ginástica, pois a radiografia deveria custar 0€ e para a maior parte das famílias que o Banco Alimentar ajuda decerto que não paga taxas moderadoras. Se os filhos da Isabel Jonet lavam os dentes com água a correr e ela aprendeu a lavar só com o copo dos dentes, então o processo de educação dessa senhora falhou.
    O que está em causa no que diz respeito a esta senhora é a visão da realidade. Tem a dela que quando precisa de ir tirar uma radiografia não vai a um hospital público, vai a uma clínica privada e aí sim paga pela radiografia os 50€ que pagaria por um concerto de rock. Eu posso comer bife todos os dias e custa-me 1€ cada bife +/-, ela está habituada a comer bifes de 20 €…
    Assume também que temos de empobrecer muito!… Não é necessariamente assim, a menos que esteja em sintonia com a ideologia política deste governo.
    Em Portugal há miséria! Não é só na Grécia! Esta senhora que trabalha na área em que trabalha diz que não há miséria em Portugal????….
    As pessoas têm de ser ajudadas para evitar a violência… é afirmação desta senhora.. Esta senhora é que é violenta para a dignidade humana!

    Publicado por António Miguel Almeida | 8 de Novembro de 2012, 11:48
  19. De acordo com o facto de que andámos durante imenso tempo como um puto gordo a comer chocolates.

    O problema é que a discussão neste momento, para a maioria de nós, não é essa.

    O problema é que nos estão a roubar. E quando há um ladrão que vai a nossa casa roubar-nos os alimentos, dizer que temos que comer menos não parece uma boa resposta ao problema.

    Publicado por Paulo | 8 de Novembro de 2012, 11:36

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